Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

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Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Canárias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

As Ilhas Canárias (em castelhanoCanarias) são um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, a oeste da costa de Marrocos. Constituem uma Região Autónoma do Reino da Espanha. É também uma das oito regiões com uma consideração especial da Nacionalidade histórica reconhecidas como tal pelo Governo espanhol.[5][6] A área é de 7 447 km², sendo assim a décima-terceira Comunidade espanhola em área, a população em 2003 era de 1 843 755 e, em 2005, já quase 2 000 000. A densidade demográfica é de 247,58 hab/km².

As ilhas Canárias são o território mais próximo do arquipélago português da Madeira, com esta compartilhando a região da Macaronésia, junto com os arquipélagos dos Açores e de Cabo Verde. O arquipélago das Ilhas Canárias é o maior e mais populoso da região da Macaronésia.[7] As suas capitais são Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas de Gran Canaria.[2][3] O arquipélago tem mais de dois milhões de habitantes. Tenerife é a ilha mais habitada (917 841), seguida de Gran Canaria (851 231).

O arquipélago das Canárias

O arquipélago das Canárias é constituído por sete ilhas principais, divididas em duas províncias e várias pequenas ilhas e ilhéus costeiros:

Há ainda um conjunto de pequenos ilhéus costeiros, penedos e ilhotas (Anaga, Salmor, Garachico).

História

Antes da chegada dos aborígines, as ilhas Canárias foram habitadas por animais endêmicos, como alguns extintos; lagartos gigantes (Gallotia goliath), ratos gigantes (Canariomys bravoi e Canariomys tamarani)[8] e tartarugas gigantes (Geochelone burchardi e Geochelone vulcanica),[9] entre outros.

As ilhas Canárias são conhecidas desde a Antiguidade: existem relatos fidedignos e vestígios arqueológicos da presença cartaginesa na ilha. Foram descritas no período greco-romano a partir da obra de Juba IIrei da Numídia, que as mandou reconhecer e que, afirma-se, por nelas ter encontrado grande números de cães, deu-lhes o nome de “Canárias” (“ilhas dos cães”). São referidas por autores posteriores como “Ilhas Afortunadas“.

Depois de um período de isolamento, resultado da crise e queda do Império Romano do Ocidente e das invasões dos povos bárbaros, as ilhas foram redescobertas e novamente visitadas com regularidade por embarcações europeias a partir de meados do século XIII.

Século XIII e XIV

A sua redescoberta é reivindicada por Portugal em período anterior a Agosto de 1336. A sua posse, entretanto, foi atribuída ao reino de Castela pelo Papa Clemente VI, o que suscitou um protesto diplomático de Afonso IV de Portugal, por carta de 12 de Fevereiro de 1345:[10]

“Ao Santíssimo Padre e Senhor Clemente pela Divina Providência Sumo Pontífice da Sacrossanta e Universal Igreja, Afonso rei de Portugal e do Algarve, humilde e devoto filho Vosso, com a devida reverência e devotamento beijo os beatos pés. (…)
Respondendo pois à dita carta o que nos ocorreu, diremos reverentemente, por sua ordem, que os nossos naturais foram os primeiros que acharam as mencionadas Ilhas [Afortunadas].
E nós, atendendo a que as referidas ilhas estavam mais perto de nós do que qualquer outro Príncipe e a que por nós podiam mais comodamente subjugar-se, dirigimos para ali os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento mandámos lá as nossas gentes e algumas naus para explorar a qualidade daquela terra.
Abordando às ditas Ilhas se apoderaram, por força, de homens, animais e outras coisas e as trouxeram com muito prazer aos nossos reinos.
Porém, quando cuidávamos em mandar uma armada para conquistar as referidas Ilhas, com grande número de cavaleiros e peões, impediu o nosso propósito a guerra que se ateou primeiro entre nós e El-rei de Castela e depois entre nós e os reis Sarracenos. (…)”

Entretanto o Papa Clemente VI em 1344 cria o Principado de Fortuna, um feudo dependente da Santa Sé, que concede a Luís de la Cerda, Infante de Castela, cujo nome refere-se às Ilhas Canárias, identificadas com as Ilhas Afortunadas da Antiguidade Clássica. A única condição imposta pelo Papa foi a de que este nobre evangelizasse as Canárias, mas, como não obteve qualquer apoio económico ou militar tudo não passou de um projeto.

Século XV

Em 1402, iniciou-se a conquista destas ilhas com a expedição a Lançarote dos Normandos Jean de Bethencourt e Gadifer de la Salle, mas prestando vassalagem aos reis de Castela e com o apoio da Santa Sé. Devido à localização geográfica, à falta de interesse comercial e à resistência dos Guanches ao invasor, a conquista só foi concluída em 1496 quando os últimos Guanches em Tenerife se renderam.

A partir de 1402, Jean de Bettencourt lidera uma série de expedições, dominando várias ilhas, e reconhece desde logo a suserania de Henrique III de Castela. No entanto, a Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra coloca-lhe dificuldades no abastecimento das ilhas e, por isso, em 1418 vende os seus direitos feudais ao Enrique de Guzmánconde de Niebla.[11]

Em 1424, o infante D. Henrique não aceitando a soberania espanhola sobre as ilhas manda D. Fernando de Castro à Grã-Canária à frente de um contingente de quase três mil homens,[12] com o propósito de se apoderarem desta ilha, objecto de litígio entre Portugal e Castela,[13] não conseguindo derrotar os nativos guanches[11] devido a problemas logísticos.[14]

Depois, será a Coroa castelhana que organiza várias expedições comerciais em busca de escravos, peles e tinta. Porém, em 1435, o Papa Eugênio IV emitiu a Bula Sicut Ducum, a qual ordenava a libertação dos escravos dessas ilhas que aceitassem ser baptizados.[15]

Finalmente, no Tratado de Toledo (6 de março de 1480), Portugal abandona definitivamente qualquer pretensão sobre este arquipélago, depois de, no ano anterior, ter reconhecido a soberania castelhana das ilhas pelo Tratado de Alcáçovas (1479).[11]

Século XVI e seguintes

A conquista das Canárias foi a antecedente da conquista do Novo Mundo, baseada na destruição quase completa da cultura indígena, rápida assimilação do cristianismo, miscigenação genética dos nativos e dos colonizadores.

Uma vez concluída a conquista das ilhas, estas passam a depender do reino de Castela, impondo-se um novo modelo económico baseado na monocultura (primeiro, a cana-de-açúcar e, posteriormente, o vinho, tendo grande importância o comércio com Inglaterra). Foi nesta época que se constituíram as primeiras instituições e órgãos de governo (cabildos e concelhos).

As Canárias converteram-se em ponto de escala nas rotas comerciais com a América e África (o porto de Santa Cruz de La Palma chegou a ser um dos pontos mais importantes do Império Espanhol), o que trouxe grande prosperidade a determinados sectores da sociedade, mas as crises da monocultura no século XVIII e a independência das colónias americanas no século XIX provocaram graves recessões.

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Playa de Las Teresitas, em Santa Cruz de Tenerife.

No século XIX e na primeira metade do século XX, a razão das crises económicas foi a emigração, cujo destino principal era o continente americano.

No início do século XX, foi introduzida, nas ilhas Canárias, pelos ingleses, uma nova monocultura: a banana, cuja exportação será controlada por companhias comerciais como a Fyffes.

A rivalidade entre as elites das cidades de Santa Cruz e Las Palmas pela condição de capital das ilhas fez com que, em 1927, se tomasse a decisão da divisão do arquipélago em províncias. Actualmente, a capital está dividida entre essas duas cidades.

Povoamento das Canárias

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Representação de um povoado guanche, antes da colonização espanhola.

As Ilhas Canárias já eram povoadas pelos guanches, antes da chegada dos espanhóis, no século XV. A conquista do arquipélago deu-se de forma violenta, pois os guanches resistiram e lutaram de forma impetuosa contra a ocupação espanhola. Uma vez dominados, os nativos foram escravizados em larga escala, para custear os gastos com as expedições militares. Em retaliação, os rebeldes, sobretudo os homens, foram massacrados e deportados das ilhas pelos espanhóis.[16]

Por muito tempo, a origem dos guanches permaneceu um mistério. Porém, desde o início da colonização, já existia evidência de que eles eram originários das populações berberes do Norte da África, uma vez que as línguas e as tradições guanches se assemelhavam às dos seus vizinhos norte-africanos, antes do processo de islamização. Recentes pesquisas genéticas comprovam a origem berbere norte-africana dos nativos canários.[16] A chegada desses berberes às Canárias ocorreu muito antes da islamização e da arabização do Norte da África, pois os guanches praticavam o animismo e o politeísmo, quando os espanhóis chegaram no século XV.[17]

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Múmia guanche de Tenerife (no Museo de la Naturaleza y el Hombre de Santa Cruz de Tenerife).

