Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

Indústria brasileira é a 16ª no mundo, após figurar entre as 10 maiores até 2014

A participação do Brasil na produção industrial mundial caiu para 1,19%, em 2019, atingindo o piso da série que começa em 1990. O desempenho das exportações da indústria brasileira no mundo também ilustra a perda de competitividade do Brasil. Em 2019, a participação do Brasil nas exportações mundiais da indústria de transformação deve cair para 0,82%, igualando o menor valor da série histórica, registrado em 1999.

04/09/2020

desepenho da industria no mundo agosto20 grafico Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Emprego industrial continua crescendo

O emprego industrial completou doze meses de altas consecutivas em julho de 2021. Ressalta-se, contudo, que o faturamento real caiu pelo segundo mês consecutivo. O rendimento médio real pago aos trabalhadores da Indústria também caiu em julho. Ambos mostram tendência de queda.

02/09/2021

grafico indicadoresindustriais julho2021 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Confiança do empresário cai em setembro

O ICEI caiu 5,2 pontos em setembro de 2021, para 58 pontos. Como o ICEI permanece acima da linha divisória de 50 pontos, indica que os empresários seguem confiantes. A queda, contudo, mostra que o otimismo se tornou menos intenso que em meses anteriores.

14/09/2021

indicedeconfiancadoempresarioindustrial grafico setembro2021 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

SAIBA MAIS SOBRE O TERMÔMETRO DA INDÚSTRIA

O Termômetro da Indústria é uma ferramenta interativa que apresenta o desempenho recente da indústria brasileira. A situação da indústria é identificada pela combinação de um conjunto de indicadores. O usuário também pode acompanhar a evolução de cada indicador clicando na respectiva caixa.

A ferramenta permite identificar rapidamente se a indústria está crescendo ou não. A análise baseada em um conjunto de indicadores traduz de maneira mais apurada a situação da indústria. Ainda que a indústria apresente um bom desempenho, é possível que alguns indicadores registrem resultado negativo. O oposto também é verdadeiro. Assim, para se evitar conclusões equivocadas é importante considerar mais de um indicador.

Os indicadores com desempenho positivo no mês são representados pela cor azul e aqueles com desempenho negativo são representados pela cor vermelha. Desempenhos neutros são retratados pela cor cinza. Quanto mais caixas azuis, maior será a certeza de que a indústria está crescendo.
Os ícones retratam a tendência de curto prazo. Gráficos com seta crescente significam que a tendência é de crescimento; seta decrescente, tendência de queda; seta linear para a direita, tendência de estabilidade.
Como a tendência depende dos últimos meses da série, a variação do indicador no mês de referência pode ser diferente da direção da tendência.

NOTA:
O desempenho neutro (cor cinza) ocorre quando o indicador ou sua variação se encontram dentro do “limite de estabilidade”.
Para os indicadores de produção, emprego, horas trabalhadas, faturamento e exportação, os limites são dados pelo desvio padrão das taxas de variação do indicador. O limite negativo é zero menos 10% do desvio padrão, o positivo, zero mais 10% do desvio padrão.
Para os indicadores UCI efetiva-usual, ICEI e estoques efetivo-planejado, os limites são 49 e 51 pontos, dada a margem de erro de um ponto para cima e para baixo. No caso dos estoques, valores acima de 51 pontos são considerados negativos porque seu aumento é sinal de queda na demanda.
Para o indicador intenção de investimento, os limites são um ponto acima e abaixo da média histórica do indicador.

Por G1 — Rio de Janeiro

 

A indústria brasileira voltou a perder fôlego nesta começo de ano – apontando para uma recuperação difícil da economia. Dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em janeiro, a produção industrial do país cresceu 0,4% na comparação com dezembro de 2020 e de 2% em relação a janeiro de 2020.

Foi a 9ª alta seguida na comparação mês contra mês imediatamente anterior – mas a menor taxa desde abril. Em 12 meses, o setor ainda acumula uma queda de 4,3%.

