Nossa Senhora de Fátima

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Nossa Senhora de Fátima

Introdução

INÍCIO DAS APARIÇÕES

Em 1917, Nossa Senhora de Fátima profetizou aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, que, se a humanidade não desse ouvidos aos apelos que Ela vinha fazer, começaria uma segunda guerra mundial pior que a primeira e que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo.

O que de fato aconteceu: a segunda guerra ocorreu de 1939 a 1945 e a revolução comunista na Rússia eclodiu um mês depois da sexta aparição.

Nossa Senhora vinha pedir a conversão pois, do contrário, duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja e a mão de Deus puniria a terra por sua infidelidade.

Qual caminho a humanidade seguiu? Todos nós sabemos.

Entretanto, por cima destas previsões mais catastróficas, Nossa Senhora anunciou um sol de esperança:

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.”

Nossa Senhora de Fátima

As profecias de Fátima são, antes de tudo, palavras de confiança e de certeza da vitória. Não é o anúncio do fim, mas a aurora de uma nova era histórica.

Esta era histórica virá como uma grande misericórdia. O triunfo d’Ela é o triunfo de Cristo. É o Reino de Maria no Reino de Cristo!

Aparições de Fátima

APARIÇÕES DO ANJO DE PORTUGAL

Assim como o nascimento de Jesus foi anunciado pelo Arcanjo São Gabriel, também as aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos foram preparadas por meio de três aparições do Anjo de Portugal, depois das quais passaram a ter uma vida de oração e sacrifício muito mais intensa, tudo oferecido em reparação pelos pecados cometidos contra Deus e pela conversão dos pecadores.

Assim como o nascimento de Jesus foi anunciado pelo Arcanjo São Gabriel, também as aparições de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos foram preparadas por meio de três aparições do Anjo de Portugal, depois das quais passaram a ter uma vida de oração e sacrifício muito mais intensa, tudo oferecido em reparação pelos pecados cometidos contra Deus e pela conversão dos pecadores.

A primeira das aparições deu-se numa colina próxima da Cova da Iria, denominada Cabeço.

No verão de 1916, quando os três pastorinhos brincavam no terreiro da casa dos pais de Lúcia, junto a um poço ali existente, aparece-lhes novamente o Anjo, como o narra a Ir. Lúcia.

As crianças passam a ter presente em sua alma a necessidade de reparar os pecados dos homens, como conta Walsh a respeito de Francisco.

No fim do verão ou princípio do outono de 1916, mais uma vez na Loca do Cabeço, deu-se a última aparição do celeste mensageiro. Havendo as crianças terminado de merendar, em vez de começarem a brincar, foram rezar numa gruta próxima. Estavam eles de joelhos e inclinados, rezando a oração ensinada pelo Anjo, quando ele tornou a se fazer ver, como nos conta a Ir. Lúcia.

As palavras do Anjo produziram profunda impressão nas três crianças, as quais, a partir de então, começaram a sofrer e rezar fervorosamente pelos pecadores.

Estavam assim já preparados para o encontro com a Rainha dos Anjos!

13 de Maio de 1917

PRIMEIRA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Por ocasião da segunda aparição, Nossa Senhora revela que levaria em breve Jacinta e Francisco, mas Lúcia ficaria por mais algum tempo, sendo instrumento para tornar Nossa Senhora mais conhecida e amada. Revelou também o desejo de seu Divino Filho de se estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração d’Ela.

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Os três pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta

13 de Junho de 1917

SEGUNDA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Por ocasião da segunda aparição, Nossa Senhora revela que levaria em breve Jacinta e Francisco, mas Lúcia ficaria por mais algum tempo, sendo instrumento para tornar Nossa Senhora mais conhecida e amada. Revelou também o desejo de seu Divino Filho de se estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração d’Dela.

No dia 13 de junho, muitos devotos e curiosos compareceram ao local da aparição.

Era por volta de cinquenta o número de pessoas.
Depois de rezarem o Terço, uma moça pediu que se recitasse também a Ladainha da Santíssima Virgem. Lúcia, entretanto, disse que não daria mais tempo. A luz, que elas
chamavam de relâmpago, começava a aparecer.

As crianças se ajoelharam perto da azinheira e ali pousou Nossa Senhora, como no mês anterior.

Ir. Lúcia assim transcreve o diálogo:
“— Vossemecê que me quer? – perguntei.
“— Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

“Pedi a cura dum doente.
“— Se se converter, curar-se-á durante o ano.
“— Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.
“— Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo.

Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o seu trono.

“— Fico cá sozinha? – perguntei, com pena.
“— Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.
“Foi no momento em que disse estas últimas palavras, que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.[9]

A Senhora, então, começou a Se elevar acima do arbusto e, subindo suavemente pela luminosa estrada que seu incomparável brilho parecia abrir no firmamento, até desaparecer.

Lúcia gritou aos circunstantes:
— Se A querem ver, olhem… vai além…
Desaparecida por completo a visão, Lúcia exclamou:
— Pronto! Agora não se vê mais, já entrou no Céu e se fecharam as portas.

O público ali presente, embora não tivesse visto Nossa Senhora, compreendeu que acabava de se passar algo de extraordinário e sobrenatural. Várias pessoas começaram a tirar raminhos e folhinhas da copa da azinheira, mas logo foram advertidos por Lúcia que colhessem apenas os de baixo.

No caminho de volta para casa, todos iam rezando o Terço em louvor à augusta Senhora que Se dignara descer do Céu até aquele perdido recanto de Portugal.

13 de Julho de 1917

TERCEIRA APARIÇÃO: “ISTO NÃO O DIGAIS A NINGUÉM”

Foi na terceira aparição que Nossa Senhora revelou-lhes o famoso “Segredo”, nas suas 3 partes, ordenando que não contassem a ninguém. Anunciou também que no mês de outubro faria um milagre por onde todos acreditariam nas aparições.

No dia anterior em que se daria a terceira aparição de Nossa Senhora de Fátima, Lúcia estava resolvida a não comparecer à Cova da Iria, por estar passando por uma dura prova. A
mãe não lhe dava crédito e a acusava de mentirosa. Ademais, o pároco do local, depois de a ter interrogado meticulosamente, pronunciou-se da seguinte forma: “Não
me parece uma revelação do Céu. Quando se dão estas coisas, por ordinário, Nosso Senhor manda essas almas, a quem Se comunica, dar conta do que se passa a seus confessores ou párocos, e esta, ao contrário, retrai-se quanto pode. Isto também pode ser um engano do demônio. Vamos ver. O futuro nos dirá o que havemos de pensar”.

A tal ponto esta dúvida foi tomando o seu subconsciente que, certa noite, acordou gritando. Depois, contou o que havia sonhado:
“Vi o demônio que, rindo-se de me ter enganado, fazia esforços por me arrastar para o inferno. Ao ver-me nas suas garras, comecei a gritar de tal forma, chamando Nossa Senhora, que acordei minha mãe, a qual me chamou, aflita, perguntando-me o que eu tinha”.

No dia 12 pela tarde, Jacinta e Francisco, tentaram convencer Lúcia de todos os modos, mostrando-lhe ser impossível que a Senhora tivesse qualquer relação com o
inferno, muito pelo contrário! Lúcia, todavia, permanecia firme em sua resolução. A Jacinta, que lhe insistia com lágrimas nos olhos para acompanhá-los até a Cova da
Iria, Lucia disse: “Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-Lhe que não vou, porque tenho medo que seja o demônio”.

No dia seguinte, ao aproximar-se a hora em que deviam partir, Lucia sentiu-se impulsionada por uma estranha força, que não era fácil resistir. Foi se encontrar com os primos e os encontrou no quarto, de joelhos, chorando e rezando, como ela mesma conta:

“— Então vocês não vão? – lhes perguntei.
“— Sem ti não nos atrevemos a ir. Anda, vem.
“— Já cá vou – lhes respondi.
“Então, com um semblante já alegre, partiram comigo”.

E as três crianças se puseram a caminho. Ao chegarem no local das aparições, surpreenderam-se com a multidão que ali se encontrava: eram entre duas ou três mil pessoas.

A Ir. Lúcia narra o que sucedeu:
“Vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
“— Vossemecê que me quer? – perguntei.
“— Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o
fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.
“— Queria pedir-Lhe para nos dizer quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.
“— Continuem a vir aqui todos os meses. Em outubro direi quem sou, o que quero e farei um milagre que todos hão de ver, para acreditar”.
E foi então que Nossa Senhora lhes revelou o Segredo, o coração da Mensagem de Fátima, ordenando-lhes ao final: “Isto não o digais a ninguém”…

19 de Agosto de 1917

QUARTA APARIÇÃO: A PROVAÇÃO DOS PASTORINHOS

A quarta aparição foi assinalada por inúmeros acontecimentos que marcaram profundamente a vida das crianças: Seus pais foram intimados pelas autoridades locais, o padre local não lhes dava crédito, foram elas submetidas a exaustivos interrogatórios, sequestradas, ameaçadas de morte e até mesmo ficaram presas em uma cadeia pública junto com outros detentos!

No dia marcado para a aparição não puderam comparecer, mas nem por isso Nossa Senhora de Fátima deixou de visitá-los dias depois em outro local, onde pede novamente que rezem muito pelos pecadores, porque “vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Aproximava-se o dia 13 de agosto, data prevista para a quarta aparição da Mensageira Celestial. A situação das crianças, porém, não era nada fácil. Elas estavam no meio de um fogo cruzado, pois, de um lado, havia autoridades civis e políticas abertamente contrárias à Religião e, de outro, a prudência da Igreja que não se pronunciava favoravelmente com relação às aparições.

Eram os anos posteriores à queda do regime monárquico em Portugal, fato ocorrido em 1910, e a Igreja Católica vivia dias difíceis. O administrador do concelho de Vila Nova de Ourém, Artur de Oliveira Santos, era anticatólico. Como Fátima pertencia justo ao concelho de Vila Nova de Ourém,  o administrador mandou intimar os pais dos pastorinhos, com seus filhos, para o sábado, dia 11 de agosto, ao meio-dia.

Na realidade, os pais de Lúcia não acreditavam nas aparições e esperavam que o medo vencesse a filha, para que pudessem voltar à tranquilidade de seus afazeres.

Lúcia e o pai foram inquiridos a respeito do Segredo e ela resistiu, mesmo tendo sido ameaçada de morte. O Sr. Marto foi sozinho e não levou Jacinta nem Francisco, pois ele e Da. Olímpia, sua esposa, pensavam diferente dos pais de Lúcia. O administrador foi duro com o Sr. Marto, porque ele não levou os filhos, e resolveu ir até sua casa, desta vez acompanhado de um sacerdote.

O sequestro dos pastorinhos

Estando o administrador em casa dos pastorinhos, acompanhado do pároco local, quis interrogar Francisco e Jacinta. Como não conseguiu nenhum resultado, resolveu se utilizar de uma artimanha, levando os videntes até a casa do pároco, para serem novamente examinados por ele e pelo próprio sacerdote.

O pároco, querendo “lavar as mãos” e ficar bem com a autoridade civil, interrogou Lúcia primeiro, dizendo-lhe que estavam mentindo, enganando muita gente com a história das aparições, concluindo que todo aquele que diz mentiras vai para o inferno… A menina, inspirada pelo Espírito Santo, respondeu com firmeza: “Se quem mente vai para o inferno, eu não vou para o inferno. Porque eu não minto e digo somente o que vi e o que a Senhora me disse. Quanto ao povo que vai lá, vai porque quer. Nós não chamamos ninguém”.

Tendo sido frustrada a tentativa, o administrador resolveu usar de outra tática. Enganou os pastorinhos, os convidando a irem em seu carro até o local das aparições, mas na verdade os sequestrou, indo para Ourém a toda a velocidade. Lá, os deixou em casa com sua esposa. Cumulou os pequenos de saborosas comidas, fazendo-os brincar com os próprios filhos. Esperava, com isso, amolecer as crianças com todas aquelas manifestações de falsa amabilidade.

Deste modo, os pastorinhos passaram o dia da aparição distantes da Cova da Iria. Na ocasião, Francisco soube exprimir bem a dúvida que brotava no coração dos três pastorinhos: “Nossa Senhora é capaz de ter ficado triste, por a gente não ir à Cova de Iria, e não volte mais a aparecer-nos. E eu gostava tanto de A ver!”

E, com uma inocência de comover qualquer coração, concluía: “Decerto não nos apareceu no dia 13 para não ir à casa do senhor administrador, talvez por ele ser tão mau”.

Enquanto isso, na Cova da Iria…

Já na Cova da Iria, uma multidão calculada entre cinco a seis mil pessoas, esperava os pequenos videntes na hora em que Nossa Senhora de Fátima costumava aparecer.

Desde as onze horas o povo rezava e cantava. No entanto, onde estavam as crianças? Por volta do meio-dia, enquanto rezavam o Terço, chegou alguém de Fátima com a notícia do rapto dos pastorinhos, despertando forte indignação entre todos.

Neste momento, repentinamente ouviu-se um leve murmúrio, seguido de um estrondo de trovão e um relâmpago, como das outras vezes. Viram, então, uma nuvenzinha branca, transparente e leve, pousar suavemente sobre a carrasqueira por uns instantes. Pouco depois, elevou-se e se dissipou no azul do céu. Tudo indica que Nossa Senhora de Fátima veio e, não encontrando os pequenos, Se retirou, manifestando-Se por meio destes sinais para que a multidão se desse conta de sua presença.

A prisão das crianças

Havendo passado a noite na casa do administrador, na manhã seguinte os guardas levaram os pequenos para exaustivos interrogatórios na sede da administração. Queriam a todo custo descobrir o Segredo, mas as crianças ficaram firmes e tudo foi em vão. Até mesmo ouro lhes ofereceram; todavia eles resistiram e não contaram nada.

Depois, partiram para as ameaças, e ameaças terríveis para pequenas crianças, como a de jogá-las num caldeirão de azeite onde morreriam fritas. Por fim, o administrador terminou por prender os pastorinhos numa cela da cadeia pública, junto com criminosos.

Jacinta chorava com saudade dos pais, que temia nunca mais voltar a ver. Francisco, para encorajar a irmãzinha e a prima a oferecerem tais tormentos como sacrifício pela conversão dos pecadores, conforme o Anjo e a própria Virgem os havia ensinado, disse: “A mãe, se não a tornarmos a ver, paciência! Oferecemos pela conversão dos pecadores. O pior é se Nossa Senhora não volta mais! Isso é que mais me custa! Mas também o ofereço pelos pecadores”.

A isto, Jacinta acrescentou que deviam oferecer também pelo Santo Padre e em reparação às ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria.

No convívio com os criminosos, na prisão, resolveram rezar o Terço. Cena inaudita: os detentos que ali se encontravam se ajoelharam também, movidos pelo exemplo irresistível daqueles três confessores da Fé.

Apesar do alívio que sentiram na recitação do Terço, terminada a oração Jacinta voltou-se para a janela e tornou a chorar. Os presos que ali se encontravam queriam consolar aquela heroína de apenas sete anos, tentando convencê-la a revelar o Segredo:

“— Mas vocês – diziam eles – digam ao senhor administrador lá esse Segredo. Que lhes importa que essa Senhora não queira?
“— Isso não! – respondeu a Jacinta com vivacidade – Antes quero morrer”.