Todavia, continua a dúvida sobre de que maneira os guanches chegaram às ilhas, pois só poderia ter sido por via marítima, já que o arquipélago nunca foi conectado à África por via terrestre. Porém, quando os espanhóis chegaram às ilhas, os guanches não dominavam a técnica naval. Portanto, existem duas hipóteses: eles chegaram sozinhos por via marítima e depois esqueceram suas habilidades de navegação ou eles foram levados para as ilhas por algum outro povo que dominava a técnica naval.[16]

Mesmo com a escravização e o massacre em massa da população nativa, pesquisas genéticas mostram que os atuais habitantes das Ilhas Canárias descendem, em parte, dos guanches. 41,8% das linhagens maternas dos canários atuais têm origem guanche; 55,4% ibérica e 2,8% africana subsaariana (resultado do tráfico de escravos negros durante a colonização). Por sua vez, no lado paterno, apenas 16,1% das linhagens são guanches e 83% são ibéricas e 0,9% africanas subsaarianas. Isso mostra que houve uma miscigenação preferencial entre homens europeus e mulheres nativas durante a formação da população canária.[16]

Economia

A economia é baseada no sector terciário (74,6%), principalmente turismo que tem proporcionado o desenvolvimento da construção civil, sendo a origem dos turistas: espanhóis (30%), alemães, britânicos, suecos, franceses, russos, austríacos, neerlandeses, portugueses e de outras nacionalidades europeias.

indústria é escassa, basicamente agroalimentária, de tabaco e de refinação de Petróleo (A refinaria de petróleo de Tenerife é a maior de Espanha). Depois da ocupação do Saara Ocidental por Marrocos, as indústrias de conserva e de salga de pescado desapareceram.

Só esta cultivado 10% do solo sendo a maioria de secano (cevada e trigo), e de regadio uma minoria (tomatesbananas e tabaco), orientados para o comércio com o resto da Espanha e da União Europeia. Também se iniciou a exportação de frutas tropicais (abacate e manga) e flores. A pecuária, principalmente a caprina e a bovina, tem sofrido um importante retrocesso nas últimas décadas.

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Playa de Las Canteras, na cidade de Las Palmas. As Canárias são um destino turístico importante na Europa.

Estatísticas do turismo

Número de turistas que visitaram as Ilhas Canárias em 2016, por ilha de destino (em milhares):[18]

Religião

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Basílica de Nossa Senhora da Candelária, padroeira das Ilhas Canárias.

Como ocorre no resto da Espanha, a sociedade da Ilhas Canárias é predominantemente cristã,[19] principalmente católica.[20] A religião católica tem sido, desde a conquista do arquipélago das Canárias, a religião da maioria da população. Nas Ilhas Canárias nasceram dois grandes santos católicos: Pedro de Betancur[21] e José de Anchieta.[22] Ambos nascidos na ilha de Tenerife, foram, respetivamente, missionários na Guatemala e no Brasil.

Contudo, o aumento dos fluxos migratórios (turismo, imigração, etc.) estão a aumentar o número de seguidores de outras religiões se reúnem nas ilhas, como muçulmanosprotestantes e praticantes do hinduísmo.[23] Religiões minoritárias significativamente importantes nas Ilhas Canárias são religiões afro-americanasReligião tradicional chinesabudistaJudaísmo e da Fé Bahá’í.[23] Também existe em uma forma de arquipélago nativo neo-paganismo, a Igreja do Povo Guanche.[23]

Festividades

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A Dança dos Anões é um dos mais importantes atos das Festas Lustrais da Bajada de Virgen de las Nieves em Santa Cruz de La Palma.

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Dançarinos com traje típico, em El Hierro.

O dia oficial da Comunidade Autónoma é o Dia das Ilhas Canárias em 30 de maio. Este é o aniversário da primeira sessão do Parlamento das Ilhas Canárias, com sede em Santa Cruz de Tenerife, em 30 de maio de 1983.

O calendário comum de férias nas Ilhas Canárias é o seguinte:[24]

Além disso, cada uma das ilhas tem suas próprias férias. Estas são as festividades dos santos patronos das ilhas de cada ilha:[27]

As festividades mais famosas e internacionais do arquipélago são o carnaval. O carnaval é comemorado em todas as ilhas e todos os seus municípios, mas os dois mais freqüentados são os das duas capitais das Ilhas Canárias; o Carnaval de Santa Cruz de Tenerife e o Carnaval de Las Palmas de Gran Canaria.

Referências

  1.  «Dicionário de Gentílicos e Topónimos»portaldalinguaportuguesa.org. Consultado em 10 de julho de 2021
  2. ↑ Ir para:a b Real Decreto de 30 de noviembre de 1833 en wikisource
  3. ↑ Ir para:a b Real Decreto de 30 de noviembre de 1833 en el sitio web oficial del Gobierno de Canarias
  4.  Datos demográficos
  5.  «Reforma Estatuto»web.archive.org. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  6.  Canarias en la España contemporánea: La formación de una nacionalidad histórica
  7.  «La Macaronesia. Consideraciones geológicas, biogeográficas y paleoecológicas :: Macaronesia Monografías»catalogo.museosdetenerife.org. Consultado em 29 de outubro de 2017
  8.  Algunas extinciones en Canarias Consejería de Medio Ambiente y Ordenación Territorial del Gobierno de Canarias
  9.  «La Paleontología de vertebrados en Canarias.» Spanish Journal of Palaeontology (antes Revista Española de Paleontología). Consultado el 17 de junio de 2016.
  10.  Infopédia. «Questão das Canárias (séc. XIV-XV) – Infopédia»Infopédia – Dicionários Porto Editora. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  11. ↑ Ir para:a b c Infopédia. «Questão das Canárias (séc. XIV-XV) – Infopédia»Infopédia – Dicionários Porto Editora. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  12.  Perspectiva gloval das viagens dos portugueses às Canárias no âmbito dos descobrimentos e expansão portuguesa. Uma questão adiada até Alcaçovas-Toledo (1479-80), por Isabel L. Morgado de S. e Silva, Comunicação apresentada nas Segundas Jornadas Rubicenses. Seis siglos de vínculo Europeo y Atlântico, 31 Maio – 2 Junho 2001. Ayuntamento de Yaiza, Lanzarote
  13.  O Papel da Diplomacia Portuguesa do Tratado de Tordesilhas, por Humberto Baquero Moreno, Revista da Faculdade de Letras do Porto, pág, 141
  14.  As Guerras das Canárias, in Cristovão Colombo, português ?, por Carlos Fontes, Lusotopia
  15.  «Sicut Dudum Pope Eugene IV – January 13, 1435 – Papal Encyclicals»Papal Encyclicals (em inglês)
  16. ↑ Ir para:a b c d Fregel, Rosa; Gomes, Verónica; Gusmão, Leonor; González, Ana M; Cabrera, Vicente M; Amorim, António; Larruga, Jose M (3 de agosto de 2009). «Demographic history of Canary Islands male gene-pool: replacement of native lineages by European»BMC Evolutionary Biology9. 181 páginas. ISSN 1471-2148PMID 19650893doi:10.1186/1471-2148-9-181
  17.  Maximiliano Trapero. Estudios sobre el guanche. La Lengua de los primeros habitantes de las Islas Canarias. Fundación Mapfre Guanarteme.
  18.  Número de turistas que visitaron Canarias en 2016, por isla de destino (en miles)
  19.  Religiones entre continentes. Minorías religiosas en Canarias. Editado por la Universidad de La Laguna
  20.  Aunque el nivel de práctica religiosa es de los más bajos de España. Información turística de España
  21.  «Pedro de San José Betancurt, Santo»Catholic.net (em espanhol). Consultado em 9 de janeiro de 2021
  22.  «José de Anchieta, Santo»Catholic.net (em espanhol). Consultado em 9 de janeiro de 2021
  23. ↑ Ir para:a b c Tenerife, La Opinión de. «Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria – La Opinión de Tenerife»www.laopinion.es. Consultado em 29 de outubro de 2017
  24.  Calendario oficial en Canarias
  25.  Programa de las Fiestas de la Virgen de Candelaria. Agosto de 2017
  26.  Chijeb, Norberto (20 de julho de 2017). «Candelaria se prepara para recibir en agosto a 150.000 devotos de la Virgen»Diario de Avisos (em espanhol). Consultado em 9 de janeiro de 2021
  27.  Fiestas insulares de Canarias.

 

Vulcão Cumbre Vieja entra em erupção no Arquipélago das Canárias

Publicado em 19/09/2021 – 15:56 Por RTP – Rádio e Televisão de Portugal – Lisboa

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Nos últimos dias, intensificaram-se os sinais de atividade sísmica nas Canárias, comunidade autônoma espanhola, que levou à retirada de animais e de 40 pessoas com problemas de mobilidade. O vulcão entrou em erupção no início da tarde, pelas 15h15 horas locais (14h15 GMT). A ilha está sob alerta amarelo.