Indústria registrou nona taxa seguida de alta em janeiro, mas ritmo de crescimento vem desacelerando a cada mês — Foto: Economia/G1

Indústria registrou nona taxa seguida de alta em janeiro, mas ritmo de crescimento vem desacelerando a cada mês — Foto: Economia/G1

O resultado vem depois da indústria registrar queda pelo segundo ano seguido. Diante dos efeitos da pandemia, o setor fechou 2020 com um tombo de 4,5%.

De acordo com o IBGE, com os nove meses seguidos de alta, a indústria acumulou crescimento de 42,3%, eliminando a perda de 27,1% registrada entre março e abril, que havia levado a produção ao nível mais baixo da série.

“Mesmo com o comportamento positivo nos últimos meses, o setor industrial ainda se encontra 12,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011“, destacou o IBGE.

 

Setor desacelera a cada mês

 

O ritmo da produção industrial brasileira vem desacelerando mês após mês. Janeiro teve a taxa positiva menos intensa deste período e, conforme enfatizou o IBGE, o crescimento foi menos disseminado entre as atividades.

Duas das quatro das grandes categorias econômicas e 14 dos 26 ramos pesquisados registraram queda na produção, diferentemente dos meses anteriores, quando predominaram taxas positivas.

“Chama atenção neste mês a quantidade de ramos que ficaram no campo negativo, que foram maioria, um comportamento que não foi observado nos meses anteriores dessa sequência de nove meses de crescimento”, apontou o gerente da pesquisa, André Macedo.

 

Das quatro grandes atividades econômicas, bens de capital e bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram alta de 4,5% e 2%, respectivamente. Já bens de consumo intermediários e bens de consumo duráveis tiveram queda respectiva de 1,3% e 0,7%.

O gerente da pesquisa destacou que bens de capital acompanhou o resultado geral e teve sua nona taxa positiva seguida. Com essa sequência, o patamar de produção desta categoria ficou 21,8% acima do registrado em fevereiro, pré-pandemia, mas ainda se encontra 21,19% abaixo do seu ponto mais alto, alcançado em setembro de 2013.

Já a queda de bens duráveis interrompeu uma sequência de oito taxas positivas seguidas. Esta categoria começou o ano 2,6% acima do patamar pré-pandemia, mas ainda 8,6% abaixo do ponto mais alto da produção, registrado e junho de 2013.

O patamar de bens de consumo semiduráveis e não duráveis ficou 1,6% acima do de fevereiro e 21,6% abaixo de junho de 2013, quando atingiu o seu pico de produção. Já o de bens intermediários ficou 2,7% acima do período pré-pandemia e 13,7% abaixo do pico, alcançado em fevereiro de 2011.

Fim do auxílio emergencial e avanço da pandemia

 

A perda de ritmo da produção industrial em janeiro tem efeito direto do fim do auxílio emergencial e do agravamento da pandemia, apontou o gerente da pesquisa.

“Como o que vinha sustentando o consumo, que era o auxilio emergencial, acabou em dezembro, isso também se refletiu nessa desaceleração da produção industrial em janeiro. Tem também efeitos importantes da intensificação da pandemia, especialmente no Amazonas”, destacou Macedo.

 

O pesquisador enfatizou, ainda, que a crise no mercado de trabalho “ainda longe de mostrar recuperação consistente” também pressiona negativamente a indústria, limitando o consumo.

Já a influência do agravamento da pandemia, segundo Macedo, pode ser percebida no resultado da produção de bens duráveis, que teve a primeira queda após oito meses seguidos de alta.

Esse recuo foi puxado, sobretudo, pela produção de eletrodomésticos da linha marrom e motocicletas, majoritariamente realizada na Zona Franca de Manaus, no Amazonas.

“A pandemia e os efeitos dela dentro daquele estado ficam muito evidentes neste mês por conta dos bens de consumo duráveis”, enfatizou.