Ameaças e heroísmo dos videntes

Chegou a hora mais crucial da prova: chamaram os pastorinhos para o gabinete do administrador. Em tom intimidativo, este mandou levar Jacinta para, segundo sua ameaça, o caldeirão de azeite fervendo, já que ela não revelava o Segredo. Pensavam que, sendo a mais nova, não resistiria ao medo e o contaria. No entanto, a menina acompanhou aquele que a chamava sem dizer uma palavra.

Em seguida pegaram Francisco pelo braço. Ele, em lágrimas, mas resoluto e firme, tampouco contou o Segredo. Por fim, foi a vez de Lúcia… Ainda que tivesse a ideia de que seus primos estivessem mortos e de que ela seria a próxima, não revelou o Segredo e resistiu àquela cruel pressão, também com heroísmo notável.

Pouco tempo depois, estavam ela e os dois primos num quarto, abraçando-se com alegria! Sem embargo, o tormento ainda não havia passado. Recordemos que a todo este sofrimento se deve acrescentar o aparente abandono da família e as dúvidas que o pároco levantou…
No dia seguinte, 15 de agosto, festa da Assunção de Maria, o administrador os submeteu a novos inquéritos. Vendo perdido seu intento, temendo o pior, devido a um verdadeiro levante popular em defesa das crianças, e querendo salvar a própria pele, resolveu devolvê-las na residência do pároco de Fátima.

Nossa Senhora os visita em Valinhos

Tendo em vista que não se encontraram com Nossa Senhora no dia 13 de agosto, os pastorinhos ficaram com um misto de esperança e desânimo…

Quatro dias depois do sequestro, em 19 de agosto, Jacinta não foi ao campo, e seu irmão João, de onze anos, a substituiu na guarda do rebanho. Estando próximos de Aljustrel, num local chamado Valinhos, Francisco e Lúcia, por volta das quatro horas da tarde, perceberam algo de sobrenatural prenunciando a chegada da Celeste Mensageira.

Lembraram-se imediatamente de Jacinta e pediram que João fosse chamar sua irmã às pressas, chegando esta justo a tempo da aparição.

Assim narra Lúcia o que aconteceu:
“Entretanto, vi, com o Francisco, o reflexo da luz a que chamávamos relâmpago; e chegada a Jacinta, um instante depois, vimos Nossa Senhora sobre uma carrasqueira.

“— Que é que Vossemecê me quer?
“— Quero que continueis a ir à Cova de Iria no dia 13, que continueis a rezar o Terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem.
“— Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova de Iria?
“— Façam dois andores: um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas vestidas de branco; o outro, que o leve o Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão de mandar fazer”.

Lúcia pede pela cura de uns doentes e Nossa Senhora de Fátima diz que alguns curaria durante o ano.

Em seguida, com uma fisionomia entristecida acrescenta: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

Como se pode facilmente concluir, a Virgem Maria, em sua indizível bondade materna, quis vir em socorro daqueles filhos prediletos para os confortar depois do terrível sofrimento pelo qual haviam passado.

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5, 4).

13 de Setembro de 1917

QUINTA E PENÚLTIMA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Na quinta aparição recomendou que continuassem a rezar o terço para o fim da guerra, disse que Deus estava contente com os sacrifícios dos pastorinhos e reafirmou que faria um milagre em outubro.

Ao longo das sucessivas aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, aumentava o número dos que nelas acreditavam. No dia 13 de setembro verificou-se um extraordinário número de peregrinos presentes no local. Muitos já se haviam posto a caminho desde o dia anterior e formavam uma multidão cheia de respeito, calculada entre quinze e vinte mil pessoas, ou talvez mais.

Assim narra a Ir. Lúcia:
“Ao aproximar-se a hora, lá fui, com a Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano. Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre a multidão que à nossa volta se apinhava, vinham prostrar-se, de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades”.

Tão logo chegaram à Cova da Iria, junto da carrasqueira, começaram a rezar o Terço com o povo.

“Pouco depois, vimos o reflexo da luz e a seguir Nossa Senhora sobre a azinheira.
“— Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia”.

As crianças tinham passado a usar como cilício um pedaço de corda grossa, que não tiravam nem para dormir. Isto lhes impedia muitas vezes o sono e passavam noites inteiras em claro. Daí o elogio e a recomendação de Nossa Senhora.

Continua Lúcia a narrar seu diálogo com a Virgem Santíssima:
“— Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo.
“— Sim, alguns curarei; outros não. Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem.
“E começando a elevar-Se, desapareceu como de costume”.

Ainda que breve, a aparição de Nossa Senhora deixou os pequenos videntes felicíssimos, consolados e fortalecidos em sua fé. Francisco, de modo especial, sentia-se transportado de alegria com a perspectiva “de que, no próximo mês, veriam Nosso Senhor”, como lhes prometera a Rainha do Céu e da terra.

13 de Outubro de 1917

ÚLTIMA APARIÇÃO: “EU SOU A SENHORA DO ROSÁRIO”

Na última aparição, Nossa Senhora revelou-Se como sendo a Senhora do Rosário, pediu que fizessem uma capela no local em sua honra, que rezassem o terço todos os dias e profetizou que a Guerra terminaria em breve.

Realizou também diante da multidão o milagre anunciado: o Sol começou a bailar, várias pessoas foram curadas e as roupas ensopadas pela chuva que caíra caudalosamente antes da aparição estavam completamente secas.

Naquela manhã fria de outono, uma chuva persistente e abundante tinha transformado a Cova da Iria num imenso lamaçal, e parecia ensopar até os ossos da multidão de cinquenta a setenta mil peregrinos que ali se apinhava, vinda de todos os cantos de Portugal.

Por volta das onze e meia da manhã, aquele mar de gente abriu passagem aos três videntes que se aproximavam.

É a Ir. Lúcia quem nos relata o que se seguiu:
“Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar-me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovedoras. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova da Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda-chuvas para rezarmos o Terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
“— Que é que Vossemecê me quer?
“— Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e
os militares voltarão em breve para suas casas.
“— Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.
“— Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.
“E tomando um aspecto mais triste:
“— Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.
“E, abrindo as mãos, fê-las refletir no sol. E enquanto que Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol”.

Tendo Nossa Senhora desaparecido nesta luz que Ela mesma irradiava, no céu sucederam-se três novas visões, “três quadros, simbolizando, um após outro, os Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos do Rosário”.

Junto ao sol apareceu a Sagrada Família: São José, com o Menino Jesus nos braços, e Nossa Senhora do Rosário. A Virgem vestia uma túnica branca e um manto azul, São José estava “também de branco, e o Menino Jesus de vermelho claro”.

Traçando três vezes no ar uma cruz, “São José com o Menino pareciam abençoar o mundo”.

As duas cenas seguintes foram vistas apenas por Lúcia.

Primeiramente, Nosso Senhor, transido de sofrimento, como a caminho do Calvário, e Nossa Senhora das Dores, “mas sem a espada no peito”. O Divino Redentor abençoou “o mundo da mesma forma que São José”.

Logo depois, apareceu gloriosa Nossa Senhora do Carmo,
coroada Rainha do universo, com o Menino Jesus ao colo. Enquanto os três pastorinhos contemplavam os celestiais personagens, operou-se ante os olhos da multidão o milagre anunciado…

Chovera durante toda a aparição. Lúcia, ao término de seu colóquio com Nossa Senhora, gritara para o povo:
— Olhem para o sol!

Então rasgaram-se as nuvens e o sol apareceu como um imenso disco luminoso. Apesar de seu intenso brilho, podia ser olhado diretamente sem ferir a vista. As pessoas o contemplavam absortas quando, de súbito, o astro se pôs “a dançar, a bailar; parou outra vez e outra vez começou a dançar, até que por fim pareceu que se soltasse do céu e viesse para cima da gente”, segundo a descrição de um dos presentes.

O ciclo das visões de Fátima estava encerrado.
Após tais prodígios, todos se entreolhavam perturbados. Em seguida, a alegria explodiu:
— Milagre! As crianças tinham razão!

Os gritos de entusiasmo ecoavam pelas colinas e muitos notavam que sua roupa, encharcada alguns minutos antes, estava completamente seca.

O milagre do sol pôde ser observado a uma distância de muitos quilômetros do local das aparições.

Santuário de Fátima

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Santuário de Nossa Senhora
do Rosário de Fátima
270px Faithway %282850562202%29 %28cropped%29 Nossa Senhora de Fátima

Basílica de Nossa Senhora do Rosário, a Colunata, a Capelinha das Aparições, o Monumento ao Coração de Jesus e o Recinto de Oração com peregrinos

Nomes alternativos Santuário de Fátima
Estilo dominante Diversos (século XX)
Religião Católica
Diocese Leiria-Fátima
Website www.fatima.pt
Património Nacional
DGPC 6374421
SIPA 20204
Geografia
País Portugal
Cidade Fátima
Localidade Cova da Iria
Região Centro
Sub-região Médio Tejo
Distrito Santarém
Província Beira Litoral
Coordenadas

17px WMA button2b Nossa Senhora de Fátima39° 37′ 52.59″ N 8° 40′ 23.41″ O

Santuário de Fátima, formalmente intitulado pela Igreja Católica como Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, é um santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de Fátima, localizado no lugar da Cova da Iria, na cidade de Fátimaconcelho de Ourém, em Portugal.

O Santuário de Fátima é, por excelência, um local de peregrinação cristã e devoção católica, preservando a memória dos acontecimentos que levaram à sua fundação, nomeadamente as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos – Lúcia dos SantosFrancisco e Jacinta Marto – em 1917. A sua magnitude e relevância do ponto de vista religioso é de há muito consensualmente reconhecida, nacional e internacionalmente. Por vontade expressa da Santa Sé Apostólica, este é um Santuário Nacional. É também um dos mais importantes santuários marianos do mundo pertencentes à Igreja Católica e de maior destino internacional de turismo religioso, recebendo cerca de seis milhões de visitantes por ano. Foi distinguido com três rosas de ouro papais e visitado pelos Papas Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI (2010) e Francisco (2017).

A sua edificação iniciou-se em 1919 com a construção da Capelinha das Aparições; ao longo dos anos o santuário foi sendo expandido, contando hoje com duas basílicas, o que representou um aumento significativo da capacidade de acolhimento de peregrinos em recinto coberto. Contudo, os diversos planos urbanísticos criados para ordenar seu crescimento tiveram pouco efeito prático, e o complexo que se vê atualmente é fruto mais de intervenções pontuais que atendiam a necessidades do momento do que de um planeamento unificado e de longo prazo. Por outro lado, o poderoso impulso gerado pelo Santuário de Fátima foi responsável pelo crescimento exponencial de uma zona do país até aí muito pouco desenvolvida.

Estilisticamente diversificado, integrando construções de caráter revivalista a par de outras de cariz mais atual, o Santuário de Fátima é composto principalmente pela Capelinha das Aparições, o Recinto de Oração (exterior), a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e a respetiva Colunata, a vasta Basílica da Santíssima Trindade, as casas de retiros de Nossa Senhora do Carmo e de Nossa Senhora das Dores, uma Via Sacra nos Valinhos e o Centro Pastoral Paulo VI. Conta também com espaços culturais e diversas outras edificações para os setores administrativos, acolhimento de peregrinos, atendimento médico, comércio, encontros e congressos, e outras atividades. O santuário teve ainda o contributo de artistas de várias gerações, nacionais e internacionais, que para aí realizaram um numeroso e diversificado conjunto de obras.

História

Das aparições à emergência de um polo de devoção na Cova da Iria

Segundo a Igreja Católica,[1][2] datam de março e julho de 1916 duas aparições de uma figura resplandecente, que viria a ser denominada como o Anjo da Paz ou Anjo de Portugal, a Lúcia dos Santos e aos seus primos maternos Francisco e Jacinta Marto, popularmente chamados “Os Três Pastorinhos“. Segundo estas crianças, a primeira aparição teria acontecido no sítio da “Loca do Cabeço”, no lugar dos Valinhos, situado nas imediações da aldeia de Aljustrel da freguesia de Fátima, onde elas viviam. A segunda aparição teria ocorrido sobre o “Poço do Arneiro”, situado no quintal da casa de Lúcia. Em setembro/outubro do mesmo ano teria se dado a terceira e última aparição do anjo, novamente na “Loca do Cabeço”.[3][4]

Em 1917 os três pastorinhos afirmaram ter presenciado seis aparições de Nossa Senhora nos dias 13 de maio, 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro no lugar da Cova da Iria, tendo, em agosto, a aparição mariana ocorrido no dia 19 (em vez de 13 como nos outros meses) e no lugar dos Valinhos. No essencial da mensagem apresentada, a aparição da Virgem Maria ter-lhes-á pedido que se rezasse o terço todos os dias, pela conversão dos pecadores, e que fosse feita penitência. Pediu ainda para se construir uma capela em sua honra.[5]

As supostas aparições de Fátima desencadearam uma grande repercussão na época e, antes mesmo de ocorrer a última, o local já se havia tornado num centro de peregrinações. Inicialmente, no entanto, o patriarcado de Lisboa mostrou-se cauteloso na apreciação dos eventos, e não autorizou de imediato a organização de um centro de culto.[6] Apesar disso, cumprindo-se o pedido da aparição, entre 28 de abril e 15 de junho de 1919 foi construída a Capelinha das Aparições, que desde então constitui parte essencial do santuário.[5]

Uma estátua de Nossa Senhora de Fátima foi feita no início de 1920 por José Ferreira Thedim, e oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos[nota 1]. Foi benzida em 13 de maio de 1920 na Igreja Paroquial de Fátima, tendo sido entronizada na Capelinha das Aparições a 13 de junho do mesmo ano. O dia 13 de maio seria escolhido para eventos marcantes ao longo dos anos subsequentes.[8] Devido ao incessante afluxo de peregrinos ao local, ficou evidente para a Igreja que ali se formaria um forte polo de devoção. Em vista disso, em outubro de 1920 D. José Alves Correia da Silvabispo de Leiria, autorizou a compra de todos os terrenos da Cova da Iria junto ao oratório, pois pretendia fazer da Cova “um grande centro de piedade”. Na análise de André Melícias,[nota 2] o bispo pretendia disciplinar o culto popular, muitas vezes de índole supersticiosa e heterodoxa, enquadrando-o nos cânones da Igreja. Os terrenos foram adquiridos em setembro deste ano, delimitando uma considerável extensão destinada à organização do futuro santuário. Após visita do bispo à Cova, onde rezou o terço, foi autorizada a realização de culto público a Nossa Senhora, e em 13 de outubro foi celebrada a primeira missa diante da capela pelo padre padre Afonso Jacinto Soares Ferreira.[10] O culto autorizado não se destinava à Virgem de Fátima especificamente, visto que as aparições ainda estavam a ser analisadas pela Igreja e não haviam sido ratificadas formalmente.[11]

Primeiros planos de ordenamento e edificação da Basílica do Rosário

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Capelinha das Aparições quando dinamitada em 1922.