Várias imagens mostram uma coluna de fumaça sobre uma colina, e as redes sociais encheram-se de vídeos, com um deles a captar lava.

“A erupção começou na zona de Cebeza de Vaca, em El Paso”, informou, em conta no Twitter, o governo local. As zonas mais próximas do vulcão começaram a ser evacuadas, apesar da zona onde a erupção está a ocorrer não ser habitada, confirmou o presidente das Canárias, Ángel Víctor Torres.

Os serviços de emergência estão de prevenção para a eventualidade de terem de evacuar cerca de 1 milhão de pessoas, alertaram as autoridades.

Nas 24 horas anteriores à erupção do Cumbre Vieja, um vulcão com 1.949 metros de altitude, a crise sísmica registrada ao longo da semana agravou-se, e a ilha foi sacudida por diversos abalos, o mais grave dos quais atingiu a magnitude de 3.8 às 11h16 deste domingo, hora local, a 10 quilômetros de profundidade.

Desde sábado (18),registraram-se mais de mil abalos, cinco dos quais de grau 3 ou superior, todos sentidos pela população, em sinal ineqíivoco de movimentos de magma, sucessivamente mais superficiais.

Um alerta de vigilância acrescida, de nível 2 em 4, tinha sido decretado quinta-feira (16), após a multiplicação de pequenos sismos sob o vulcão que “pode conhecer uma evolução muito rápida a curto prazo”, preveniu no dia anterior o governo regional do arquipélago em comunicado.

A lava está sendo expelida através de uma fissura na encosta do vulcão, e a atividade sísmica mantém-se, fazendo temer que a erupção possa agravar-se.

Os avisos de vulcão seguem um nível de risco, subindo do verde para o amarelo, laranja e vermelho. O atual nível amarelo implica que os residentes das zonas de risco devem ficar preparados para ser evacuados. A eles foi também solicitado que relatem aos serviços de emergência quaisquer vestígios de gases, cinzas, mudanças no nível da água ou pequenos sismos.

A erupção deste domingo é a primeira em La Palma desde outubro de 1971, quando o vulcão Teneguia expeliu lava durante três semanas. La Palma, com 85 mil habitantes, é uma das oito ilhas do Arquipélago das Canárias. No seu ponto mais próximo com a África, dista 100 quilômetros do Marrocos.

As Canárias estão a 460 quilômetros da ilha da Madeira, em Portugal, e a 1.428 quilômetros da Ilha do Sal, em Cabo Verde.ebc Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canáriasebc Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Uma semana de avisos

O Cumbre Vieja de La Palma é um dos complexos vulcânicos mais ativos das ilhas Canárias, sendo o responsável por duas das três últimas erupções nas ilhas, do Vulcão San Juan (1949) e do Teneguía (1971).

O Instituto Geográfico Nacional e o Instituto Vulcanológico das Canárias registraram, desde 11 de setembro, um importante acumulado de milhares de pequenos sismos na periferia do Cumbre Vieja, com epicentros a mais de 20 quilômetros de profundidade que, progressivamente, foram ascendendo à superfície.

Hoje de manhã, as autoridades começaram a evacuar as pessoas com problemas de mobilidade nas localidades dos municípios de El Paso, Los Llanos de Aridane, Villa de Mazo e Fuencaliente.

Desde que há registros históricos — desde a conquista das Canárias no século 15 — La Palma foi cenário de sete das 16 erupções vulcânicas ocorridas no arquipélago.

Um sismo de magnitude 3,8 foi hoje registrado à superfície. O Comitê Científico do Plano de Prevenção de Riscos de Vulcões alertou que os sismos mais fortes “poderão também causar danos nos edifícios”. “O comité dos especialistas científicos chamou ainda a atenção para a eventualidade de queda de rochas na costa sudoeste da ilha.”

Geólogos espanhóis rastrearam na última semana a formação de um “enxame de terremotos” ao redor de La Palma. Um enxame de terremotos é um agrupamento de terremotos numa área durante um curto período e pode indicar a aproximação de uma erupção.

Antes de uma erupção vulcânica dá-se um aumento gradual da atividade sísmica que pode prolongar-se por um largo período.

As Ilhas Canárias, na Espanha, vivem momentos de tensão neste domingo (19/9): após intensos terremotos no local nos últimos dias, o vulcão Cumbre Vieja entrou em erupção e pode ser um risco à vida de cerca de mil pessoas. As primeiras cinzas e lavas começaram a ser expelidas por volta das 12h30 (horário de Brasília), neste domingo (19/9), e, pouco tempo depois, um extenso rio de lava se formou em direção a vila de El Paso. Cerca de 300 pessoas que sofriam risco imediato foram retiradas de casas e reunidas em um campo de futebol.

O Cumbre Vieja ficou conhecido pelos brasileiros na última quinta-feira (16/9), quando um portal divulgou o risco de erupção do vulcão e afirmou que, caso ocorresse, as regiões Norte e Nordeste do Brasil seriam atingidas por tsunamis. A informação, baseada em um estudo feito há 20 anos, foi desacreditada por especialistas e pelo próprio autor da pesquisa. Até o momento, não há risco para o Brasil no caso da erupção e a chance de que o cenário mude é mínima.

De acordo com técnicos do Instituto Volcanológico de Canarias (Involcan) presentes no local, as primeiras medições apontam que a lava expelida registra temperatura de 1.075 ºC. São sete “bocas” eruptivas e as lavas do vulcão, adormecido desde 1971, se movimentam com velocidade. Com o risco iminente, o governo das Ilhas Canárias tem corrido contra o tempo para proteger os moradores do local.

Há um esforço logístico para retirar mil pessoas de possíveis pontos vulneráveis. Além disso, o Conselho de Saúde das Ilhas suspendeu todo o atendimento médico não emergencial.

O presidente da Ashotel, associação hoteleira da costa espanhola, Jorge Marichal, informou que alguns hotéis já fazem mudanças com a presença de hóspedes. “Cerca de 500 clientes já foram realocados”.

Enquanto isso, casas próximas à costa, onde o vulcão está localizado, já são afetadas pelos fluxos de lava.

O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, adiou a viagem para participar da Assembleia Geral da ONU e foi até a Ilha de Palma para oferecer auxílio ao governo local.

Cumbre Vieja

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Cumbre Vieja (em portuguêsPico Velho) é um vulcão ativo situado na ilha de La Palmaarquipélago das Canárias (Espanha), com 1949 metros de altitude.[2] Existe a teoria de que uma erupção do Cumbre Vieja pode criar um megatsunami que atingiria o litoral oeste da África, litoral oeste da Europa, e grande parte do litoral leste das Américas, desde o estado da Flórida, nos Estados Unidos, até o estado de Santa Catarina, no Brasil. A erupção mais recente ocorreu a 19 de setembro de 2021 e foi afastado o risco de tsunami.[3]

História vulcânica

La Palma é uma ilha vulcânica oceânica. Atualmente é onde há a maior atividade vulcânica das Ilhas Canárias.[4] Erupções históricas do Cumbre Vieja ocorreram em 1470158516461677171219491971 e 2021.

A sua última erupção antes de 2021 havia ocorrido em 1971. O vulcão encontra-se atualmente sob monitoramento constante pelo fato de haver falhas na estrutura da ilha que o sustenta, o que implica numa possível catástrofe, caso ocorra uma forte erupção, que poderia causar o colapso ou desmoronamento desta ilha no leito oceânico, provocar um super terremoto e a formação de um megatsunami de caráter global, que poderá atingir toda costa leste das Américas, a costa oeste africana e todo litoral europeu ocidental.

Ameaça futura

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Foto de satélite de La Palma, nas Ilhas Canárias (norte está na parte inferior direita). A grande cratera no centro é a Caldeira de Taburiente. O Cumbre Vieja é um cume ao sul da caldeira (à esquerda).

British Broadcasting Corporation (BBC2 Channel) transmitiu o documentário “Megatsunami; Onda da Destruição“,[5] que sugeriu que um colapso futuro do flanco ocidental da Cumbre Vieja poderia causar um “megatsunami“.

Day et al. (1999)[6] e Ward e Day (2001)[7] formularam a hipótese de que durante uma erupção em um futuro indeterminado, a metade ocidental do Cumbre Vieja – cerca de 500 km³, com uma massa de cerca de 1,5 x 1015 kg – vai colapsar catastroficamente em um enorme deslizamento gravitacional e entrar no Oceano Atlântico, gerando um fenômeno chamado de “megatsunami“. Os destroços vão continuar a viajar – como um fluxo de detritos, ao longo do leito do oceano. A modelagem por computador indica que a onda resultante inicial pode atingir uma amplitude local (altura) acima de 600 metros e um pico inicial de altura que se aproximaria de 2 km, e viajaria a cerca de 1000 quilômetros por hora (aproximadamente a velocidade de um avião a jato), inundando o litoral da África Ocidental em cerca de uma hora, o litoral sul do Reino Unido em cerca de 3,5 horas, e a costa leste da América do Norte em cerca de seis horas, altura em que a onda inicial teria diminuído em uma sucessão de pequenas ondas, cada uma com cerca de 30 a 60 metros de altura. Estas podem aparecer algumas centenas de metros de altura e vários quilômetros de distância, mas mantendo a sua velocidade original. Os modelos de Day et al.[6] e Ward e Day[7] sugerem que poderia inundar até 25 km do interior dos continentes. Isso iria prejudicar gravemente ou destruir as cidades ao longo de toda a costa leste da América,desde o estado da Flórida,nos Estados Unidos, até o estado de Santa Catarina, no Brasil. Os danos físicos levariam dezenas, se não centenas de anos, para serem reparados e restaurados. As economias dos países afetados igualmente levaria vários anos para retornar aos níveis pré-inundação.

O mapeamento geológico detalhado mostra que a distribuição e a orientação das aberturas e diques de alimentação dentro do vulcão mudaram de um sistema de fenda tríplice (típicos da maioria dos vulcões em ilhas oceânicas), para um composto por uma fenda única norte-sul.[8][9][10] Afirma-se que esta reorganização estrutural é uma resposta a padrões de estresse, associados com o desenvolvimento de uma falha de desprendimento possível, sob a oeste do flanco do vulcão.[6][7] Siebert (1984)[11] mostrou que tais falhas são devidas à intrusão de diques paralelos e sub-paralelos à rachadura. Eventualmente, a estrutura se torna instável e a falha catastrófica. Não há evidências de que a rachadura de 1949 estende-se em uma direção norte-sul ou que existe um plano de desligamento em desenvolvimento. A pesquisa ainda está em curso.

Há controvérsias no entanto, sobre a ameaça apresentada pelo Cumbre Vieja.[12] Indicações atuais são de que os deslizamentos recentes podem ter sido graduais e, portanto, não podem gerar tsunamis, a menos que aumentem em magnitude. Estudos de possíveis “megatsunamis” locais nas ilhas havaianas, estabeleceram diferenças entre os períodos da onda tsunami causada por deslizamentos de terra e pelas causadas por terremotos em zona de subducção, argumentando que um colapso similar no Havaí não comprometeria as costas da Ásia ou da América do Norte.[13]

170px Cumbre Vieja Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Localização do vulcão de Cumbre Vieja em La Palma

Pesquisas de sonar em torno de muitas ilhas oceânicas vulcânicas, incluindo as Ilhas Canárias,[14] HavaíIlha da Reunião, entre outras, têm mapeados os fluxos de detritos no fundo do mar. Muitos destes fluxos de detritos de cerca de 100 km de comprimento e de até 2 km de espessura, e contém mega-blocos misturados com detritos mais finos.

Moore (1964)[15] foi o primeiro geólogo a interpretar tais características descritas em uma carta batimétrica para a Marinha dos Estados Unidos. O gráfico mostrou duas características que parecem se originar nas ilhas havaianas de Oahu e Molokai.

Na história, a erupção do Krakatoa gerou um tsunami devastador, mas o dano foi local e não se propagou por longas distâncias. Isso pode ter sido devido à geografia das áreas confinantes da região.

Há cerca de 3615 anos o vulcão de Santorini explodiu com um VEI estimado em 6. Pesquisas sugerem que a erupção gerou um tsunami que inundou a ilha de Creta, possivelmente, provocando a queda da Civilização Minoica.

Em 9 de julho de 1958, um terremoto e deslizamentos em na Baía de Lituya, no Alasca, gerou um “megatsunami” com uma amplitude inicial (altura) de aproximadamente 524 m, que retirou as árvores e o solo à sua frente e inundou toda a baía, destruindo três barcos de pesca ancorados lá e matando duas pessoas (ver: Megatsunami da Baía de Lituya). Uma vez que a onda atingiu o mar aberto, no entanto, rapidamente se dissipou.

Eventos de colapso lateral em estratovulcões, semelhante à atual ameaça representada pelo flanco ocidental do Cumbre Vieja, poderiam aumentar devido aos efeitos físicos do aquecimento global sobre a Terra, enquanto o tamanho ema frequência das erupções também tendem a aumentar.[16][17]

Referências

  1.  “La Palma: Eruptive History”Global Volcanism ProgramSmithsonian Institution.
  2.  “La Palma: Synonyms and Subfeatures”Global Volcanism ProgramSmithsonian Institution.
  3.  «Vulcão de Cumbre Vieja em La Palma, nas Ilhas Canárias, entra em erupção»UOL. 19 de setembro de 2021. Consultado em 19 de setembro de 2021
  4.  «Vulcão de La Palma já destruiu casas. Oito portugueses identificados»www.dn.pt. Consultado em 20 de setembro de 2021
  5.  BBC 2 TV. 2000. Transcript “Mega-tsunami; Wave of Destruction”. Horizon. First screened 21.30 hrs, Thursday, 12th October, 2000.
  6. ↑ Ir para:a b c Day, S. J; Carracedo, J. C; Guillou, H. & Gravestock, P; 1999. Recent structural evolution of the Cumbre Vieja volcano, La Palma, Canary Islands: volcanic rift zone re-configuration as a precursor to flank instability. J. Volcanol. Geotherm Res. 94, 135-167.,
  7. ↑ Ir para:a b c Ward, S. N. & Day, S. J; 2001. Cumbre Vieja Volcano; potential collapse and tsunami at La Palma, Canary Islands. Geophys. Res. Lett. 28-17, 3397-3400. http://www.es.ucsc.edu/~ward/papers/La_Palma_grl.pdf
  8.  Carracedo, J.C. 1994. The Canary Islands: an example of structural control on the growth of large oceanic-island volcanoes. J. Volcanol. Geotherm Res. 60, 225-241.
  9.  Carracedo, J.C. 1996. A simple model for the genesis of large gravitational landslide hazards in the Canary Islands. In McGuire, W: Jones, & Neuberg, J. P. (eds). Volcano Instability on the Earth and Other Planets. Geological Society, London. Special Publication, 110, 125-135.
  10.  Carracedo, J. C; 1999. Growth, Structure, Instability and Collapse of Canarian Volcanoes and Comparisons with Hawaiian Volcanoes. J. Vol. Geotherm. Res. 94, 1-19.
  11.  Siebert, L; 1984. Large volcanic debris avalanches: characteristics of source areas, deposits and associated eruptions. J. Volcanol. Geotherm Res. 22, 163-197.
  12.  Pararas-Carayannis, G; 2002. Evaluation of the Threat of Mega Tsumami Generation from Postulated Massive Slope Failure of Island Stratovolcanoes on La Palma, Canary Islands, and on The Island of Hawaii, George , Science of Tsunami Hazards, Vol 20, No.5, pp 251-277.
  13.  Kohala
  14.  Rihm, R; Krastel, S., CD109 Shipboard Scientific Party. 1998. Volcanoes and landslides in the Canaries. National Environment Research Council News. Summer, 16-17.
  15.  Moore, J. G. 1964. Giant Submarine Landslides on the Hawaiian Ridge. US Geologic Survey Professional Paper 501-D, D95-D98.
  16.  «How will melting of ice affect volcanic hazards in the twenty-first century?». doi:10.1098/rsta.2010.0063
  17.  «Climate forcing of volcano lateral collapse: evidence from Mount Etna, Sicily». doi:10.1098/rsta.2010.0054

Vulcão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Vulcano.

Vulcão é uma estrutura geológica criada quando o magmagases e partículas quentes (como cinza vulcânica) “escapam” para a superfície.[1] Eles ejetam altas quantidades de poeiragases e aerossóis na atmosfera, interferindo no clima. São frequentemente considerados causadores de poluição natural. Tipicamente, os vulcões apresentam formato cónico e montanhoso.

A erupção de um vulcão pode resultar num grave desastre natural, por vezes de consequências planetárias. Tal como outros eventos naturais, as erupções são quase que imprevisíveis e causam danos indiscriminados. Entre outros, tendem a desvalorizar os imóveis localizados em suas vizinhanças, prejudicam o turismo, interrompem o tráfego aéreo e consomem a renda pública e privada em reconstruções. Na Terra, os vulcões tendem formar-se junto das margens das placas tectónicas. Existem exce(p)ções quando os vulcões ocorrem em zonas chamadas de hot spots (pontos quentes), que são locais aonde o manto superior atinge altas temperaturas. Os solos nos arredores de vulcões formados de lava arrefecida, tendem a ser bastante férteis para a agricultura.

A palavra “vulcão” deriva do nome do deus do fogo na mitologia romana Vulcano. A ciência que estuda os vulcões é chamada de vulcanologia, e o profissional que atua na área vulcanólogo,[2] que deve ter conhecimento em geofísica, a outros ramos da geologia tais como a petrologia e a geoquímica.