220px Mais de 50 mil crentes na Cova da Iria a 13 de outubro de 1926 Nossa Senhora de Fátima

Peregrinação de mais de 50 mil crentes na Cova da Iria, 13 de outubro de 1926; ao fundo, vista do alpendre construído para proteger a Capelinha das Aparições.

220px Alpendre da Capelinha das Apari%C3%A7%C3%B5es Nossa Senhora de Fátima

Capelinha das Aparições já coberta pelo seu primeiro alpendre e com a sua envolvência toda pavimentada. À esquerda percebe-se parte da rotunda com colunata que cercava e cobria a fonte, 1937.

Em 6 de março de 1922, a Capelinha das Aparições da Cova da Iria foi dinamitada por desconhecidos e parcialmente destruída. Embora tenham sido colocados explosivos em cada canto da pequena ermida, nem todas as cargas detonaram, contribuindo para a ideia popular de que o local estaria protegido por alguém ou algo sobrenatural.[12] A capela foi reconstruída ainda durante esse ano,[13] e protegida por um muro em torno do recinto. Para André Melícias, o atentado “parece ter funcionado como ponto de viragem. (…) Cerca de dois meses depois, o bispo de Leiria nomeou uma comissão composta por sete sacerdotes para estudar este caso e organizar o processo segundo as leis canónicas, pois considerava que, a serem verdadeiros os factos passados ‘na Fátima’, era dever dos crentes agradecer ‘a Nosso Senhor que se dignou mandar-nos visitar por Sua Santíssima Mãe para aumentar a nossa fé e corrigir os nossos costumes’ e, a serem falsos, seria conveniente que fosse apurada essa falsidade já que, ‘nos tempos de dúvida e desorganização que atravessamos, é de tal importância julgarmo-nos e estar na posse da verdade que esta consciência basta para resistir a todas as contrariedades e vencer todos os obstáculos’.”[14] O local originalmente era bastante ermo e doravante a autoridade eclesiástica iniciou a construção de benfeitorias na área destinadas a facilitar o acesso e promover o conforto dos peregrinos, como tendas para a venda de água e alimentos e alguns artigos religiosos. Foram feitos planos para a urbanização da zona envolvente da capela, incluindo a construção de um albergue para peregrinos doentes, uma fonte coberta por uma abóbada e uma avenida desde a entrada do recinto, ladeada por uma Via Sacra. Ao mesmo tempo, iniciou a organização das romarias, surgindo as procissões das velas e do adeus.[15][16]

O primeiro projeto urbanístico foi executado apenas parcialmente, sendo as primeiras edificações mais tarde alteradas ou substituídas, e a expansão do local desenvolvia-se de maneira muito desorganizada.[17] Nesses primeiros anos de atividade o santuário tampouco existia como um organismo definido e autónomo, e toda a sua administração era conduzida pelo bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, que desempenhou papel decisivo na estruturação do local. O primeiro passo para sua institucionalização foi a criação em 13 de julho de 1927 de uma capelania permanente, nomeando-se Manuel de Sousa como primeiro capelão, responsável pela celebração diária da eucaristia, oração pelas intenções confiadas ao santuário, administração das finanças, esmolas e ex-votos, organização de romarias, acolhimento e atendimento dos peregrinos, registo de curas e graças, gestão agrícola das terras do entorno, fiscalização e organização de obras de construção e infraestrutura, e controle do comércio de artigos sacros.[18]

Em 13 de maio de 1928 é lançada a primeira pedra para a construção da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, seguindo um projeto de Gerardus Samuel van Krieken.[19] Em 26 de junho o bispo de Leiria preside pela primeira vez a uma cerimónia oficial na Cova da Iria.[5][13] Por esta altura, prevendo-se a futura ampliação do complexo, iniciam-se esboços mais consistentes de um ordenamento urbanístico e arquitetónico da área, elaborados por Luís Cristino da Silva e Ernesto Korrodi, que criaram uma planta urbanística geral baseada na forma da cruz. Para a Cova da Iria, António de Aguiar e José de Lima Franco criaram outro projeto, mas também esses planos não foram implementados na sua totalidade, continuando o santuário a crescer desorganizadamente. Surge uma capela para missas e equipamentos de assistência hospitalar e apoio a retiros, e delimitam-se os locais do pórtico de entrada, de outras ruas, da fonte e outras edificações.[19][20]

Oficialização do Santuário

A 13 de outubro de 1930, o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, após o encerramento do processo canónico iniciado em 1922, declarou as aparições da Virgem Maria em Fátima como dignas de crédito e aprovou o culto mariano sob a invocação de “Nossa Senhora do Rosário de Fátima“. A primeira fase da vida do santuário, quando as iniciativas ainda careciam de um norte definido, encerrou em 1940 com a ereção canónica da Fábrica do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, entidade jurídico-administrativa autónoma, marcando a oficialização do local como um santuário de facto e de jure. A partir de então a Fábrica seria responsabilizada por toda a administração e pelas novas construções, e representaria os interesses da Igreja junto à sociedade civil no tocante ao santuário. Isso foi possível graças à regularização das relações entre a Igreja e o Estado Português ocorrida no mesmo ano através da Concordata de 1940, com a qual a Igreja se libertava da ingerência das autoridades civis nos seus assuntos e era reconhecida como instituição possuidora de personalidade jurídica, habilitada para a posse e gestão do seu próprio património. O primeiro reflexo desta nova situação foi a transferência para a Fábrica, no ano seguinte, de todos os bens e terras do santuário, que até então estavam em nome dos padres Agostinho Marques FerreiraManuel Nunes Formigão[21] e Manuel Marques dos Santos, e de outros particulares. Ainda em 1941, o santuário adquiriu autonomia em relação à paróquia de Fátima e o capelão passou a assumir a função oficial de reitor.[22]

Em 1942, o 25.º aniversário das aparições é celebrado com uma grande peregrinação.[5] Em 1945, na tentativa de se corrigir erros e ordenar a constante ampliação do complexo, o Conselho das Obras Públicas aprovou um Anteplano de Urbanização de Fátima. Assim como os outros projetos anteriores, também este não foi implementado completamente, permanecendo o problema básico de desorganização urbanística, que persistiria ainda por muitos anos. Enquanto o santuário crescia, formava-se uma vila nas redondezas, atraindo pessoas que de alguma forma estavam envolvidas com suas atividades ou se ocupavam num comércio de bens e artigos voltados principalmente para os peregrinos. Segundo Patrick da Silva, “um facto é que Fátima cresceu, mas não conseguiu acompanhar o seu crescimento ao longo dos anos, continuando-se a verificar a inexistência de saneamento básico, equipamentos e vias. Ao mesmo lado de uma população da qual as condições de vida não melhoraram”.[23]

Expansão e reconhecimento

A 13 de maio de 1946, o cardeal Bento Aloisi Masellalegado pontifício, coroa solenemente a imagem de Nossa Senhora de Fátima.[5] Em 1950, por ocasião da celebração do Ano Santo, o santuário passou por uma importante remodelação. Foram adquiridas grandes áreas de terreno para a sua expansão, o pórtico com colunata original desapareceu, os terrenos do recinto foram nivelados, foram abertas novas ruas, algumas construções foram demolidas e foi prevista a construção de novos alojamentos e estruturas de apoio para os peregrinos e de uma outra colunata nas zonas laterais da Basílica. Nas décadas seguintes foram elaborados diversos planos urbanísticos para a área do santuário. No entanto, nenhum chegaria a ser integralmente aplicado e alguns nem sequer foram usados, o que foi um factor principal para a ausência de disciplina e rigor no crescimento do complexo ao longo do século XX.[24]

220px Portugal DSC04224 FATIMA%2C Portugal %2833588917344%29 Nossa Senhora de Fátima

A grande estátua do Imaculado Coração de Maria.

Em 13 de março de 1951 os restos mortais de Jacinta Marto são trasladados do cemitério de Fátima para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e, a 13 de março do ano seguinte, são trasladados para esse mesmo local os restos mortais do seu irmão, Francisco Marto. A sagração desse templo tem lugar em 7 de outubro de 1953, tendo-lhe o papa Pio XII concedido o título de basílica em novembro do ano seguinte.[5][25] Construído com contribuições de católicos húngaros, em 12 de agosto de 1956 é inaugurado em Valinhos o monumento comemorativo da quarta aparição, que se afirma ter ocorrido em 19 de agosto de 1917 naquele lugar. Em 13 de junho de 1956 é colocada no nicho da fachada da basílica a grande estátua do Imaculado Coração de Maria, oferta de católicos norte-americanos.[25][26]

Em 21 de julho de 1958 inicia-se uma nova fase na vida do santuário com a criação, por decreto do papa Pio XII, do Conselho Nacional do Santuário de Fátima, composto pelos metropolita portugueses e pelo bispo de Leiria, tendo o patriarca de Lisboa como presidente nato. Se por um lado este ato reconheceu a importância do santuário no contexto português, por outro ele acarretou uma certa perda de autonomia administrativa, pois o corpo consultivo agora passava a ter ingerência na condução dos assuntos pastorais, na fiscalização financeira e nos programas construtivos. No entanto, após alguns anos o Conselho deixou de atuar.[27] A importância do santuário foi enfatizada pela Santa Sé em 21 de novembro de 1964, quando o Papa Paulo VI, no encerramento da terceira sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, anunciou a concessão da Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima. A Rosa de Ouro foi entregue pelo legado pontifício cardeal Fernando Cento em 13 de maio de 1965. Em 13 de maio de 1967 Paulo VI visitou o santuário, no cinquentenário da primeira aparição, para pedir a paz no mundo e a unidade da Igreja.[5]

A fama do local como centro de devoção trazia um crescente número de peregrinos, exigindo a adaptação das instalações, ocorrendo a partir da década de 1960 o alargamento e regularização do recinto, a construção da colunata, de arruamentos e da praça de Santo António, a remodelação do hospital, a ligação às redes de distribuição de água e eletricidade, entre outras obras. Foi também criada uma secretaria permanente, uma assessoria de imprensa, um serviço de atendimento a turistas e estrangeiros e iniciou-se a formação de coleções arquivísticas, bibliográficas e museológicas.[28]

Voz da Fátima é o jornal oficial do Santuário com carácter formativo e informativo. A sua génese remonta a 13 de outubro de 1922. Em 13 de março de 1974 passou a ser propriedade do Santuário, onde ficariam a funcionar, daí por diante, os serviços de redação e administração. Atualmente, com uma tiragem média de 60 000 exemplares e uma periodicidade mensal a cada dia 13, é editado em português e tem distribuição gratuita. O formato da publicação sofreu algumas alterações gráficas desde o primeiro número e atualmente tem 12 páginas.[29]

Da década de 1970 até à atualidade

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Papa Bento XVI entrega a segunda Rosa de Ouro a Nossa Senhora de Fátima no dia 12 de maio de 2010, na Capelinha das Aparições da Cova da Iria.

190px Papa Francisco reza na Capelinha das Apari%C3%A7%C3%B5es %2812 de Maio de 2017%29 Nossa Senhora de Fátima

Papa Francisco em oração, na tarde de 12 de maio de 2017, na Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima.

Em 13 de fevereiro de 1973, foi nomeado reitor do santuário o monsenhor Luciano Guerra. O seu reitorado estender-se-ia até 2008, o mais longo na história do santuário, tendo sido marcado por uma série de inovações e intervenções significativas no espaço e na gestão do santuário. O crescimento do complexo e das suas atividades nas décadas anteriores ultrapassava já as capacidades de uma administração fortemente centralizada, como até então vigorava. Foi reorganizada toda a estrutura administrativa, tendo sido criados conselhos e secretarias setoriais especializados. A Capelinha das Aparições e o Presbitério do recinto de oração foram renovados, os hospitais e casas de retiros de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Dores foram remodelados ou receberam novos usos e deu-se início à construção do Centro Pastoral Paulo VI. Foram construídos a Basílica da Santíssima Trindade, o alpendre que protege a Capelinha das Aparições e o monumento que hoje integra um módulo do Muro de Berlim. Os edifícios e espaços foram enriquecidos por grande quantidade de obras de arte contemporânea de artistas consagrados. Nos anos finais de sua gestão Guerra aprovou novos estatutos para o santuário, que oficializaram a grande reestruturação organizacional que ele promoveu e definiram as relações com as instâncias eclesiásticas superiores, e em 2008 foi sucedido na reitoria pelo bispo D. Virgílio Antunes. Complementando o trabalho de seu antecessor, Antunes dotou a instituição de um regulamento interno e expandiu a estrutura administrativa.[30]

Neste intervalo, diversos eventos importantes tiveram lugar no santuário. Em 13 de maio de 1982, o Papa João Paulo II faz a primeira visita ao santuário para agradecer à Virgem ter sobrevivido à tentativa de assassinato em 13 de maio de 1981. Em 28 de março de 1984, João Paulo II, em união com os bispos do mundo inteiro, faz na Praça de São Pedro, no Vaticano, a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. A consagração é feita perante a estátua da Virgem de Fátima, que é transportada do santuário especificamente para a consagração. João Paulo II entregou ao então Bispo de Leiria-Fátima, D. Alberto Cosme do Amaral, a bala que o tinha atingido no atentado. Esta bala foi posteriormente encastoada na coroa da estátua, onde permanece até hoje.[8] Em 13 de maio de 1991, João Paulo II visita Fátima pela segunda vez no 10.º aniversário do atentado.[5]

Em 12 e 13 de outubro de 1996, o Cardeal Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e futuro Papa Bento XVI, visita o santuário, onde preside à Peregrinação Internacional Aniversária de Outubro.[31] Em 13 de maio de 2000, o papa João Paulo II visita Fátima pela última vez para a cerimónia de beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Aí se encontra pela última vez com a Irmã Lúcia. O cardeal Ângelo Sodano, no final da solene concelebração eucarística presidida por João Paulo II, expõe uma súmula do Terceiro segredo de Fátima.[32] Lúcia dos Santos morre em Coimbra, no Carmelo de Santa Teresa, em 13 de fevereiro de 2005. Em 19 de fevereiro do ano seguinte os seus restos mortais são trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, onde é sepultada junto dos seus primos, Francisco e Jacinta Marto.[33]

Papa Francisco em Fátima (2017)
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Chegada do Papa Francisco ao Santuário, tendo depois oferecido a 3.ª Rosa de Ouro a Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições no dia 12 de maio de 2017.
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Celebração eucarística a 13 de maio de 2017 pelo centenário das aparições de Fátima e com a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

Por ocasião do 90.º aniversário das aparições, em 12 de outubro de 2007, é inaugurada a Basílica da Santíssima Trindade pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.[34] Em 12 e 13 de maio de 2010, o papa Bento XVI visita o Santuário de Fátima por ocasião do 10.º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. O papa concede também a segunda Rosa de Ouro ao Santuário.[35][36]

Em 2014 o Vaticano autorizou o Santuário de Fátima a expor ao público pela primeira vez a carta manuscrita da Irmã Lúcia em que ela revela a terceira parte do Segredo de Fátima. O documento foi apresentado na área subterrânea da Basílica da Santíssima Trindade como a peça principal da exposição intitulada Segredo e Revelação, que propôs uma reflexão sobre a terceira parte do Segredo versando sobre a sua interpretação teológica feita pelo então cardeal Ratzinger.[37]

Papa Francisco desloca-se como peregrino ao Santuário de Fátima a 12 e 13 de maio de 2017, com o propósito da celebração do centenário das aparições da Virgem Maria.[38] No dia 12 concede a 3.ª Rosa de Ouro ao Santuário, colocando-a aos pés da imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições. No dia 13 preside à celebração eucarística e canoniza os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Os dois irmãos são os mais jovens santos não mártires na história da Igreja Católica.[39]

900px Fatima Main Square C Nossa Senhora de Fátima

Vista panorâmica parcial do recinto em direção a nascente, podendo-se observar a Capelinha das Aparições, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, a Colunata, o monumento ao Coração de Jesus e as casas de retiros de Nossa Senhora das Dores (à esquerda) e de Nossa Senhora do Carmo (à direita)

Lugares de culto

Os lugares de culto constituem a essência do santuário; neles se concentram os milhares de peregrinos que regularmente afluem a Fátima. De entre todos, a Capelinha das Aparições é considerada o “coração” do santuário e situa-se no lado norte do vasto Recinto de Oração. Pontuado pelo Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, este recinto ao ar livre prolonga-se a poente pela Praça de João Paulo II e ocupa a posição central de todo o complexo, unindo os principais locais de culto e acolhendo a multidão de peregrinos presentes nos dias de grande celebração. Os topos oriental e ocidental deste espaço são ocupados pelos dois grandes templos do santuário: a Basílica de Nossa Senhora do Rosário (ladeada pela Colunata), e a Basílica da Santíssima Trindade (que integra o edifício principal e os espaços subterrâneos da Galilé dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e capelas anexas).[40]

Capelinha das Aparições

17px Magnifying glass 01.svg Nossa Senhora de FátimaVer artigo principal: Capelinha das Aparições

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Escultura (imagem) original de Nossa Senhora de Fátima.