Tipos de vulcão

220px Mauna Kea from Mauna Loa Observatory%2C Hawaii 20100913 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Mauna Kea, um exemplo de vulcão-escudo

220px Mt erebus Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Monte Érebo, um exemplo de estratovulcão.[3]

220px Mt.Mayon tam3rd Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Vulcão Mayon, exemplo de um estratovulcão

Uma das formas de classificação dos vulcões é através do tipo de material que é expelido, o que afeta diretamente a forma do vulcão. Se o magma expelido contém uma elevada percentagem em sílica (superior a 65%) a lava é chamada de félsica ou “ácida” e tem a tendência de ser muito viscosa (pouco fluída) e por isso solidifica rapidamente. Os vulcões com este tipo de lava têm tendência a explodir devido ao fato da lava facilmente obstruir a chaminé vulcânica.[4] O Monte Pelée na Martinica é um exemplo de um vulcão deste tipo.

Quando o magma é relativamente pobre em sílica (conteúdo inferior a 52%) é chamado de máfico ou “básico” e causa erupções de lavas muito fluidas capazes de escorrer por longas distâncias. Um bom exemplo de uma escoada de lava máfica é corrente de lava conhecida como Grande Þjórsárhraun (Thjórsárhraun) originada por uma fissura eruptiva quase no centro geográfico da Islândia há cerca de 8 000 anos. Esta escoada percorreu cerca de 130 quilómetros até ao mar e cobriu uma área com 800 km².

Vulcão-escudo

Havaí e a Islândia são exemplos de locais onde são encontrados vulcões que expelem enormes quantidades de lava que gradualmente constroem uma montanha larga com o perfil de um escudo. As escoadas lávicas destes vulcões são geralmente muito quentes e fluídas, o que contribui para ocorrerem escoadas longas.[5][6] O maior vulcão deste tipo na Terra é o Mauna Loa, no Havaí, com 9 000 m de altura (assenta no fundo do mar) e 120 km de diâmetro. O Monte Olimpo em Marte é um vulcão-escudo e também a maior montanha do sistema solar.

Cones de escórias

É o tipo mais simples e mais comum de vulcões. Esses vulcões são relativamente pequenos, com alturas geralmente menores que 300 metros de altura. Formam-se pela erupção de magmas de baixa viscosidade, com composições basálticas ou intermediárias.[6]

Estratovulcões

Os “estratovulcões” também são chamados de “compostos”, são grandes edifícios vulcânicos com longa atividade, forma geral cônica, normalmente com uma pequena cratera no cume e flancos íngremes, construídos pela intercalação de fluxos de lava e produtos piroclásticos, emitidos por uma ou mais condutas, e que podem ser pontuados ao longo do tempo por episódios de colapsos parciais do cone, reconstrução e mudanças da localização das condutas.[6][7] Alguns dos exemplos de vulcões deste tipo são o Teide na Espanha, o Monte Fuji no Japão, o Cotopaxi no Equador, o Vulcão Mayon nas Filipinas e o Monte Rainier nos Estados Unidos.

Caldeiras ressurgentes

São as maiores estruturas vulcânicas da Terra, possuindo diâmetros que variam entre 15 e 100 km². À parte de seu grande tamanho, caldeiras ressurgentes são amplas depressões topográficas com uma massa elevada central.[8] Exemplos dessas estruturas são a Valles e Yellowstone nos Estados Unidos e Cerro Galan na Argentina. Um grande maciço ígneo a leste da ilha de Luzon, localizado no fundo do mar das Filipinas, representa os restos da maior caldeira conhecida da terra, chamada caldeira Apolaki. A caldeira tem um diâmetro de aproximadamente 150 km, duas vezes o tamanho da caldeira de Yellowstone, no Wyoming.[9]

Vulcões submarinos

São aqueles localizados abaixo da água. São bastante comuns em certos fundos oceânicos, principalmente na dorsal meso-atlântica. São responsáveis pela formação de novo fundo oceânico em diversas zonas do globo.[10] Um exemplo deste tipo de vulcão é o vulcão da Serreta no Arquipélago dos Açores.

Vulcanologia

Volcano scheme.svg

Secção transversal através de um estratovulcão (escala vertical é exagerada):
1. Câmara magmática
2. Rocha
3. Chaminé
4. Base
5. Depósito de lava
6. Fissura
7. Camadas de cinzas emitidas pelo vulcão
8. Cone
9. Camadas de lava emitidas pelo vulcão
10. Garganta
11. Cone parasita
12. Fluxo de lava
13. Ventilação
14. Cratera
15. Nuvem de cinza

Génese dos vulcões

Os movimentos e a dinâmica do magma, tal como a maior parte do interior da Terra, ainda são pouco conhecidos. No entanto é sabido que uma erupção é precedida de movimentos de magma do interior da Terra até à camada externa sólida (crosta terrestre) ocupando uma câmara magmática debaixo de um vulcão. Eventualmente o magma armazenado na câmara magmática é forçado a subir e é extruído e escorre pela superfície do planeta como lava, ou o magma pode aquecer água nas zonas próximas causando descargas explosivas de vapor, pode acontecer também que os gases que se libertam do magma projetem rochaspiroclastosobsidianas e/ou cinzas vulcânicas. Apesar de serem sempre forças muito poderosas, as erupções podem variar de efusivas a extremamente explosivas.[11]

A maioria dos vulcões terrestres tem origem nos limites destrutivos das placas tectónicas, onde a crosta oceânica é forçada a mergulhar por baixo da crosta continental, dado que esta é menos densa do que a oceânica. A fricção e o calor causados pelas placas em movimento leva ao afundamento da crosta oceânica, e devido à baixa densidade do magma resultante este sobe. À medida que o magma sobe através de zonas de fratura na crosta terrestre, pode eventualmente ser expelido em um ou mais vulcões.[12] Um exemplo deste tipo de vulcão é o Monte Santa Helena nos Estados Unidos, que se encontra na zona interior da margem entre a placa Juan de Fuca que é oceânica e a placa Norte-americana.

Ambientes tectónicos

Os vulcões encontram-se principalmente em três tipos principais de ambientes tectónicos:[13]

Limites construtivos das placas tectónicas

Este é o tipo mais comum de vulcões na Terra, mas são também os observados menos frequentemente dado que a sua atividade ocorre maioritariamente abaixo da superfície dos oceanos. Ao longo do sistema de riftes oceânicos ocorrem erupções espaçadas irregularmente. A grande maioria deste tipo de vulcões é apenas conhecida devido aos sismos associados às suas erupções, ou ocasionalmente, se navios que passam nos locais onde existem, registam elevadas temperaturas ou precipitados químicos na água do mar. Em alguns locais a atividade dos riftes oceânicos levou a que os vulcões atingissem a superfície oceânica: a Ilha de Santa Helena e a Ilha de Tristão da Cunha no Oceano Atlântico e as Galápagos no Oceano Pacífico, permitindo que estes vulcões sejam estudados em pormenor. A Islândia também se encontra num rifte, mas possui características diferentes das de um simples vulcão.

Os magmas expelidos neste tipo de vulcões são chamados de MORB (do inglês Mid-Ocean Ridge Basalt que significa: “basalto de rifte oceânico”) e são geralmente de natureza basáltica.[14]

Limites destrutivos das placas tectónicas

170px Destructive plate margin Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Diagrama de limite destrutivo causando sismos e uma erupção vulcânica

Estes são os tipos de vulcões mais visíveis e bem estudados. Formam-se acima das zonas de subducção onde as placas oceânicas mergulham debaixo das placas terrestres. Os seus magmas são tipicamente “calco-alcalinos” devido a serem originários das zonas pouco profundas das placas oceânicas e em contacto com sedimentos. A composição destes magmas é muito mais variada do que a dos magmas dos limites construtivos.

Hot spots (pontos quentes)

Os vulcões de hot spots são originalmente vulcões que não poderiam ser incluídos nas categorias acima referidas. Os hot spots referem-se a situação específica de uma pluma isolada de material quente do manto que intercepta a zona inferior da crosta terrestre (oceânica ou continental), conduzindo à formação de um centro vulcânico que não se encontra ligado a um limite de placa.[15] O exemplo clássico é a cadeia havaiana de vulcões e montes submarinos. O Yellowstone é também tido como outro exemplo, sendo a intercepção neste caso com uma placa continental.

Islândia e os Açores são por vezes citados como outros exemplos, mas bastante mais complexos devido à coincidência do rift médio Atlântico com um hot spot. Não há unanimidade acerca do conceito de hot spot, uma vez que os vulcanólogos não são consensuais sobre a origem das plumas “quentes do manto”, se as mesmas têm origem no manto superior ou no manto inferior. Estudos recentes levam a crer que vários subtipos de hot spots irão ser identificados.