200px Fatima 0364 %2819693068605%29 B Nossa Senhora de Fátima

O alpendre que envolve a Capelinha das Aparições.

200px 20190529 Spain and Portugal El Camino Pilgrimage 1063 %2848002601588%29 Nossa Senhora de Fátima

Celebração eucarística na Capelinha das Aparições.

A Capelinha das Aparições está localizada no lugar da Cova da Iria, em pleno recinto do Santuário de Fátima. Foi construída em resposta ao pedido de Nossa Senhora (“Quero que façam aqui uma capela em minha honra“), no local exato das aparições, pelo pedreiro Joaquim Barbeiro, entre 28 de abril e 15 de junho de 1919. É um modesta edificação em pedra e cal, de pequenas dimensões, “alpendrada e telhada ao modo tradicional da pequena capela rústica”.[41][42] A 13 de outubro de 1921 foi celebrada missa pela primeira vez junto à capelinha, que sofreria danos ao ser dinamitada na madrugada de 6 de março do ano seguinte; após restauro, a capela foi reinaugurada em 13 de janeiro de 1923. Embora tenha sido sujeita a algumas reparações no decorrer dos anos, a capelinha manteve as suas características originais, preservando os traços de uma pequena ermida popular.[13]

Junto à capelinha encontra-se exposta para veneração pública a imagem original de Nossa Senhora de Fátima, oferta de Gilberto Fernandes dos Santos. Foi encomendada à oficina de Américo Fânzeres,[nota 3] de Braga, tendo sido realizada por José Ferreira Thedim;[43] é uma obra em madeira (cedro do Brasil), mede 1 metro e 37 centímetros de altura e pesa 19 quilos.[44] A 13 de maio de 1920 a imagem foi benzida na Igreja Paroquial de Fátima pelo Reverendo Padre António de Oliveira Reis, arcipreste de Torres Novas; e seria entronizada na Capelinha das Aparições em 13 de junho do mesmo ano.[8][42]

Esta imagem tem uma importância excepcional no imaginário mariano, sendo considerada por Marco Daniel Duarte “o mais divulgado modelo iconográfico mariano da época contemporânea, presente em quase todos os templos católicos do mundo”. Como não havia um modelo específico para a Senhora de Fátima, sendo uma aparição inédita, foi buscada inspiração em instruções dadas pela vidente Lúcia ao padre Manuel Nunes Formigão, utilizando-se também, segundo Duarte, elementos presentes numa Nossa Senhora da Imaculada Conceição pintada num retábulo do transepto da Sé de Leiria, datada do século XVIII ou XIX, e numa imagem de Nossa Senhora da Lapa publicada no catálogo da Casa Estrela, do Porto, cujo original se encontra na igreja de Labruja de Ponte de Lima, na Diocese de Viana do Castelo, de autoria de A. A. Estrella, e datada de 1908. A partir desses protótipos, foram acrescentados elementos que caracterizassem claramente a aparição. A imagem resultante, finalizada em 1920, foi logo reproduzida em estampas e largamente distribuída, mas de acordo com comentários da vidente Lúcia, ela não parecia muito fiel à sua visão, considerando-a sobrecarregada de mantos e excessivamente ornamentada, contrastando com a simplicidade da senhora que vira.[43] Na década de 1950 o autor José Thedim consultou Lúcia e fez algumas intervenções na estátua, removendo as sandálias, simplificando as vestes e retocando a face. Em 2013 a estátua passou por trabalhos de conservação, sendo substituída temporariamente por uma réplica.[44] A imagem seria ao longo dos anos muito reproduzida, e daria origem a uma fértil descendência derivativa em esculturas, relevos, gravuras e pinturas, onde se encontram imagens em variadas posturas e com variados adereços, que ora se afastam e ora se aproximam do modelo primitivo, destacando-se nesta rica população iconográfica os tipos da Virgem Peregrina e do Coração Imaculado de Maria de Fátima. Artistas importantes valeram-se do modelo geral para criar as suas próprias composições, entre eles Ernesto Canto da MaiaLeopoldo de AlmeidaAntónio da CostaRaul XavierAlmada NegreirosAntónio Teixeira Lopes e Clara Menéres.[43]

A coroa de ouro que a imagem ostenta apenas nos dias das grandes peregrinações e outras ocasiões excepcionais foi oferecida por um grupo de mulheres portuguesas a 13 de outubro de 1942, em ação de graças por Portugal não ter entrado na Segunda Guerra Mundial. Foi executada gratuitamente por 12 artesãos em Lisboa durante três meses. Pesa 1,2 quilogramas e contém 313 pérolas e 2679 pedras preciosas. Em 1989 foi nela encastoada uma bala oferecida pelo Papa João Paulo II, aquela que o atingiu no atentado de que foi vítima na Praça de São Pedro, no Vaticano, a 13 de maio de 1981, como sinal de agradecimento à Virgem Maria por lhe ter salvo a vida. O pedestal que suporta a imagem marca o sítio exato onde estava a pequena azinheira sobre a qual a aparição se revelou aos três pastorinhos de Fátima a 13 de maio, junho, julho, setembro e de outubro de 1917.[8]

Em 1982 foi construído um vasto alpendre para envolver e proteger a capelinha e os peregrinos. Da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro, trata-se de uma obra marcadamente modernista que contrasta com o caráter tradicional da pequena capela. A nova edificação foi inaugurada a 12 de maio de 1982 por ocasião da visita do Papa João Paulo II ao Santuário de Fátima. Em 1988, declarado Ano Mariano pela Santa Sé, todo o teto foi forrado com pinho proveniente da Sibéria (foi escolhido este tipo de madeira devido à sua durabilidade e leveza).[13]

Basílica de Nossa Senhora do Rosário

Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (ou, de modo abreviado, “Basílica do Rosário”) é um dos edifícios mais icónicos do santuário. Foi erguida no local onde os três pastorinhos brincavam quando, no dia 13 de maio de 1917, viram o clarão que antecedeu a primeira aparição da Virgem Maria. O início da construção da basílica data de 1928, tendo a sagração ocorrido a 7 de outubro de 1953. Em 1954, foi-lhe concedido o título de Basílica Menor pelo Papa Pio XII. O projeto foi concebido por Gerardus Samuel van Krieken, um arquiteto holandês radicado em Portugal, e continuado por João Antunes após o falecimento de van Krieken. Estilisticamente alheia aos primeiros alvores do modernismo em território português, trata-se de uma obra de cariz revivalista (neobarroco) que iria marcar a definição de um vocabulário arquitetónico para a área da arquitetura religiosa. Esta edificação está sintonizada com as vias de tipo conservador e historicista que dominaram grande parte da arquitetura oficial do período do Estado Novo.[40][41][45]

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Interior da Basílica de Nossa Senhora do Rosário

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Alto-relevo na capela-mor da Basílica de Nossa Senhora do Rosário

O templo foi estrategicamente implantado no ponto mais alto da área; esse desejo de destaque seria acentuado através da imponência da torre sineira, em posição central e com 65 metros de altura. A articulação espacial do interior foi pensada de modo a acolher equilibradamente um grande número de assembleias e liturgias em diversas celebrações. De planta simétrica, a basílica é constituída por uma única nave coberta por abóbada de canhão e com galeria lateral sobrelevada, capela-mor ampla, transepto, dez capelas laterais e duas sacristias (uma das quais, a Capela de São José, foi convertida em lugar de culto). Mede 70,5 metros de comprimento e 37 de largura e foi integralmente construída com pedra calcária da região denominada branco de mar (o que confere uma particular luminosidade ao interior), sendo a abóbada da nave suportada por uma estrutura em betão armado; os altares são em mármore de Estremoz, de Pero Pinheiro e de Fátima.[40]

presbitério foi remodelado em 1995 sob traça sob do arquiteto Erich Corsepius. Ao centro situa-se o altar, em pedra, para onde foi transferido o frontal de prata do altar primitivo em que está representada a Última Ceia de Cristo. O ambão, a peanha de Nossa Senhora e a cadeira da presidência são feitos em pedra idêntica à do altar. O sacrário, tal como o frontal do altar, é de prata lavrada. O quadro do retábulo é obra do pintor João de Sousa Araújo e representa a mensagem de Nossa Senhora. O órgão, originalmente construído em 1952, foi alvo de profundas obras de restauro e reconstrução em 2015, contando no presente com cerca de 90 registos e 6,5 mil tubos.[40]

Na capela do braço esquerdo do transepto, onde repousam os restos mortais de Santa Jacinta Marto e da Irmã Lúcia, foi integrado um monumento de homenagem a Jacinta da autoria da escultora Clara Menéres. Na capela situada no extremo oposto do transepto estão depositados os restos mortais do Beato Francisco, cuja imagem é obra do escultor José Rodrigues.[40]

A fachada principal, virada a sudoeste, é marcada pela torre sineira, rematada por uma coroa em bronze e encimada por uma cruz iluminada. O carrilhão é composto por 62 sinos e os mosaicos da fachada (monograma de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e representação da Santíssima Trindade a coroar Nossa Senhora) foram executados nas Oficinas do Vaticano. Os anjos, em mármore, são da autoria de Albano França e a estátua do Imaculado Coração de Maria (localizada no nicho da torre), é obra do padre e escultor americano Thomas McGlynn.[nota 4] Em posição frontal à basílica foi instalada uma grande tribuna, enquadrada pela colunata, com altar, presidência, ambão e bancos para os concelebrantes.[40][47]

Ao longo dos anos o interior da basílica teve contribuições de outros artistas, nomeadamente as seguintes: baixos-relevos em bronze com representações dos mistérios do Rosário nos altares laterais, da autoria de Martinho de Brito (dourados por Alberto Barbosa); alto-relevo de Maximiano Alves na abóbada da capela-mor; vitrais de João de Sousa Araújo nos altares laterais com representações da ladainha de Nossa Senhora; mosaico no arco cruzeiro, executado nas oficinas do Vaticano, onde se lê «Regina Sacratissimi Rosarii Fatimae Ora Pro Nobis» (Rainha do Sacratíssimo Rosário de Fátima, rogai por nós); 15 painéis em mosaico da autoria de Fred Pittino[nota 5] nas paredes laterais representando a Via-sacra.[40]

Como preparação das cerimónias de celebração do Centenário das Aparições de Fátima, para as quais foi confirmada a presença do Papa Francisco nos dias 12 e 13 de maio de 2017, a basílica foi alvo de importantes obras de limpeza, conservação, restauro e requalificação de alguns espaços.[40]

Colunata

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Colunata sul

220px Santuario de F%C3%A1tima. Portugal %28cropped%29 Nossa Senhora de Fátima

Percurso interior da colunata

colunata do Santuário de Fátima é um conjunto arquitetónico que liga a Basílica de Nossa Senhora do Rosário aos edifícios construídos de cada lado do Recinto de Oração (a Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores e a Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, assim como respetivas capelas e outras divisões do santuário), completando o enquadramento do lado nascente do Recinto de Oração. É uma obra do arquiteto António Lino (1914-1961), de uma monumentalidade classizante, pesada e tradicional, esteticamente consonante com o caráter revivalista e eclético da basílica. Precedida por extensa escadaria (configurando um amplo anfiteatro), o seu interior acolhe 14 retábulos com representações das estações da Via Sacra, executadas em cerâmica policromada, da autoria do ceramista Lino António (1898-1974).[40][41]

Dezassete estátuas em mármore encimam a colunata. Representam alguns santos portugueses, alguns fundadores de ordens e congregações religiosas e ainda outros apóstolos da devoção a Nossa Senhora, sendo todas da autoria de escultores portugueses, alguns dos quais de prestígio no panorama artístico português. As estátuas de maior dimensão medem 3,20 metros representam quatro santos portugueses: São João de Deus (Álvaro de Brée);[48] São João de Brito (António Duarte); Santo António de Lisboa (Leopoldo de Almeida); São Nuno de Santa Maria (Salvador Barata Feyo).[13][49]

As estátuas mais pequenas medem 2,30 metros e representam Santa Teresa de Ávila (Maria Amélia Carvalheira da Silva), São Francisco de Sales (Maria Amélia Carvalheira da Silva), São Marcelino Champagnat (Vasco da Conceição), São João Baptista de La Salle (Vítor Marques), Santo Afonso Maria de Ligório (Maria Amélia Carvalheira da Silva), São João Bosco (José Manuel Mouta Barradas) e São Domingos Sávio (José Manuel Mouta Barradas), São Luís Maria Grignion de Montfort (Domingos Soares Branco), São Vicente de Paulo (José Sousa Caldas), São Simão Stock (Maria Amélia Carvalheira da Silva), Santo Inácio de Loyola (Maria Amélia Carvalheira da Silva), São Paulo da Cruz (Jaime Ferreira dos Santos), São João da Cruz (Maria Amélia Carvalheira da Silva) e Santa Beatriz da Silva (Maria Irene Vilar).[50]

Via Sacra na Colunata

Capela do Sagrado Lausperene

A Capela do Sagrado Lausperene está situada ao fundo da colunata sul; foi inaugurada no dia 1 de janeiro de 1987 e integra vitrais de Rolando Sá Nogueira. A adoração permanente ao Santíssimo Sacramento aí realizada durante mais de vinte anos foi transferida para a Basílica da Santíssima Trindade (Capela do Santíssimo Sacramento) em maio de 2008.[51]

Basílica da Santíssima Trindade

17px Magnifying glass 01.svg Nossa Senhora de FátimaVer artigo principal: Basílica da Santíssima Trindade

Basílica da Santíssima Trindade é a mais recente construção do complexo do santuário, sendo dedicada ao culto da Santíssima Trindade.[40][52] A escolha da dedicação da basílica à Santíssima Trindade deve-se às aparições do Anjo da Paz, com o seu insistente convite à adoração a Deus, Santíssima Trindade; às palavras de João Paulo II em maio de 1982, proferidas na Capelinha das Aparições, pelas quais elevou a sua ação de graças à Santíssima Trindade; e também ao Grande Jubileu do Ano 2000, também dedicado à Santíssima Trindade.[40]

A intenção de construir um novo templo no Santuário de Fátima remonta a 1973, quando se constatou que a Basílica de Nossa Senhora do Rosário já não tinha dimensão suficiente para acolher a totalidade dos peregrinos, em particular aos domingos e outros dias de média afluência. Em 1997, o santuário organizou um concurso internacional para a conceção de um novo edifício junto à Praça de Pio XII, com uma escala adequada às necessidades reais. O lançamento da primeira pedra teve lugar em 6 de junho de 2004, dia da Solenidade da Santíssima Trindade. A construção foi concluída em 2007, tendo a igreja sido dedicada em 12 de outubro desse ano pelo cardeal Tarcisio Bertone, então Secretário de Estado do Vaticano e legado de Bento XVI para o encerramento do 90.º aniversário das aparições. A 13 de agosto de 2012, a igreja foi elevada à categoria de basílica.[40][52]

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Basílica da Santíssima Trindade.