Previsão de erupções

220px DenglerSW Stromboli 20040928 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Erupção do vulcão Stromboli, na costa da SicíliaItália

220px Pinatubo ash plume 910612 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Jatos de cinza vulcânica lançados a uma altura de 19 km durante a erupção explosiva do Pinatubo, em 1991, nas Filipinas

A ciência ainda não é capaz de prever com certeza absoluta quando um vulcão irá entrar em erupção, progressos têm sido feitos no cálculo das probabilidades de um evento ter lugar ou não num espaço de tempo relativamente curto.[16] Os seguintes fatores são analisados de forma a ser possível prever uma erupção:

Sismicidade

Microssismos e sismos de baixa magnitude ocorrem sempre que um vulcão “acorda” e a sua entrada em erupção se aproxima no tempo. Alguns vulcões possuem normalmente atividade sísmica de baixo nível, mas um aumento significativo desta mesma atividade poderá preceder uma erupção. Outro sinal importante é o tipo de sismos que ocorrem. A sismicidade vulcânica divide-se em três grandes tipos: tremores de curta duração, tremores de longa duração e tremores harmónicos:

  • Os tremores de curta duração são semelhantes aos sismos tectónicos. São resultantes da fraturação da rocha aquando de movimentos ascendentes do magma. Este tipo de sismicidade revela um aumento significativo da dimensão do corpo magmático próximo da superfície;
  • Os tremores de longa duração indicam um aumento da pressão de gás na estrutura do vulcão. Podem ser comparados ao ruído e vibração que por vezes ocorre na canalização em casas. Estas oscilações são o equivalente às vibrações acústicas que ocorrem no contexto de uma câmara magmática de um vulcão;
  • Os tremores harmónicos acontecem devido ao movimento de magma abaixo da superfície. A libertação contínua de energia deste tipo de sismicidade contrasta com a libertação contínua de energia que ocorre num sismo associado ao movimento de falhas tectónicas.

Os padrões de sismicidade são geralmente complexos e de difícil interpretação. No entanto, um aumento da atividade sísmica num aparelho vulcânico é preocupante, especialmente se sismos de longa duração se tornam muito frequentes e se tremores harmónicos ocorrem.

Emissões gasosas

À medida que o magma se aproxima da superfície a sua pressão diminui, e os gases que fazem parte da sua composição libertam-se gradualmente. Este processo pode ser comparado ao abrir de uma lata de um refrigerante com gás, quando o dióxido de carbono escapa. O dióxido de enxofre é um dos principais componente dos gases vulcânicos, e o seu aumento precede a chegada de magma próximo da superfície. Por exemplo, a 13 de maio de 1991, 500 toneladas de dióxido de enxofre foram libertadas no Monte Pinatubo nas Filipinas. As emissões de dióxido de enxofre chegaram num curto espaço de tempo às 5 000 toneladas. O Monte Pinatubo entrou em erupção a 12 de junho de 1991.

Deformação do terreno

A deformação do terreno na área do vulcão significa que o magma encontra-se acumulado próximo da superfície. Os cientistas monitorizam os vulcões activos e medem frequentemente a deformação do terreno que ocorre no vulcão, tomando especial cuidado com a deformação acompanhada de emissões de dióxido de enxofre e tremores harmónicos, sinais que tornam bastante provável um evento iminente.

Padrão de sons de baixa frequência

Pesquisadores dizem que repetidos padrões incomuns de sons de baixa frequência estão ligados à geometria única do interior de sua cratera. Identificando a distinta “voz” de vários vulcões pode ajudar os cientistas a prever melhor as mudanças dentro das crateras, incluindo aquelas que predizem uma erupção.[17]

Erupções

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Erupção vulcânica

220px Rinjani 1994 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

IndonésiaLombok: Erupção do Monte Rinjani registrada em 1994

220px Eyjafjallajokull volcano plume 2010 04 17 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Erupção do vulcão Eyjafjallajökull na Islândia em 2010, que causou atrasos de voos em várias partes da Europa

Todas estas atividades podem ser um perigo potencial para o ser humano. Além da atividade vulcânica muitas vezes ser acompanhada por sismoságuas termaisfumarolas e gêisers, entre outros fenómenos. As erupções vulcânicas são frequentemente precedidas por sismos de magnitude pouco elevada.

Atividade

220px Shiprock.snodgrass3 Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Shiprock, erosão remanescente da garganta de um vulcão extinto

Não existe um consenso entre os vulcanologistas para definir o que é um vulcão “ativo”. O tempo de vida de um vulcão pode ir de alguns meses até alguns milhões de anos. Por exemplo, em vários vulcões na Terra ocorreram várias erupções nos últimos milhares de anos mas atualmente não dão sinais de atividade.

Alguns cientistas consideram um vulcão ativo quando está em erupção ou mostra sinais de instabilidade, nomeadamente a ocorrência pouco usual de pequenos sismos ou novas emissões gasosas significativas.[19] Outros consideram um vulcão ativo aquele que teve erupções históricas. É de salientar que o tempo histórico varia de região para região. Enquanto que no Mediterrâneo este pode ir até 3 000 anos atrás, no Pacífico Noroeste dos Estados Unidos vai apenas até 300 anos atrás.

Vulcões dormentes são considerados aqueles que não se encontram atualmente em atividade (como foi definido acima) mas que poderão mostrar sinais de perturbação e entrar de novo em erupção.[19]

Os vulcões extintos são aqueles que os vulcanólogos consideram pouco provável que entrem em erupção de novo, mas não é fácil afirmar com certeza que um vulcão está realmente extinto.[19] As caldeiras têm tempo de vida que pode chegar aos milhões de anos, logo é difícil determinar se um irá voltar ou não a entrar em erupção, pois estas podem estar dormentes por vários milhares de anos.

Por exemplo a caldeira de Yellowstone, nos Estados Unidos, tem pelo menos 2 milhões de anos e não entrou em erupção nos últimos 640 000 anos, apesar de ter havido alguma atividade há cerca de 70 000 anos. Por esta razão os cientistas não consideram a caldeira de Yellowstone um vulcão extinto. Esta caldeira é considerada um vulcão bastante ativo devido à atividade sísmica, geotermia e à elevada velocidade do levantamento do solo na zona.[20]

Distribuição

Vulcões na Terra

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Lista de vulcões

É estimado que cerca de 10 000 vulcões entraram em atividade nos últimos 2 milhões de anos. Atualmente cerca de 500 podem ser considerados ativos, dos quais 20 deles são muito ativos. Na lista parcial abaixo estão alguns deles:[19]

800px Spreading ridges volcanoes map en.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias
Mapa mostrando as fronteiras entre as placas tectônicas e sub-recentes aéreas de vulcões

Sistema solar

Postscript-viewer-blue.svgVer também a categoria: Vulcanismo extraterrestre

170px Mars volcano eruptions could have brought Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Monte Olimpo em Marte, o maior vulcão do Sistema Solar, com altura estimada entre 22 e 29 quilômetros[21]

170px Tvashtarvideo Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Erupção do vulcão Tvashtar em Io, lua de Júpiter

Lua não possui grandes vulcões e não é geologicamente ativa, mas nela existem várias estruturas vulcânicas.[22]

O planeta Vénus é geologicamente ativo, sendo cerca de 90% da sua superfície constituída por basalto o que leva a crer que o vulcanismo desempenha um papel importante na modelagem da superfície volumosa do planeta. As escoadas lávicas estão bastante presentes e muitas das estruturas da superfície de Vénus são atribuídas a formas de vulcanismo que não se encontram na Terra. Outros fenómenos do planeta Vénus são atribuídos a erupções vulcânicas, tais como as mudanças na atmosfera do planeta e a observação de relâmpagos.

No planeta Marte existem vários vulcões extintos, sendo quatro dos quais grandes vulcões-escudo, largamente maiores do que qualquer um existente na Terra:[23]

Estes vulcões encontram-se extintos há vários milhões de anos, mas a sonda europeia Mars Express encontrou indícios de que poderiam ter ocorrido erupções vulcânicas num passado recente em Marte.

Uma das luas de JúpiterIo, é o corpo mais vulcânico de todo o sistema solar devido à interação de forças com Júpiter.[24] Esta lua está coberta de vulcões que expelem enxofredióxido de enxofre e rochas ricas em sílica, o que leva a que a sua superfície esteja constantemente a ser renovada. As suas lavas são as mais quentes que se conhecem no sistema solar, com temperaturas que podem ultrapassar os 1 500 °C. Em fevereiro de 2001 a maior erupção de que há registo no sistema solar ocorreu em Io.