220px Img 8755 Obras de Pedro Calapez F%C3%A1tima Nossa Senhora de Fátima

Porta principal

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Interior da Basílica da Santíssima Trindade, podendo-se observar o Painel do Presbitério e o Crucifixo

O projeto de arquitetura é da autoria do arquiteto grego Alexandros Tombazis, vencedor do concurso atrás mencionado, tendo sido o engenheiro José Mota Freitas o autor do projeto da estrutura. As novas edificações foram integralmente financiadas pelos donativos dos peregrinos deixados ao santuário ao longo dos anos. Com um caráter arquitetónico marcadamente contemporâneo, o complexo pode ser dividido em dois planos: um primeiro, ao nível do solo, onde se localiza a assembleia, e um outro, subterrâneo, designado por Área da Reconciliação, que integra a Galilé dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e um conjunto de capelas anexas a esse espaço. A basílica conta com um total de 8 633 lugares sentados e 40 000 m² de área, sendo considerada o quarto maior templo católico do mundo em capacidade. Apesar da vastidão da sua escala, acolhe confortavelmente os peregrinos ao mesmo tempo que mantém o sentimento de igreja, permitindo uma vista panorâmica da totalidade do seu interior e fornecendo a monumentalidade desejada. Ao descrever o programa do projeto, o reitor Luciano Guerra explicita um dos grandes objetivos a cumprir: “Nós tínhamos pedido que no interior a assembleia se pudesse sentir, digamos, que cada um, presente, pudesse sentir os outros membros da assembleia, portanto que pudessem ver-se e ouvir, sem impedimentos visuais nem auditivos. Aquela forma circular é de facto a que mais convém às pessoas para se sentirem unidas”.[53][54][55]

“Um enorme par de vigas em arco guia-nos do portão principal que dá acesso direto à entrada do átrio aberto e iluminado da Igreja que alberga quase 10 000 crentes. Não há nada que recorde o antigo carácter ibérico de espaço escuro dos interiores de igreja, com a sua mística incidência de luz. Em vez disso, temos um espaço invulgarmente claro, quase metafísico, que em vez das orações de penitência, convida isso sim à meditação sobre o Segredo de Fátima. A vista axial e apertada para o altar, a partir da entrada, vai-se desdobrando até se diluir, à medida que se vai entrando na Igreja. O aspeto fechado e compacto do corpo do edifício (o edifício não tem janelas) dá logo a seguir lugar à claridade do interior. Visto de longe, o edifício mais parece um disco. Não se vê logo que se trata de uma igreja. Não existe um campanário”.[56]

A Basílica da Santíssima Trindade tem uma altura de 18 metros. De configuração circular (com 125 metros de diâmetro), apresenta um espaço interior unificado, liberto de apoios estruturais intermédios, sendo a cobertura suportada por duas vigas contínuas em betão com uma altura máxima de 21,15 metros e um vão livre de 80 metros. O interior é divisível em dois setores através de uma parede amovível e integra doze portas laterais, em bronze, dedicadas aos Apóstolos; a porta central, de 64 m² é também em bronze e dedicada a Cristo. O presbitério tem capacidade para cerca de 100 concelebrantes. O edifício é totalmente dominado pela cor branca, tanto no que respeita às vigas, de betão branco à vista, como nos restantes elementos construtivos (revestidos com pedra da região de Fátima, conhecida por “branco do mar”).[53][55][57]

Algumas obras de artistas plásticos nacionais realizadas para o santuário antes da edificação da Basílica da Santíssima Trindade encontram-se hoje instaladas nas duas praças adjacentes à basílica (Praças de Pio XII e de João Paulo II). A edificação do novo templo contou com a colaboração de um grupo de artistas plásticos de diversas nacionalidades e com contributos diversificados, nomeadamente os seguintes: catorze estações da Via Lucis, do artista italiano Vanni Rinaldi; imagem de Nossa Senhora de Fátima localizada no interior da igreja, em mármore de Carrara (3 metros de altura), do escultor italiano Benedetto Pietrogrande; painel do Presbitério, em terracota dourada com 500 m², por um grupo de artistas, especializados em arte litúrgica provenientes de oito nações, com autoria do artista plástico esloveno P. Marko Ivan Rupnik; estátua do papa João Paulo II, localizada a noroeste da igreja, do escultor polaco Czeslaw Dzwigaj; execução da Cruz Alta, localizada no exterior da igreja, em aço, com 34 metros de altura, do escultor alemão Robert Schad; escultura suspensa no pórtico de entrada de autoria da artista cipriota Maria Loizidou; porta principal em bronze, com 8 metros de altura, e painéis do Rosário, pelo artista plástico português Pedro Calapez; painéis de vidro com citações bíblicas grafadas em vinte e seis línguas, pelo artista canadiano Kerry Joe Kelly; portas laterais, em bronze, com 8 metros de altura, dedicadas aos doze Apóstolos, com texto bíblico gravado na bandeira superior, com grafismo da autoria do artista português Francisco Providência; crucifixo em bronze, suspenso sobre o altar, pela artista irlandesa Catherine Green.[52]

Em abril de 2008, o Prémio Secil de Engenharia Civil 2007 foi atribuído a José Mota Freitas pela conceção estrutural da basílica. Também o prémio «Outstanding Structure 2009» (Excelente Estrutura 2009), foi atribuído a esta edificação pela Associação Internacional para a Engenharia de Pontes e Estruturas – IABSE (este prémio é considerado como o Nobel da Engenharia Civil, por representar o reconhecimento das mais notáveis, inovadoras, criativas ou estimulantes estruturas nos últimos anos).[54]

Galilé dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

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Galilé dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

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Painel de Azulejos de Siza Vieira na Galilé dos Apóstolos

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Capela da adoração ao Santíssimo Sacramento

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Capelas da Reconciliação

A Galilé dos Apóstolos São Pedro e São Paulo é uma vasta área subterrânea de configuração longilínea e orientação norte/sul, situada entre a Basílica da Santíssima Trindade e o Recinto de Oração. Acessível por meio de duas escadarias e duas rampas, estende-se por um total de 150 metros. A parede nascente encontra-se revestida por painéis de azulejos da autoria de Álvaro Siza Vieira com representações de episódios da vida de São Pedro e de São Paulo. Da Galilé dos Apóstolos podem contemplar-se dois espelhos de água convidativos à reflexão e à interioridade. “O primeiro, do lado de São Pedro, alude à primeira criação, a criação da vida; o segundo, do lado de São Paulo, aponta para a segunda criação, o Batismo, como participação na vida nova de Cristo”. A Galilé dos Apóstolos funciona como átrio comum às capelas subterrâneas, localizadas na zona da Reconciliação (Capela do Santíssimo Sacramento, Capela da Morte de Jesus, Capela da Ressurreição de Jesus, Capela do Sagrado Coração de Jesus e Capela do Imaculado Coração de Maria) e do Convivium de Santo Agostinho. O átrio da Capela da Ressurreição de Jesus e da Capela do Santíssimo Sacramento acolhe pinturas de Vanni Rinaldi abordando as diversas estações da Via Lucis.[40][52]

Capelas subterrâneas

As capelas subterrâneas são acessíveis através da Galilé dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo. A Capela do Santíssimo Sacramento tem exposto para adoração o Santíssimo Sacramento. Presente no santuário desde 1 de janeiro de 1960, desde o dia 13 de julho de 2008 que o Lausperene – exposição permanente do Santíssimo Sacramento – passou a realizar-se nesta capela, que dispõe de 200 lugares sentados e é acessível durante todo o dia. O escultor Zulmiro de Carvalho foi o autor do ostensório, em prata, de 1986.[45] As Capelas da Reconciliação – a Capela do Sagrado Coração de Jesus e a Capela do Imaculado Coração de Maria – têm respetivamente 16 e 12 confessionários e são inteiramente dedicadas à celebração do sacramento da Penitência. A Capela da Morte de Jesus, com capacidade para 600 pessoas sentadas, acolhe algumas das celebrações do programa oficial do santuário. A Capela da Ressurreição de Jesus tem 200 lugares sentados e 16 confessionários.[40]

Recinto de Oração

O Recinto de Oração é um vasto espaço descoberto com cerca de 265 metros de comprimento que ocupa uma posição central no complexo do Santuário de Fátima. Forma um ligeiro declive e é pavimentado a alcatrão, possuindo um corredor lajeado que serve de via penitencial. É simultaneamente local de passagem e de culto, interligando as diversas unidades distribuídas à sua volta e funcionando como um espaço convidativo à interioridade e à oração. É aqui que se congregam as grandes assembleias que em Fátima se reúnem, nomeadamente a 13 de maio. Esta ampla esplanada encontra-se ladeada por frondoso arvoredo a norte e a sul, sendo circunscrita nos topos oriental e ocidental pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário e pela Basílica da Santíssima Trindade, respetivamente. É neste espaço que se distribuem, em diferentes locais, vários monumentos e peças de escultura, como a Azinheira Grande, o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, o Presépio e o Módulo do Muro de Berlim.[40][52]

Praça de Pio XII; Praça de João Paulo II

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Estátua do Papa Pio XII.

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Estátua do Papa João Paulo II perto da Cruz Alta.

A nascente e a poente da Basílica da Santíssima Trindade situam-se duas praças: a Praça de João Paulo II e a Praça de Pio XII respetivamente. Embora não pertençam propriamente ao Recinto de Oração, são complementares desse espaço. A primeira, Praça de João Paulo II, funciona como prolongamento do lado ocidental do Recinto de Oração sem que exista uma clara barreira de separação entre esses dois espaços abertos, que assim se fundem, visual e funcionalmente; acolhe a estátua de João Paulo II, da autoria de Czeslaw Dzwigaj, a estátua em bronze do Papa Paulo VI, de Joaquim Correia e a nova Cruz Alta, de Robert Schad. A Praça de Pio XII integra a estátua de Pio XII, em mármore branco, de Domingos Soares Branco, e a estátua em bronze de D. José Alves Correia da Silva, primeiro bispo da diocese de Leiria, de Joaquim Correia (no lado ocidental desta praça encontra-se o Centro Pastoral de Paulo VI).[40]

Azinheira Grande

A denominada “Azinheira Grande”, uma azinheira da espécie Quercus rotundifolia lamb, é a única árvore que resta das que existiam no local das aparições. O nome é citado em vários documentos primitivos referentes às aparições, sendo mencionado como o local onde os três videntes e peregrinos se abrigavam do sol e recitavam o rosário antes das aparições subsequentes às de 13 de maio de 1917. A propriedade do terreno em que se encontra pertencia aos pais de Lúcia, tendo sido preservada durante a construção do recinto na década de 1950. A árvore tem 13,5 metros de altura e diâmetro médio da copa de 17,9 metros. Em janeiro de 2007, a Direção-Geral dos Recursos Florestais de Portugal classificou-a exemplar de interesse público.[58][59]

Elementos escultóricos e monumentos

A antiga Cruz Alta foi erguida para assinalar o encerramento do Ano Santo de 1950/1951. Situava-se ao fundo do recinto de oração, onde hoje está localizada a Basílica da Santíssima Trindade, e elevava-se a uma altura de 27 metros. Foi oferecida em 2007 ao Santuário Nacional de Cristo Rei, em Almada. A atual Cruz Alta é uma obra escultórica de grande escala da autoria de Robert Schad. Construída em aço corten, foi erguida em 29 de agosto de 2007 na zona sul da Praça de João Paulo II. É uma obra imponente que se eleva a uma altura de 34 metros.[40][52][60][61] Através da sua dimensão e materialidade, este crucifixo estabelece um diálogo produtivo com a forma arquitetónica da nova basílica e pertence ao conjunto de realizações sintonizadas com as vias artísticas contemporâneas que passaram a integrar o santuário nas últimas décadas. Ouçamos Robert Schad: “O meu crucifixo é (…) parte integrante de um conceito estético internacional. (…) Era suposto criar um símbolo que, na sua forma, fosse o mais simples possível, conseguisse atingir valores interculturais e não se perdesse em detalhes realistas”.[56]

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A estátua-monumento do Sagrado Coração de Jesus.

A estátua do Sagrado Coração de Jesus é um monumento que se ergueu no centro do recinto de oração do santuário. Feita de bronze dourado, a estátua foi oferecida por um peregrino anónimo e benzida pelo Núncio Apostólico, Monsenhor Beda Cardinale, no dia 13 de maio de 1932. A sua localização simboliza a centralidade de Jesus Cristo na Mensagem de Fátima. O monumento foi construído sobre um poço e fontanário (com quatro saídas de águas, consideradas milagrosas), muito acorrido pelos peregrinos, sendo a zona envolvente ajardinada.[40][52]

presépio do Santuário de Fátima é de autoria do escultor José Aurélio e situa-se junto do edifício da Reitoria.[42] A obra resultou de um concurso promovido pela Reitoria do Santuário. O conjunto escultórico foi realizado em chapa de aço, tem cinco metros de altura e cinco de largura e uma configuração triangular, em alusão à Santíssima Trindade. Foi inaugurado na noite de Natal do ano jubilar de 2000.[62]

Um módulo de betão proveniente do muro de Berlim, demolido em novembro de 1989, foi oferecido ao santuário e recorda os acontecimentos históricos que levaram à reunificação da Alemanha e ao termo do mundo fraturado que emergiu depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Pesando 2 600 quilos e medindo 3,60 metros de altura e 1,20 metros de largura, foi inaugurado a 13 de agosto de 1994.[63] O arranjo do monumento é do arquitecto José Carlos Loureiro.[13][52]

Na proximidade do módulo do Muro de Berlim localiza-se um monumento-memorial dedicado ao cónego Dr. Manuel Nunes Formigão e ao padre Prof. Dr. Luís Fischer, dois presbíteros ligados aos fundamentos da historiografia das aparições de Fátima e da difusão da sua mensagem. O monumento é da autoria de Graça Costa Cabral e foi inaugurado no dia 13 de outubro de 1998, sendo constituído por sete painéis de granito verde-pérola.[40]

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Monumento evocativo do Imaculado Coração de Maria para celebrar o Centenário das Aparições de Nossa Senhora e a visita do Papa Francisco.

Um terço de grandes dimensões da autoria de Joana Vasconcelos foi inaugurado à entrada da Basílica da Santíssima Trindade no dia 9 de maio de 2017, obra encomendada no âmbito das comemorações do Centenário das Aparições.[64] Foi também inaugurado um monumento ao Imaculado Coração de Maria evocativo da visita do Papa Francisco pela mesma ocasião do Centenário das Aparições.

Valinhos

17px Magnifying glass 01.svg Nossa Senhora de FátimaVer artigo principal: Valinhos (Fátima)

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Monumento aos Pastorinhos de Fátima na Rotunda Sul de Fátima a eles dedicada.

No lugar dos Valinhos, os principais locais de visita por parte dos peregrinos do Santuário de Fátima são o percurso pedestre da Via Sacra, iniciado a partir da Rotunda dos Pastorinhos (Rotunda Sul de Fátima), no qual, entre a oitava e nona estações fica o local onde ocorreu a quarta aparição de Nossa Senhora a 19 de agosto de 1917. O monumento que assinala essa aparição mariana, assim como, mais adiante, a Capela dedicada a Santo Estevão e as esculturas do Calvário (chamado de Calvário Húngaro), foram construídos com donativos de católicos húngaros. Assinale-se ainda o monumento situado na Loca do Cabeço, o local onde primeiro apareceu o Anjo da Paz.[13][65][66]

Via Sacra no Caminho dos Pastorinhos

Via Sacra dos Valinhos, por vezes também chamada de Via Sacra Húngara, inicia-se na rotunda Sul da Cova da Iria, atravessa a zona dos Valinhos e termina em Aljustrel, acompanhando o percurso que os videntes faziam entre Aljustrel e a Cova da Iria quando iam apascentar os rebanhos.[67] A ideia partiu de refugiados húngaros como um voto pela libertação da Hungria do domínio comunista. O primeiro bispo de Fátima concedeu a autorização para a construção em 16 de julho de 1956. Originalmente a Via Sacra foi concebida para instalação na parte traseira da Basílica, mas com a criação da Via Sacra de azulejos no interior da Colunata o projeto foi deslocado para sua atual localização. O itinerário passa pelas tradicionais 14 estações que representam a paixão de Jesus, e culmina em uma cena adicional representando a crucificação no monte do Gólgota. Os relevos das cenas foram lavrados em granito pela artista Maria Amélia Carvalheira da Silva, que retirou inspiração das visões da Beata Anna Catarina Emmerich, relatadas em livro por Clemens Brentano (1778-1842).[68]

Capela de Santo Estevão e Calvário Húngaro

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Capela de Santo Estevão e o Calvário Húngaro no final da Via Sacra nos Valinhos.

A Capela de Santo Estevão e o Calvário Húngaro, cuja denominação oficial é Calvário Cardeal Mindszenty, são os pontos finais da Via Sacra dos Valinhos. O calvário está instalado no terraço sobre a capela. Antigamente mais frequentados por estrangeiros, nos últimos anos têm-se tornado populares também entre os romeiros portugueses.[69] A capela foi construída por refugiados húngaros e foi dedicada ao rei Estêvão I da Hungria, venerado como santo padroeiro desse país, tendo a sua pedra fundamental sido lançada em 11 de agosto de 1964.[70] Foi reformada em 1994, incluindo mosaicos que representam as aparições na Cova da Iria, as Sete Dores de Nossa Senhora e a consagração da nação húngara a Maria.[69] Para Marco Daniel Duarte, Diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima, “o Calvário Húngaro (…) é uma bandeira identitária do sentir político e espiritual dos húngaros da diáspora”. A finalidade da construção do conjunto da Capela e do Calvário “era a esperança dos refugiados da Hungria de, através deste ato, alcançarem por intercessão de Nossa Senhora de Fátima a liberdade para a sua Pátria”. Nesta área também foi erguida em 2015 uma estátua do padre húngaro Luís Kondor, um dos principais apoiadores da causa de beatificação de Francisco e Jacinta Marto, comemorando os 50 anos da construção do Calvário Húngaro. O monumento foi criado pelo arquiteto João de Sousa Araújo, resultado de uma iniciativa conjunta da Associação Portugal-Hungria para a Cooperação e da Embaixada da Hungria em Portugal.[70]

Monumento a Nossa Senhora nos Valinhos

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Monumento que assinala o local da quarta aparição de Nossa Senhora.

O monumento comemora a aparição de Nossa Senhora a 19 de agosto de 1917 nos Valinhos, e foi instalado nesse mesmo local. Foi financiado por católicos húngaros e inaugurado a 12 de agosto de 1956. A estátua de Nossa Senhora foi esculpida por Maria Amélia Carvalheira da Silva e o nicho em que se encontra foi arquitetado por António Lino e é um dos pontos obrigatórios de peregrinação nos roteiros do Santuário de Fátima.[66]

Loca do Cabeço (ou Loca do Anjo)

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Monumento dedicado à aparição do Anjo de Portugal, na Loca do Cabeço.

A Loca do Cabeço localiza-se numa antiga propriedade da família dos videntes e foi o local onde primeiro apareceu o anjo que se identificou como Anjo da Paz ou Anjo de Portugal, pedindo aos três pastorinhos que rezassem, pois “os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.[71] Ao contrário dos locais das aparições marianas, a Loca do Cabeço ainda tem um envolvimento pouco edificado, e a aparição do anjo é marcada por um grupo escultórico representando-o junto com os três pastorinhos de Fátima ajoelhados em oração, obra de Maria Amélia Carvalheira da Silva, que foi rodeado por uma grade projetada por Domingos Soares Branco.[72]

Espaços culturais

Museu do Santuário de Fátima

O Museu do Santuário de Fátima tem como objetivo a preservação e conservação do espólio de arte sacra do santuário, dos ex-votos e ofertas dos peregrinos, documentos históricos, artísticos e etnográficos e testemunhos de peregrinações. O museu foi criado em 13 de agosto de 1955 por decreto episcopal de José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria.[73][74] Entre as peças de destaque estão a coroa da estátua de Nossa Senhora de Fátima que tem incrustada a bala que atingiu João Paulo II em 1981 e as diversas ofertas papais, incluindo as rosas de ouro atribuídas ao santuário.[75]

O museu é também responsável pela curadoria da exposição permanente Fátima Luz e Paz, no edifício da reitoria. Inaugurada em 2002, a exposição tem exposta uma parte do espólio do museu, incluindo a coleção de ourivesaria, a coroa de Nossa Senhora de Fátima e diverso vestuário litúrgico. A peça mais antiga em exposição é um cristo indo-português datado do século XVI.[74] O museu guarda também os manuscritos de Lúcia.[76]

Casas-museu em Aljustrel

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Casa-Museu de Aljustrel.

O Santuário de Fátima também gere três núcleos museológicos em Aljustrel, aldeia onde residiam os Três Pastorinhos e situada a cerca de dois quilómetros do santuário: são eles a Casa-Museu de Aljustrel, a Casa de Lúcia e a Casa do Francisco e da Jacinta. A Casa-Museu de Aljustrel está instalada na antiga residência da madrinha de batismo de Lúcia. Inaugurada em agosto de 1992, foi o primeiro núcleo museológico permanente do santuário e a exposição permite compreender a vida quotidiana na época das aparições. A Casa de Lúcia corresponde à casa onde nasceu e residiu Lúcia, a mais nova de seis irmãos, juntamente com os seus pais. Foi neste local que se realizaram os primeiros interrogatórios destinados a apurar a validade das aparições. A casa foi doada ao santuário em 1981 pela própria Irmã Lúcia, então já religiosa carmelita descalça. O arranjo da envolvente e do posto de informações foram inaugurados em agosto de 1994. A Casa do Francisco e da Jacinta situa-se a 200 metros da de Lúcia, tendo sido adquirida pelo santuário em 1996 e posteriormente reconstruída.[74]

Centro Pastoral Paulo VI

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O Centro Pastoral Paulo VI.

O Centro Pastoral Paulo VI é um centro de congressos equipado com um anfiteatro de 2124 cadeiras, várias salas para encontros, capela, alojamento e refeitório distribuídos por quatro pisos e 1,4 hectares. A primeira pedra foi benzida em 13 de maio de 1979 pelo cardeal Franjo Šeper. O edifício foi inaugurado pelo papa João Paulo II em 13 de maio de 1982. O projeto é da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro e é adornado por obras de vários artistas, entre as quais a escultura A Pastorinha, de José RodriguesCristo Ressuscitado, de Lagoa Henriques, a Mãe do Bom Pastor, de Graça Costa CabralCristo Crucificado, de Maria Irene Vilar e um vitral que representa o Bom Pastor, de Júlio Resende. No exterior encontra-se uma escultura de Nossa Senhora da autoria de Domingos Soares Branco.[77]

Casas de retiros de Nossa Senhora do Carmo e de Nossa Senhora das Dores

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Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo

Duas casas de retiro integram o santuário, localizando-se nos limites norte e sul do Recinto de Oração. Foram projetadas pelo arquiteto José Carlos Loureiro e, tal como o alpendre que envolve a Capelinha das Aparições (do mesmo autor), são estilisticamente consonantes com os parâmetros modernistas da sua obra.[52][77]

A Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo foi inaugurada a 13 de maio de 1986 por D. António Ribeiro, na altura Cardeal Patriarca de Lisboa. Nas origens deste edifício esteve o hospital com o mesmo nome. A casa situa-se no lado sul do recinto de oração, no seguimento da colunata. No seu átrio de entrada encontra-se uma escultura da Virgem Maria, de 1931, da autoria de António Teixeira Lopes. A sua missão prende-se com a realização de retiros, encontros de formação e outras atividades, bem como ao alojamento dos participantes.[52][77] Foi nesta casa que ficaram alojados os papas João Paulo II e Bento XVI quando visitaram o Santuário e o mesmo acontecerá com o Papa Francisco. Os aposentos onde pernoitam os papas são simples, com um quarto, casa de banho, uma sala e outra mais pequena de reuniões.[78]

A Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores tem origem no antigo Albergue dos Doentes construído em 1926. Tem as mesmas funções da Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, além de aí funcionar também o Posto de Socorros do santuário. Está situada no lado setentrional do recinto de oração, em linha com a colunata.[52][77]

Impacto

Peregrinações e devoção

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Vista geral do Santuário de Fátima durante a missa celebrada pelo Papa Bento XVI nas comemorações do dia 13 de maio de 2010.

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Cerca de 180 mil pessoas acompanharam a tradicional procissão das velas no Santuário de Fátima nas comemorações do dia 13 de maio de 2016.

Depois de muitas hesitações e investigações canónicas a respeito da credibilidade das aparições, em 13 de outubro de 1930 a Igreja aprovou oficialmente o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Na devoção popular, contudo, as aparições exerceram profundo impacto desde a época do ocorrido, e as peregrinações, procissões e orações no local iniciaram-se imediatamente. Ao longo dos anos, com a consolidação do santuário como um importante centro de culto mariano e com a crescente atenção dada por papas e outros destacados prelados à Mensagem de Fátima, elas viriam a crescer enormemente, atraindo grandes multidões de todo o mundo.[79] Nas palavras de Maria Madalena Eça de Abreu.[nota 6]

“A centralidade de Fátima e a sua Mensagem é ainda acentuada a partir de março de 2002, altura em que o Missal Romano passa a incluir o dia 13 de Maio como Dia de Nossa Senhora de Fátima como festividade litúrgica mundial, confirmando-se uma Mensagem que é património de todos os crentes. (…) Fátima tem contornos próprios que tornam o fenómeno diferente do de outros santuários marianos. A referência à paz é uma constante e um traço identificativo da Mensagem de Fátima. Também em termos de conteúdo, é novo o pedido de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. (…) São elementos igualmente novos a devoção específica dos cinco primeiros Sábados (…) pedida em Pontevedra por Nossa Senhora à Irmã Lúcia, assim como as orações que o Anjo e Nossa Senhora ensinam às crianças”.[82]

Os visitantes têm variadas motivações para acorrerem ao santuário. Segundo o antigo reitor Luciano Guerra, as principais “parecem ser a devoção, a promessa e a busca de um ambiente espiritual e calmo”. Um estudo científico realizado por Abreu em 2003 mostrou que os visitantes identificam Fátima como “um local de fé” (42,3%), “uma experiência espiritual/religiosa” (14,2%), “uma experiência de paz/tranquilidade” (13,6%) e “uma experiência maravilhosa do foro transcendental” (13%). Sobre suas motivações principais, o estudo revelou que “17,8% dos peregrinos inquiridos afirma que o principal motivo que o leva no presente dia a Fátima é a fé, 16% identifica a promessa por si, ou por um membro familiar, (…) e 13,8% dos inquiridos desloca-se a Fátima para acompanhar família ou amigos”. 72,9% dos peregrinos já visitaram o santuário mais do que dez vezes e 72,3% consideram que sua vida mudou para melhor depois da visita. Uma série de serviços e locais estão preparados para dar atendimento aos visitantes, incluindo albergues para peregrinos, serviços de informações, orientação pastoral, alimentação, pronto-socorro e enfermagem, bem como uma rede de comércio de artigos sacros e 14 parques de estacionamento para veículos.[83]

Em 2015, o santuário acolheu 6 milhões e 676 mil visitantes nas 9 948 celebrações realizadas ao longo do ano.[84] Neste ano o recinto acolheu 587 128 peregrinos distribuídos por 4 390 grupos de peregrinação organizada. Entre estes, 1 591 grupos de peregrinação foram de origem portuguesa, no total de 461 300 peregrinos, e 2 799 grupos provenientes de 90 países, no total de 125 829 peregrinos. Entre as peregrinações de origem portuguesa, a diocese que mobilizou maior número de peregrinos foi a do Porto, com 39 686 peregrinos em 272 grupos, seguida pela de Lisboa, com 34 362 peregrinos em 383 grupos.[84][85]

A maior afluência de peregrinos ocorre durante o mês de maio. Os países estrangeiros com maior número de peregrinos foram Espanha (30 776 peregrinos), Itália (15 112 peregrinos) e Polónia (13 017 peregrinos).[85] Ainda em 2015, foram atendidos nos postos de informações do santuário e de Aljustrel 184 128 peregrinos, dos quais 48 560 portugueses e 135 568 estrangeiros de 162 nacionalidades. A Casa da Lúcia foi visitada por 336 299 peregrinos, dos quais 139 469 de nacionalidade portuguesa e 196 830 de outras nacionalidades. A Casa do Francisco e da Jacinta recebeu a visita de 320 193, dos quais 133 832 portugueses e 186 361 de outras nacionalidades. As várias casas de alojamento propriedade do santuário registaram cerca de 55 mil dormidas.[84]

Centro Nacional de Cultura, em colaboração com as entidades responsáveis do Santuário de Fátima, lançou em 2003 um projecto que visava, à semelhança do que acontece com as peregrinações ao Santuário de Santiago de Compostela, demarcar caminhos de Fátima que pudessem guiar os inúmeros peregrinos que todos os anos se dirigem a pé ao santuário, criando os “Caminhos de Fátima“. Deste projecto nasceram dois caminhos, o “Caminho do Tejo“, ligando Lisboa a Fátima, e o “Caminho do Norte“, ligando o Porto a Fátima. Apenas o “Caminho do Tejo” se encontra já concluído com os marcos com setas azuis que indicam a direção do santuário, sendo que o “Caminho do Norte” encontra-se ainda em fase de conclusão.[86]

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O Santuário de Fátima em dia de grande celebração.