Ver também

Referências

  1.  Claudio Terezo. «Por que um vulcão entra em erupção?». Notícias Terra. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  2.  Eduardo de Freitas. «Vulcanismo». Brasil Escola. Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  3.  «Cópia arquivada». Consultado em 17 de abril de 2014. Arquivado do original em 12 de março de 2012
  4.  Mariana Aprile. «Formação e as erupções mais destruidoras da história»Uol Educação. Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  5.  «Vulcão-escudo». Laifi. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  6. ↑ Ir para:a b c Tom Harris. «Como funcionam os vulcões». HowStuffWorks Brasil. Consultado em 12 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 6 de agosto de 2012
  7.  «Vulcões: Destruindo e Renovando a Terra. Tipos de Vulcões». Schlumberger Excellence in Educational Development. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  8.  «Caldeiras ressurgentes». laifi.com. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  9.  «Philippines has the earth’s largest known caldera»Tech Explorist (em inglês). 23 de outubro de 2019. Consultado em 23 de outubro de 2019
  10.  Giordano Cimadon (5 de maio de 2008). «Vulcões Submarinos». Sociedade Gnóstica Internacional. Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  11.  Federico Lynam/Reuters (4 de maio de 2008). «Entenda como funcionam os vulcões». Folha Online. Consultado em 13 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 7 de fevereiro de 2012
  12.  Tom Harris. «Como funcionam os vulcões». HowStuffWorks Brasil. Consultado em 13 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 10 de janeiro de 2013
  13.  Patrícia Santos, Pedro Santos, Nuno Silva e Tiago Sousa. «Placas Tectónicas». 4 Pilares. Consultado em 13 de fevereiro de 2012[ligação inativa]
  14.  «MORB (Middle Ocean Ridge Basalt)»Glossário Geológico. Instituto de Geociências da Universidade de Brasília. Consultado em 13 de fevereiro de 2012[ligação inativa]
  15.  J. Alveirinho Dias. «Pontos Quentes (Hotspots)». Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  16.  «Erupções de supervulcões podem ser previstas, diz estudo». EFE, Globo Comunicação. 2 de fevereiro de 2012. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  17.  Gramling, Carolyn (25 de junho de 2018). «This volcano revealed its unique ‘voice’ after an eruption»Science News (em inglês)
  18.  «Phreatic eruption» (em inglês). U.S. Department of the Interior, U.S. Geological Survey. Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  19. ↑ Ir para:a b c d Pércio de Moraes Branco (22 de setembro de 2009). «Os Vulcões». CPRM Serviço Geológico do Brasil. Consultado em 12 de fevereiro de 2012
  20.  Angela Joenck Pinto (5 de fevereiro de 2011). «Vulcões ainda são ameaça à vida na Terra». Terra Networks. Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  21.  «Um vulcão de proporções inimagináveis». NASA/JPL. Star News. Consultado em 12 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2012
  22.  Patricia Herman (28 de julho de 2011). «Vulcões raros são descobertos na lua». Consultado em 13 de fevereiro de 2012
  23.  «ESA divulga imagens de ‘casal’ de vulcões em Marte»Star News. Agência ESA. Consultado em 12 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2012
  24.  NASA. «Erupção vulcânica em Io». Star News. Consultado em 12 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2012

Bibliografia

  • Rosaly Lopes, Turismo de Aventura em Vulcões, 2008, Oficina de Textos.
  • Anita Ganeri, Saber Horrível, Vulcões Violentos, Melhoramentos.
  • Michael Carroll, Vulcões e Terremotos – Col. Natureza – ISBN 8573676906.
  • Cas, R.A.F. and J.V. Wright, 1987. Volcanic Successions. Unwin Hyman Inc. 528p. ISBN 0-04-552022-4
  • Macdonald, Gordon and Agatin T. Abbott. (1970). Volcanoes in the Sea. University of Hawaii Press, Honolulu. 441 p.
  • Marti, Joan and Ernst, Gerald. (2005). Volcanoes and the Environment. Cambridge University Press. ISBN 0-521-59254-2.
  • Ollier, Cliff. (1988). Volcanoes. Basil Blackwell, Oxford, UK, ISBN 0-631-15664-X (hardback), ISBN 0-631-15977-0 (paperback).
  • Sigurðsson, Haraldur, ed. (1999) Encyclopedia of Volcanoes. Academic Press. ISBN 0-12-643140-X.

 

Megatsunami

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

278px Megatsunami coast Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Concepção artística de um megatsunami.

Um megatsunami ou megamaremoto é um raro tsunami com mais de 100 metros (325 pés) de altura. Excetuando-se alguns grandes tsunamis no Alasca, incluindo um de 520 metros de altura, acredita-se que o último tsunami que atingiu uma área com população ocorreu há quatro mil anos. Geólogos dizem que tal evento é causado por gigantescos deslocamentos de terra, originados por uma ilha em colapso, por exemplo, em um vasto corpo d’água como um oceano ou um mar.

Megatsunamis podem atingir alturas de centenas de metros, viajar a 890 km/h ao longo do oceano, potencialmente alcançando 30 km ou mais terra adentro em regiões de baixa altitude. Em oceanos profundos, um megatsunami é quase invisível. Move-se em um deslocamento vertical de aproximadamente um metro, com um comprimento de ondas de centenas de quilômetros. Porém, a enorme quantidade de energia dentro deste movimento de gigantesca massa produz uma onda muito mais alta, à medida que a onda se aproxima de águas rasas

Terremotos geralmente não produzem tsunamis desta escala, a não ser que eles possam causar um grande deslocamento de terra debaixo d’ água, tipicamente tais tsunamis têm uma altura de dez metros ou menos. Deslocamentos de terras que são grandes comparadas à profundidade atingem a água tão rapidamente que a água que foi deslocada não pode se estabelecer antes que as rochas atinjam o fundo. Isto significa que as rochas deslocam a água em velocidade total em todo seu caminho ao fundo. Se o nível da água é profundo, o volume de água deslocado é grande e as partes baixas estão sob alta pressão. Isto resulta numa onda que contém grande quantidade de energia.

Algumas pessoas assumem que megatsunamis pré-históricos varreram antigas civilizações, como um castigo do(s) deus(es), comum em muitas culturas ao redor do mundo. Porém, isto é improvável, considerando que megatsunamis usualmente acontecem sem qualquer aviso, atigindo apenas áreas costeiras e não necessariamente ocorrendo após uma chuva.

Lista de megatsunamis

Pré-história

278px Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Imagens da Missão Shuttle Radar Topography STS-99 da NASA revelam parte do anel da Cratera de Chicxulub, com 180 km de diâmetro.[1]

  • O asteroide ligado à extinção de dinossauros, que criou a Cratera de Chicxulub, em Yucatán, aproximadamente 66 milhões de anos atrás, teria causado um megatsunami de mais de 100 metros. O auge do tsunami foi limitado devido ao mar relativamente superficial na área do impacto; no mar profundo teria 4,6 quilômetros de altura.[2]
  • Uma série de megatsunamis foi gerada pelo impacto de um meteoro que criou a cratera da Baía de ChesapeakeEstados Unidos, há cerca de 35,5 milhões de anos.[3]
  • Durante o período Messiniano, as costas do norte do Chile provavelmente foram atingidas por vários megatsunamis.[4]
  • Um megatsunami afetou a costa do centro-sul do Chile no Plioceno, como evidenciado pelo registro sedimentar da Formação Ranquil.[5]
  • impacto de Eltanin no sudeste do Oceano Pacífico há 2,5 milhões de anos causou um megatsunami com mais de 200 m de altitude no sul do Chile e na Península Antártica; a onda atravessou grande parte do Pacífico.
  • A metade norte do Vulcão Molokai do Leste, no Havaí, sofreu um colapso catastrófico e provavelmente causou megatsunami cerca de 1,5 milhão de anos atrás e agora está como um campo de detritos espalhados em todo o fundo do oceano,[6] enquanto que o que restou da ilha se tornaram os penhascos marinhos mais altos do mundo.[7]
  • A existência de grandes pedregulhos dispersos em apenas um dos quatro terraços marinhos da Baía de Herradura, ao sul da cidade chilena de Coquimbo, foi interpretada por Roland Paskoff como resultado de um megasunami que ocorreu no Pleistoceno.[8]
  • Acredita-se que um colapso maciço da borda ocidental da bacia do Lago Tahoe, que formou a Baía de McKinney há cerca de 50 mil anos, gerou uma onda de tsunami com uma altura aproximada de 100 metros.[9]
  • No Mar do Norte, os Deslizamentos de Storegga causaram um megatsunami há aproximadamente 8 200 anos.[10] Estima-se que ele inundou completamente o restante de Doggerland.[11]
  • Aproximadamente 8 mil anos atrás, um enorme deslizamento vulcânico do Monte Etna, na Sicília, causou um megatsunami que devastou o litoral doMediterrâneo Oriental em três continentes. As alturas de ondas na costa da Calábria são estimadas em um máximo de 40 m.[12]
  • O último evento conhecido desta magnitude aconteceu há 4 mil anos na Ilha de Reunião, leste de Madagascar.[13]

História

ca 1600 a.C.: Santorini

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Erupção minoica

Há cerca de 3 600 anos, o vulcão Thera entrou em erupção, cuja força causou megatsunamis que afetaram todo o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental.