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Celebração noturna junto à Capelinha das Aparições.

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Peregrinos a pagar as suas promessas no percurso penitencial do Santuário.

A devoção no local assume muitas formas. A eucaristia é celebrada diariamente em vários locais e horários, e é possível incluir pedidos pessoais nas intenções da celebração.[87] Em 2015 foram celebradas 7 223 missas e consumidas cerca de 16 300 hóstias e 1 450 000 partículas.[88] A eucaristia fica em adoração permanente na Capela do Santíssimo Sacramento, mas nas peregrinações internacionais aniversárias, de maio a outubro, a capela é fechada na noite do dia 12 para o dia 13 a fim de concentrar os peregrinos na vigília noturna.[89] A reza do terço, um dos elementos centrais da mensagem de Fátima, realiza-se em qualquer local, mas a Capelinha das Aparições é o ponto focal da prática, iniciando-se diariamente às 18h30, com transmissão por várias rádios.[90] Os primeiros sábados de cada mês são considerados datas especiais, com missa, meditação e adoração eucarística na Basílica da Santíssima Trindade, e reza do terço e hora de reparação ao Imaculado Coração de Maria na Capelinha das Aparições.[91] O sacramento da Reconciliação é celebrado diariamente nas Capelas da Reconciliação.[92] Outros sacramentos como o batismo e o matrimónio são celebrados no santuário mediante agendamento, e são muito procuradas as bênçãos especiais aos doentes, objetos religiosos e veículos.[93] Nas procissões destacam-se a Procissão de Velas e a Procissão do Adeus,[94] celebrações tradicionais que atraem milhares de peregrinos.[95][96] Muitos romeiros deixam ex-votos em penhor ou pagamento de promessas ou como ação de graças, e um rico acervo encontra-se preservado no Museu do Santuário.[97]

São também os peregrinos, através de donativos, grandes responsáveis pela manutenção financeira do santuário e suas atividades, já que a instituição não recebe fundos substanciais de outras fontes institucionais ou da Igreja. Por outro lado, o comércio de artigos sacros, receitas de operações financeiras e rendimentos de bens imobiliários em posse do santuário são outros importantes geradores de receita. Alguns dados contribuem para dar a conhecer o perfil geral das suas finanças. Em 2003 a receita foi de 17,7 milhões de euros, dos quais 8,7 milhões vieram de donativos.[98][99] Entre os donativos recebidos aparecem preciosidades. Ao longo das décadas a piedade tem levado muitos devotos à oferta de objetos de ouro, prata e pedrarias à Senhora de Fátima e seu santuário, em quantidades que regularmente chegam a alguns quilos por ano. Os que possuem valor artístico ou histórico são levados para o museu. Luciano Guerra disse que “houve algumas doações importantes, verdadeiras pequenas fortunas”. Algumas famílias doaram todas as suas joias, outras doaram bens imóveis de alto valor. Em 2017 o comércio administrado pelo próprio santuário incluía duas lojas de artigos religiosos, 90 postos de venda nas pracetas São José e Santo António, onde cobra “rendas simbólicas” de 9 a 34 euros mensais; uma livraria e um pequeno posto de vendas em Aljustrel. A entrada de verbas ultrapassa as necessidades regulares e é suficiente para que o santuário possa contribuir em variadas iniciativas beneficentes. O santuário não costuma divulgar abertamente o seu orçamento e balanço, mas afirma que eles não são secretos. No geral as contas são entregues para aprovação ao Conselho Nacional do Santuário de Fátima, composto por diversos membros da Conferência Episcopal Portuguesa. O reitor Carlos Cabecinhas afirmou em 2017 que não existe um problema de transparência. “Parece-nos que há mecanismos suficientes para garantir uma gestão responsável e controlada dos bens do santuário. Posso assegurar que as ofertas dos peregrinos se destinam exclusivamente a duas finalidades: sustentar os vários serviços e estruturas de acolhimento e apoio dos peregrinos, bem como garantir uma vasta ação de ajudas sociais a muitas instituições”.[100] Como exemplo, em 2016 o santuário doou 50 mil euros para as vítimas da onda de incêndios em Portugal[101] e doações recolhidas durante as missas de Natal foram destinadas a ajudar refugiados.[102]

A devoção à Virgem de Fátima é uma das maiores influências no misticismo católico mundial[103] e isso, junto com a importância internacional do santuário, ambos alcançando um vasto público, tornam-nos em importantes plataformas para manifestações da hierarquia da Igreja não apenas sobre elementos doutrinais, mas também sobre aspectos sociais e políticos desafiadores do mundo contemporâneo. O papa João Paulo II assinalou que a Mensagem de Fátima é atual, destinada “de modo particular aos homens do nosso século, marcado pelas guerras, pelo ódio, pela violação dos direitos fundamentais do homem, pelo enorme sofrimento de homens e nações e, por fim, pela luta contra Deus, impelida até à negação da sua existência”.[104] O discurso do Arcebispo de Braga Jorge Ortiga no encerramento da peregrinação internacional de 2012 acabou em críticas ao capitalismo desgovernado e à indiferença dos políticos,[105] e declarações de Luciano Guerra contra o aborto e o casamento de homossexuais através do jornal A Voz da Fátima despertaram polémica.[106]

A polémica, de facto, cerca o santuário desde sua origem, começando com as contestações da autenticidade das aparições, que apesar de confirmadas pela Igreja, ainda têm detratores. Críticos radicais como João Ilharco[nota 7] e principalmente o padre Mário de Oliveira, este autor do best-seller Fátima nunca mais, que levantou grande controvérsia, alegam que as aparições foram uma farsa.[107][108] Também há críticas sobre as formas de devoção cultivadas no santuário, questionando uma alegada ênfase excessiva nos aspectos conservadores, doloristas, penitenciais e apocalípticos embutidos na mensagem de Fátima, considerados por alguns autores como estranhos às tendências da religiosidade contemporânea.[109][110][111] Por outro lado, sectores conservadores têm protestado contra a abertura ao diálogo ecuménico implantada na gestão de Luciano Guerra e a presença de líderes e grupos de outras religiões no santuário,[112][113][114] e ocorrem ainda condenações à forte presença do comércio.[115][116][117][118]

Desenvolvimento regional

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Aspecto do comércio em Fátima.

O grande número de visitantes que se deslocam ao santuário provocou um importante desenvolvimento económico e urbanístico na região, mais espetacularmente nas zonas mais próximas do santuário, que hoje é o centro vital da vila de Fátima, elevada à categoria de cidade em 12 de julho de 1997, e constituída pela Cova da Iria, pela freguesia de Fátima, por Moita Redonda, Lomba de Égua, parte de Aljustrel e Moimento.[119] Fátima vive principalmente em função do santuário mariano, tendo como pontos mais fortes da sua economia o turismo e o comércio religioso, empregando a grande parte da força de trabalho disponível e atraindo muitos de fora, que ali buscam oportunidades. Se por um lado esse desenvolvimento beneficiou uma região antes rural e pouco dinâmica, por outro desencadeou uma série de problemas sociais e estruturais, em virtude principalmente de falta de um planeamento de longo prazo. Nos anos recentes o crescimento tem sido exponencial. Entre 1987 e 1997 os estabelecimentos hoteleiros e estruturas de apoio a visitantes aumentaram em 80% e o comércio de artigos religiosos ramificou-se por todo o tecido urbano e junto aos principais locais de peregrinação, acompanhado por uma significativa expansão também do comércio de artigos laicos e souvenirs turísticos. Ao mesmo tempo esse crescimento impôs a construção de uma grande rede de vias de acesso aos locais mais frequentados, que recebe intenso e constante tráfego de veículos. A própria tipologia das construções dessas localidades tem-se transformado rapidamente na progressiva adaptação aos fins comerciais e hoteleiros. Dias de grande movimento exigem a mobilização de uma considerável massa de agentes da polícia, bombeiros, médicos e enfermeiros e pessoas que prestam informações aos visitantes em Fátima e ao longo dos caminhos de peregrinação.[120]

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Aspecto do comércio em Aljustrel, na freguesia de Fátima.

Os inconvenientes produzidos por essa expansão urbana desordenada e pela multidão de visitantes são vários. Nas palavras de Ana Cláudia Pereira da Silva, a cidade transformou-se num “local mais financeiro do que social e identitário”, e se “inicialmente o comércio era benéfico para o crescimento económico e afirmação da cidade de Fátima, atualmente, apresenta um caráter destrutivo que se impõe sobre a dimensão religiosa e se propaga para a via pública”. Outros problemas incluem engarrafamentos e acidentes de trânsito, ruído e poluição causados por veículos, descaracterização da cidade como um local de convivência, degradação urbanística, dificuldades para a circulação pedestre, carência de espaços de lazer e entretenimento, desaparecimento de habitações de tipologias vernáculas, proliferação de construções irregulares, redução de áreas verdes na zona urbana e degradação ambiental na zona rural e, em certos períodos de grande afluência, incapacidade da rede hoteleira de suprir a procura. A importância central dos destinos de peregrinação faz com que as autoridades civis dediquem a sua maior atenção à conservação e promoção desses locais, deixando bastante desamparadas de equipamentos e conservação outras áreas da cidade e das vilas mais próximas,[120][121] onde, segundo Camila Braga, “os residentes perpetuam e desempenham os seus trabalhos e suas necessidades básicas diárias, onde as realidades quotidianas ocorrem de modo distinto da realidade religiosa”. Esses fatores geram frequentes reclamações do público que ali reside e também de visitantes. Várias iniciativas oficiais tentam oferecer soluções para esses problemas, como a Sociedade de Reabilitação Urbana de Fátima, a Acção Integrada de Valorização Urbana – Fátima 2017, o Programa Operacional Regional do Centro e as Parcerias para a Regeneração Urbana de Fátima. Um Plano de Urbanização de Fátima foi aprovado em 2002.[122] Por outro lado, apesar da falta de alguns espaços e infraestruturas voltados para suprir as necessidades dos moradores, Braga refere que “são ressaltados os sentimentos de orgulho e pertencimento presentes na vida dos autóctones. Para além dos laços de identidade existentes entre residentes e o território, os habitantes reconhecem o valor simbólico que Fátima possui nas várias dimensões do quotidiano da população local e da cidade, e, sobretudo, na influência expressa no universo religioso e católico”.[123]

Importância

Hoje, o Santuário de Fátima é uma instituição de importância reconhecida pela Santa Sé. Segundo a Maria Madalena Eça de Abreu é “um símbolo da identidade católica nacional” e, de acordo com João Vasconcelos “é o centro de peregrinação mais frequentado de Portugal, por pessoas vindas de todo o país, como também um dos centros de peregrinação mais visitados do mundo católico”. Para Dimitris Philippides,[nota 8] o Santuário de Fátima “consiste numa rica variedade de elementos, desde estruturas temporais, embora imbuídas de um forte conteúdo simbólico, a edificações mais formais e imponentes, as quais correspondem ao seu estatuto contemporâneo de centro de peregrinação conhecido mundialmente”. Além de se ter tornado um grande complexo arquitetónico rico de significados, na apreciação de Patrick da Silva, o santuário foi também “responsável pelo impulso do desenvolvimento de uma região desprovida de desenvolvimento social na sua totalidade, em sequência do aparato grandioso do cenário cerimonial ocorrido”.[125] Ele continua:

“À medida que surgiram os primeiros planos da estruturação do santuário e da urbanização em seu redor, muitos erros já tinham ocorrido e as soluções apresentadas por esses projetos, muitos dos casos acabaram por não ser aplicados, por questões burocráticas. Tornando-se ao longo dos tempos, mais difícil conseguir resolver os problemas, corrigir os equívocos, responder as necessidades, realizar projetos de futuro. Desde o seu início modesto como barraca improvisada que abrigou o local onde a aparição teve lugar, o Santuário de Fátima passou por fases sucessivas de desenvolvimento até à sua expansão imponente atual, em que a área central simétrica da esplanada acabou por ser pensada como uma grande praça, funcionando como um anfiteatro. (…) O elemento crucial no Santuário de Fátima é a sua secção longitudinal. Esta linha, com 500 metros de comprimento, com uma ondulação específica, proveniente das diferentes cotas do terreno, provoca um incrível efeito sobre a sensação da escala na praça. (…)
“A título de considerações finais, importa clarificar, que o Santuário de Fátima possui praticamente (faltar-lhe-ia o Art déco – embora os edifícios hospitalares laterais possam ter elementos arquitetónicos desse período, ocultos após a intervenção atual na fachada), todas as fases da arquitetura portuguesa do século XX, nos seus edifícios de destaque: o Ecletismo na Basílica de Nossa Senhora do Rosário; o Português Suave na colunata, e, virtualmente, a sua cobertura não executada do Movimento Moderno; o Tardo-Modernismo aplicado no alpendre da Capelinha das Aparições; e por último a Contemporaneidade existente na nova Igreja da Santíssima Trindade. Com datas divergentes, as construções com diferentes estilos, conseguem transmitir uma sensação de ‘antigo’, a um santuário recente. Adquirindo o respeito, a admiração, e acima de tudo o interesse pela arquitetura global presente no recinto de oração”.[126]

Nas palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “é inegável a sua importância para Portugal. Para crentes e para não crentes. Preservando a posição do Estado que é laico, mas respeitando a grande importância e dimensão da religião católica em Portugal. É importante do ponto de vista religioso, mas também noutras dimensões que lhe estão associadas como o turismo”.[127]

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Vista panorâmica do recinto em direção a poente, podendo-se observar, ao fundo, a Cruz Alta e a Basílica da Santíssima Trindade.

Ver também

Notas

  1.  Gilberto Fernandes dos Santos era na altura um jovem comerciante de Torres Vedras e um dos que, nas últimas aparições, estiveram presentes na Cova da Iria, muito perto dos três pastorinhos. No dia 13 de outubro de 1917, distribui pagelas com a imagem da Virgem titulada como “Nossa Senhora da Paz” (Regina Pacis, ora pro nobis). Fernandes dos Santos procura respostas, por exemplo, do Cónego Manuel Nunes Formigão, professor doutorado do Seminário de Santarém e que esteve como observador dos eventos, possivelmente a partir de julho/agosto e tendo interrogado várias vezes os videntes. Formigão não lhe responde e o bispo de Leiria José Alves Correia da Silva também lhe deixa muitas respostas por dar porque ainda não se pode pronunciar sobre as aparições. A encomenda da imagem constitui um forte apelo àqueles que vêm à Cova da Iria nos tempos que se seguem.[7]
  2.  André Filipe Vítor Melícias é arquivista no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima desde 2014 e assistente convidado no Instituto Politécnico de Leiria desde 2011.[9] Fez o Mestrado em História, História do século XX, na Universidade Nova de Lisboa (2004-2008) e o Mestrado em Ciências da Documentação e Informação, Arquivística, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2013-2015).
  3.  Américo Fânzeres (1900? – 1976?) foi um escultor de arte sacra radicado em Braga.
  4.  Thomas McGlynn (23 de Maio de 1906 – 3 de setembro de 1977) foi um padre dominicano e escultor norte-americano. Foi em 1956, em PietrasantaItália, que realizou estátua do Imaculado Coração de Maria para a fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, Fátima.[46]
  5.  Fred Pittino (1906 – 1991) foi um pintor italiano, destacando-se as suas obras em mosaico.
  6.  Maria Madalena Eça Guimarães de Abreu é doutorada em Gestão de Empresas, especialização em marketing, e docente no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra. A sua dissertação de mestrado, datada de 2003, intitulou-se O Santuário de Fátima: Imagem e Posicionamento (uma perspectiva de Marketing).[80][81]
  7.  João Ilharco foi autor de livros escolares (tais como Gramática Portuguesa para o Ensino PrimárioHistória de Portugal e Ciências Naturais para a 4.ª classe); entre as suas restantes publicações assinalem-se Quem praticou o crime da Poça das Feiticeiras? (1952), Libelo contra a poesia modernista (1955) e, sobretudo, o seu polémico livro Fátima desmascarada: a verdade histórica acerca de Fátima documentada com provas (1971).
  8.  Dimitris Philippides estudou arquitetura na Universidade Nacional Técnica de Atenas, onde ensina planeamento urbano desde 1975. Para além do seu trabalho nas áreas da arquitetura e do planeamento, é autor de diversos artigos e livros sobre arquitetura grega (tradicional e contemporânea), nomeadamente os primeiros seis volumes da série Traditional Greek Architecture (1980-1988)[124]

Referências

  1.  Bennett 2012.
  2.  Fonseca 1958.
  3.  «As aparições do Anjo de Portugal». Associação Católica Nossa Senhora de Fátima. Consultado em 8 de março de 2017
  4.  «Aparições do anjo». Apostolado Mundial de Fátima. Consultado em 8 de março de 2017
  5. ↑ Ir para:a b c d e f g h «História das Aparições»Agência Ecclesia. Agencia.ecclesia.pt. 14 de fevereiro de 2005
  6.  Melícias, André Filipe Vítor (2015). «O Sistema de Informação Arquivística do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima»(PDF). Dissertação de Mestrado. Universidade de Lisboa. Ul.pt. pp. 40–41
  7.  Octávio Carmo e Marco Daniel Duarte (3 de fevereiro de 2017). «Derrubar tabus na investigação histórica sobre Fátima»Agência Ecclesia. Agencia.ecclesia.pt. Consultado em 15 de março de 2017
  8. ↑ Ir para:a b c d «Imagem da Capelinha das Aparições»Santuário de Fátima. Santuario-fatima.pt. Consultado em 20 de outubro de 2011. Arquivado do original em 6 de outubro de 2013
  9.  «Lista Definitiva de Pessoal Docente ao abrigo do Decreto-Lei n.º 15/96, de 6 de Março»Ministério da Educação e Ciência. Instituto Politécnico de Leiria – Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Consultado em 18 de março de 2017
  10.  «Fátima, do tempo dos videntes ao tempo da Igreja»
  11.  Melícias, pp. 42-47
  12.  Alexandre Borges (2017). Santos e Milagres – Uma história portuguesa de Deus. [S.l.]: Leya. ISBN 989-741-666-8
  13. ↑ Ir para:a b c d e f g «Lugares das aparições»Santuário de Fátima. Fatima.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2017
  14.  Melícias, pp. 45-46
  15.  Melícias, p. 46
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Bibliografia

Ligações externas

Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Santuário de Fátima

Cova da Iria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Cova da Iria é um lugar na cidade e freguesia de Fátima, no concelho de Ourémdistrito de Santarém, pertencente à província da Beira Litoral, na região do Centro e sub-região do Médio Tejo, em Portugal, celebrizado pelas aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos de Fátima em 1917.

É considerada a zona nobre da cidade de Fátima onde, na atualidade, existem numerosos conventoshotéis de luxo e condomínios fechados. Situa-se nas proximidades dos lugares de Aljustrel, da Moita Redonda e dos Valinhos.

História

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Capelinha das Aparições com a devotada imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

175px Fatima 0557 %2819712690512%29 Nossa Senhora de Fátima

Monumento aos Três Pastorinhos na Rotunda Sul de Fátima e final da avenida a eles dedicada.

Cova da Iria[1] era originalmente o nome dado a um vasto terreno que pertencia à família de Lúcia dos Santos. Nesse local foi inicialmente construída a Capelinha das Aparições, onde a Virgem Maria terá aparecido aos três pastorinhos de Fátima em 1917.[2]

Devido ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, edificado no lugar da Cova da Iria, a cidade de Fátima tornou-se num dos mais importantes destinos internacionais de turismo religioso, recebendo cerca de seis milhões de pessoas por ano.[3]

Notas

1 Esta avenida corresponde a um antigo troço da Estrada de Minde, o qual foi renomeado em 2011. Situa-se entre a Rotunda dos Pastorinhos (antiga “Rotunda de Santa Teresa de Ourém”) e a segunda rotunda dessa mesma via rodoviária da freguesia em direção a Sul. Está situada no lugar da Cova da Iria e atravessa parcialmente os lugares de Aljustrel e da Lameira.[4][5][6]
2 Também designada (e, inclusive, mais conhecida pelo seu antigo nome) de Estrada do Estoril.

Referências

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  2.  Junta de Freguesia de Fátima – Lugares da Freguesia de Fátima
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  4.  Município de Ourém – Acta N.º 26 (Reunião Privada), Folha 13, 15-11-2011: «Foi apresentado o ofício n.º 408/2009, datado de 5 de novembro de 2009, da Junta de Freguesia de Fátima, com sede na Rua do Adro, n.º 50, em Fátima, no concelho de Ourém, a remeter certidões das deliberações da Junta e da Assembleia de Freguesia referentes à alteração do topónimo “Estrada de Minde” para “Avenida dos Pastorinhos” da dita freguesia. Ouvida sobre o assunto, a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Ourém apresentou o ofício n.º 11.005, de 25 de outubro findo, a dar conta de que deliberou aprovar a alteração proposta e também atribuir o topónimo “Rotunda dos Pastorinhos” à rotunda sul de Fátima». Desse modo, a Câmara Municipal de Ourém deliberou por unanimidade estabelecer as denominações “Avenida dos Pastorinhos” para a via em causa (troço que abrange parte do lugar da Cova da Iria, de Aljustrel e da Lameira) e “Rotunda dos Pastorinhos” à Rotunda Sul de Fátima, anteriormente designada “Rotunda de Santa Teresa de Ourém”, e isto ao abrigo do disposto na alínea V), do n.º 1, do Artigo 64º, da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, alterada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro.
  5.  Ourém – Alterações aos topónimos Estrada de Minde e Rotundas Norte e Sul in Rádio Hertz (14/05/2016).
  6.  Estrada de Minde e rotundas em Fátima mudam de nome in Semanário Regional “O Mirante” (02/06/2016).

Ourém (Portugal)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ourém, renomeada a partir de Vila Nova de Ourém, é uma cidade portuguesa pertencente ao distrito de Santarém, província da Beira Litoral, na região do Centro e sub-região do Médio Tejo, em Portugal, com cerca de 12 994 habitantes.[1] A cidade de Ourém contém duas freguesias inseridas na sua mancha urbana, Nossa Senhora da Piedade (Ourém) e Nossa Senhora das Misericórdias.

Ourém é uma cidade próspera, ao mesmo tempo antiga (possui um castelo) e moderna, com extensas avenidas. A cidade de Ourém é a sede da comarca judicial (com tribunal).

É sede do município de Ourém[2] com 416,68 km² de área[3] e 44 576 habitantes (Censos 2011),[4][5] subdividido em 13 freguesias.[2] O município é limitado a norte pelo município de Pombal, a nordeste por Alvaiázere, a leste por Ferreira do Zêzere e Tomar, a sueste por Torres Novas (e pela Serra de Aire), a sudoeste por Alcanena e a oeste pela Batalha e por Leiria.

Existem duas localidades no município de Ourém com a categoria de cidade: são elas Fátima e Ourém. As localidades com categoria de vila são CaxariasFreixiandaVilar dos Prazeres desde 2004 e Olival em Junho 2009. A cidade de Ourém dista cerca de 26 km da cidade de Leiria, via EN 113, e cerca de 72 km da cidade de Santarém, via EN 356 / A1.

História

O concelho recebeu foral em 1180, atribuído pela infanta D. Teresa de Portugal, Condessa da Flandres, filha do rei D. Afonso Henriques e da rainha Mafalda de Saboia. Nesse documento refere-se que aquele lugar se chamava em latim Auren.

No documento de doação do eclesiástico em 1183 por D. Teresa, afirma-se que o local onde foi construído o castelo anteriormente se chamava Abdegas“Aprouve-me fazer testamento do eclesiástico de Ourém, que antes se chamava Abdegas”. No entanto, no foral de Leiria de 1142 a palavra Ourém (Portus de Auren) já era referida, pela primeira vez, como limite territorial do termo de Leiria, e parece indicar um curso de água, correspondente à ribeira de Seiça. Em 1159 na doação do Castelo de Ceras, e em 1167 num documento do Bispo de Lisboa a D. Afonso Henriques sobre uma disputa territorial com os Templários, tinha voltado a aparecer Portus de Auren.

190px Recanto da vila de Our%C3%A9m Nossa Senhora de Fátima

O jardim interior do Paço dos Condes de Ourém.

A palavra Portus significava uma travessia de um rio ou ribeiro. A comparação dos documentos leva a concluir que o “Porto de Ourém” se situava entre a Sabacheira e Seiça. Por isso, é de crer que inicialmente a palavra Auren designasse apenas a ribeira com os seus terrenos adjacentes.

Aqui viveu entre 1220 e 1266 a Santa Teresa de Ourém.[6] O seu nome foi atribuído a uma rua na cidade. A vida desta personagem está atestada pelo seu culto, mas está envolta em lendas. Apesar de ter festa anual, não integra a lista oficial de santos da Igreja Católica.

O núcleo histórico desenvolveu-se em torno do Castelo de Ourém, que teve no tempo de D. Afonso de Bragança, 4.º Conde de Ourém, um período de grande desenvolvimento.

Grandemente atingida pelo Terramoto de 1755, a cabeça do concelho mudou-se para a Vila Nova.

Foi incendiada pelo Exército Francês durante a Terceira Invasão Francesa no final de 1810, tendo sobrado, apenas, algumas casas.

Em 1841 a sede do concelho passou da zona histórica do castelo para o vale onde se encontra atualmente, para a Vila Nova.

Desde a primeira metade do século XIX até à sua elevação a cidade em 20 de Junho de 1991,[7] era conhecida como Vila Nova de Ourém. Atualmente o seu nome oficial é apenas Ourém.

Outras cidades relativamente perto: LeiriaFátimaTomarTorres NovasEntroncamento e Pombal.

Lenda de Oureana

A lenda de Oureana foi divulgada por Frei Bernardo de Brito na “Crónica da Ordem de Cister” (Livro VI, Cap. I).

Num ataque surpresa a Alcácer do Sal, no dia de São João de 1158, o cristão Gonçalo Hermigues, com alguns companheiros, raptou uma princesa moura chamada Fátima e trouxe-a para o lugar na Serra de Aire que mais tarde se veio a chamar pelo nome da princesa. Mais tarde, no seu cativeiro, a moura apaixonou-se pelo cristão e resolveu batizar-se para poder casar com o seu amado. Para seu nome de batismo escolheu Oureana. Daqui, segundo a lenda, teria tido origem o nome da vila de Ourém.

Freguesias

220px Our%C3%A9m freguesias 2013.svg Nossa Senhora de Fátima

Freguesias do município de Ourém.

O município de Ourém está dividido em 13 freguesias:[2]

Património

Arquitetura do século XX

No âmbito do Inquérito à Arquitetura Portuguesa do século XX, realizado pela Ordem dos Arquitetos, foram inventariadas 9 obras no concelho, duas das quais na cidade de Ourém, ambas da autoria do arquiteto Carlos Manuel Oliveira Ramos:

  • Casas dos Magistrados – Rua Dr. Carlos Faria de Almeida
  • Estação de Autocarros – Praça da República.

Urbanismo

Presentemente Ourém tem um edifício dos Paços do Concelho novo (inaugurado em junho de 2009), sendo o antigo edifício agora utilizado para a Assembleia Municipal de Ourém. No centro da cidade tem um jardim público, apesar de ter outro muito maior nos arredores da cidade, chamado Parque Linear. Tem quatro jardins de infância, uma escolas de ensino básico, uma escola de ensino básico e secundário e uma escola profissional.

Tem vários centros comerciais e um mercado, que funciona todas as quintas e sábados de manhã. Tem uma biblioteca, uma piscina municipal, um cinema, um lar de idosos, um centro de saúde, um quartel de bombeiros e uma esquadra da PSP e outra da GNR. Também tem duas escolas de música com paralelismo pedagógico reconhecido pelo Ministério da Educação, um centro de negócios e uma estação rodoviária.

Vinho de Ourém

O vinho medieval de Ourém está consagrado na Lei desde 11 de fevereiro de 2005, enquanto vinho de qualidade produzido em região determinada (V.Q.P.R.D.), neste caso, no concelho de Ourém. Existem largas centenas de vitivinicultores registados no concelho.[11]

Personalidades

Geminação

A cidade de Ourém está geminada com as seguintes cidades:

Ver também

Notas

  1.  http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0005889&contexto=pi&selTab=tab0
  2. ↑ Ir para:a b c Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  3.  Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013»Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013
  4.  INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Centro. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 121. ISBN 978-989-25-0184-0ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013
  5.  INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador “Q101_CENTRO”. Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013
  6.  Baptista, António Rodrigues (2020). Santa Teresa de Ourém. Ourém: [s.n.]
  7.  http://www.cm-ourem.pt/Site/FrontOffice/default.aspx?module=faq/faq&ID=34[ligação inativa]
  8.  Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) – https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  9.  INE – http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  10.  «Resultados | Legislativas 2019»PÚBLICO. Consultado em 30 de julho de 2020
  11.  Lourenço, Manuel (2009). O Palhete Medieval de Ourém. Contributos para a sua promoção e valorização turística, Mestrado em Engenharia Agronómica – Instituto Superior de Agronomia.

Ligações externas

Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Ourém (Portugal)
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