1883: Krakatoa, Indonésia

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Erupção do Krakatoa em 1883

A erupção do Krakatoa, na Indonésia, criou fluxos piroclásticos que geraram megatsunamis quando atingiram as águas do Estreito de Sunda em 27 de agosto de 1883. As ondas atingiram alturas de até 24 metros ao longo da costa sul de Sumatra e até 42 metros ao longo da costa oeste de Java.[14]

1958: Baía de Lituya, Alasca, Estados Unidos

286px Lituya Bay overview Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das Canárias

Os danos causados pelo megatsunami da Baía de Lituya em 1958 podem ser vistos nesta fotografia aérea oblíqua da Baía de Lituya, no Alasca, com as áreas mais claras na costa onde as árvores foram arrancadas.

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Megatsunami da Baía de Lituya

Um megatsunami de menor magnitude aconteceu na Baía de Lituya, no Alasca, em 1958, entre 7.7 e 8.3.[15] Tal baía possui uma profundidade de 220 metros tendo apenas 10 metros de profundidade em sua entrada. A topologia da baía é adequada para a produção de um megatsunami local. Um terremoto de magnitude 7.5 em 8 de julho gerou um deslocamento de terra dentro da baía, que produziu uma onda que varreu árvores 200 metros acima do nível normal do mar. Comparações com fotografias anteriores ao acontecimento indicaram que várias centenas de pés de gelo foram removidos da frente de uma geleira próxima, por uma onda de aproximadamente 520 metros de altura.[16]

1963: Barragem de Vajont, Itália

17px Magnifying glass 01.svg Vulcão Cumbre Vieja entra em Erupção no Arquipélago das CanáriasVer artigo principal: Barragem de Vajont

Em 9 de outubro de 1963, um deslizamento de terra acima da Barragem de Vajont na Itália produziu uma onda de 250 m que superou a barragem e destruiu as aldeias de Longarone, Pirago, Rivalta, Villanova e Faè, matando quase 2 000 pessoas.[17]

Ameaças

Ilhas vulcânicas como as de Reunião e as Ilhas do Havaí podem causar megatsunamis porque elas não são mais do que grandes e instáveis blocos de material mal agrupado por sucessivas erupções. Evidência de grandes deslocamentos de terra foram encontradas na forma de grande quantidade de restos subaquáticos, material terrestre que caiu oceano adentro. Em anos recentes, cinco de tais restos foram encontrados somente nas ilhas havaianas.

Alguns geólogos acreditam que o maior candidato a causar o próximo megatsunami é a ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias. Em 1949, uma erupção provocou a queda do cume do vulcão Cumbre Vieja a vários metros adentro do Oceano Atlântico. Acredita-se que a causa foi a pressão do magma em aquecimento e o vapor d’água preso dentro da estrutura da ilha, causando um grande deslocamento de terra. Caso ocorra uma nova erupção nos próximos milênios, como estima-se, um novo fluxo de terra poderá acontecer, fazendo a metade ocidental da ilha ruir. Como consequência, haveria um impacto catastrófico de cerca de 500 bilhões de toneladas no oceano e a formação de um megatsunami. Regiões próximas ao clímax sofreriam uma verdadeira calamidade, sendo completamente destruídas por ondas de até 100 metros de altura. Por volta de 10 horas após o evento, ondas de 10 a 25 metros atingiriam as ilhas do Caribe, a costa leste dos Estados Unidos e regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil gerando crise humanitária severa e prejuízos de bilhões de dólares às diversas economias. Apesar de remotas as chances de um acontecimento como esse vir a ocorrer, países como Estados Unidos e Brasil já traçam planos de contingência e evacuação, a fim de amenizar as perdas.[18]

Além de pequenas vilas no Alasca, muitos lugares enfrentam a ameaça de megatsunamis regionais, mas ainda assim potencialmente perigosos. Por exemplo, em 1963, uma parte enorme do Monte Toc, nas montanhas ao norte de VenezaItália, deslocou-se dentro de um reservatório (a represa de Vajont), produzindo ondas de 250 metros de altura, destruindo várias vilas e matando cerca de 2 mil pessoas. Alguns geólogos acreditam que uma grande rocha, instável, ao norte do Lago Harrison no Vale Fraser, no sul da Colúmbia Britânica, poderia deslocar-se dentro do lago, criando uma grande onda que possivelmente destruiria a cidade de Harrison Hot Springs, ao sul do lago.

Impacto cultural

Filmes

Megatsunamis são um tema principal de muitos filmes, dado o seu impacto visual. Tais megatsunamis são muitas vezes causados por impactos de um corpo extraterrestre, em vez de um deslocamento de terra. Exemplo disso é o filme Impacto Profundo (Deep Impact). No filme 2012, também ocorrem vários megatsunamis pelo mundo quando mudanças geológicas começam a aparecer.

Ver também

Referências

  1.  «PIA03379: Shaded Relief with Height as Color, Yucatan Peninsula, Mexico»Shuttle Radar Topography MissionNASA. Consultado em 28 de outubro de 2010
  2.  Bryant, Edward (Junho de 2014). Tsunami: The Underrated Hazard. [S.l.]: Springer. p. 178. ISBN 9783319061337
  3.  Poag, C. W. (1997). «The Chesapeake Bay bolide impact: A convulsive event in Atlantic Coastal Plain evolution». Sedimentary Geology (journal)108 (1–4): 45–90. Bibcode:1997SedG..108…45Pdoi:10.1016/S0037-0738(96)00048-6
  4.  Le Roux, Jacobus P. (2015). «A critical examination of evidence used to re-interpret the Hornitos mega-breccia as a mass-flow deposit caused by cliff failure»Andean Geology41 (1): 139–145
  5.  Le Roux, J.P.; Nielsen, Sven N.; Kemnitz, Helga; Henriquez, Álvaro (2008). «A Pliocene mega-tsunami deposit and associated features in the Ranquil Formation, southern Chile» (PDF). Sedimentary Geology (journal)203 (1): 164–180. Bibcode:2008SedG..203..164Ldoi:10.1016/j.sedgeo.2007.12.002. Consultado em 11 de abril de 2016
  6.  «Hawaiian landslides have been catastrophic»mbari.orgMonterey Bay Aquarium Research Institute
  7.  Culliney, John L. (2006) Islands in a Far Sea: The Fate of Nature in Hawaii. Honolulu: University of Hawaii Press. p. 17.
  8.  Paskoff, Roland (1991). «Likely occurrence of mega-tsunami in the Middle Pleistocene near Coquimbo, Chile»Andean Geology18 (1): 87–91. Consultado em 17 de julho de 2016
  9.  Gardner, J.V. (Julho de 2000). «The Lake Tahoe debris avalanche». 15th Annual Geological Conference. Geological Society of Australia
  10.  Bondevik, S.; Lovholt, F.; Harbitz, C.; Mangerud, J.; Dawsond, A.; Svendsen, J. I. (2005). «The Storegga Slide tsunami—comparing field observations with numerical simulations». Marine and Petroleum Geology22 (1–2): 195–208. doi:10.1016/j.marpetgeo.2004.10.003
  11.  Rincon, Paul (1 de maio de 2014). «Prehistoric North Sea ‘Atlantis’ hit by 5m tsunami». Consultado em 22 de fevereiro de 2017 – via www.bbc.com
  12.  Pareschi, M. T.; Boschi, E.; Favalli, M. (2006). «Lost tsunami». Geophysical Research Letters33 (22): L22608. Bibcode:2006GeoRL..3322608Pdoi:10.1029/2006GL027790
  13.  «Mega-tsunami: Wave of Destruction»BBC Two. 12 de outubro de 2000
  14.  Bryant, Edward, Tsunami: The Underrated Hazard, Springer: New York, 2014ISBN 978-3-319-06132-0, pp. 162–163.
  15.  «Juneau, Alaska profile». City-Data.com
  16.  Miller, D. J., 1960, Giant Waves in Lituya Bay, Alaska, Arquivado em23 de novembro de 2004, no Wayback Machine. Professional Paper no. 345-C. United States Geological Survey, Reston, Virginia.
  17.  «Archived copy». Consultado em 29 de julho de 2009. Arquivado do original em 29 de julho de 2009 Vaiont Dam photos and virtual field trip (University of Wisconsin), retrieved 2009-07-01
  18.  Manuel Ricardo Ferreira e Sofica Jesus (31 de dezembro de 2004). Diário de Notícias, ed. «Onda gigante pode atingir Portugal». Consultado em 20 de fevereiro de 2018

Bibliografia

  • Ward, S.N. and Day, S. 2001. Cumbre Vieja Volcano – Potential collapse and tsunami at La Palma, Canary Islands. Geophysical Research Letters, 28, 17 pp. 3397-3400.

https://lookedtwonoticia.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2021-09-15-2.png

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