Indústria alimentícia segura a alta do setor

 

De acordo com o IBGE, a principal influência positiva na indústria brasileira em janeiro foi a produção alimentícia, que avançou 3,1%, eliminando parte da redução de 11,0% acumulada nos três últimos meses de 2020.

Outras contribuições positivas importantes sobre o total da indústria vieram de indústrias extrativas (1,5%), de produtos diversos (14,9%), de celulose, papel e produtos de papel (4,4%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (1,0%) e de móveis (3,6%).

Por outro lado, entre as 14 atividades em queda, o principal impacto negativo partiu da metalurgia (-13,9%) que interrompeu seis meses seguidos de taxas positivas.

Também se destacam os resultados negativos na produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), outros equipamentos de transporte (-16,0%), máquinas e equipamentos (-2,3%), produtos do fumo (-11,3%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-4,9%) e produtos têxteis (-2,5%).

Avanço na comparação com janeiro de 2020

 

Na comparação com janeiro do ano passado, a indústria avançou 2,0% com resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 52 dos 79 grupos e 57,9% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que, em 2021, o mês de janeiro teve dois dias úteis (20 dias) a menos do que em 2020 (22).

Entre as atividades, as principais influências positivas foram de máquinas e equipamentos (17,7%), produtos de metal (12,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,8%), produtos de minerais não-metálicos (11,5%) e produtos de borracha e de material plástico (9,5%).

Outros impactos positivos importantes vieram de outros produtos químicos (5,4%), de produtos têxteis (21,7%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (9,3%), de metalurgia (3,6%), de celulose, papel e produtos de papel (4,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (6,7%) e de couro, artigos para viagem e calçados (6,4%).

Por outro lado, ainda na comparação com janeiro de 2020, entre as oito atividades que apontaram redução na produção, produtos alimentícios (-5,5%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,5%) e outros equipamentos de transporte (-36,7%) exerceram as maiores influências negativas na formação da média da indústria.

Perspectivas

 

Partiu da indústria o segundo maior impacto negativo sobre o Produto Interno Bruno (PIB), que despencou 4,1% em 2020. O setor teve queda de 3,5%, interrompendo dois anos seguidos de alta.

Essa foi a queda mais intensa da indústria no PIB desde 2016, quando havia recuado 4,6%.

Para 2021, os economistas do mercado financeiro estimam uma alta do PIB em 3,29%, conforme o último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (1º).

Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1

 

A indústria brasileira encerrou o ano passado com o 21º melhor desempenho entre 42 economias, mostra um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O ranking do Iedi usa como base o desempenho da indústria brasileira medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e faz a comparação com indicadores de outros países colhidos pela OCDE, pela Eurostat e pelo National Bureau of Statistics of China.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil despencou 4,1%, e a produção industrial do país recuou 4,5%.

Segundo o levantamento do Iedi, o melhor desempenho industrial foi observado por Irlanda, segura por Noruega e China. Na lanterna, ficaram Itália, Luxemburgo e Alemanha.

Os 10 melhores países — Foto: Economia G1

Os 10 melhores países — Foto: Economia G1

“No fundo, a economia brasileira registrou metade da queda projetada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) projetava em junho, na virada do semestre”, afirma Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

 

Os 10 piores países — Foto: Economia G1

Os 10 piores países — Foto: Economia G1

Em julho, o FMI chegou a prever queda de 9,1% para a economia brasileira. Segundo Cagnin, o PIB registrou uma queda menos intensa por causa dos programas governamentais destinados para empresas e famílias.

“Com condições de câmbio e juros mais favoráveis e com o dinamismo doméstico sustentável pelas medidas emergenciais, o setor industrial reagiu na metade do ano, com destaque para o terceiro trimestre”, afirma o economista-chefe do Iedi.

O que esperar

Para 2021, a expectativa do Iedi é que o Brasil caminhe para o final do ranking diante do descontrole da pandemia e da lenta vacinação no país.

No setor automotivo, por exemplo, várias montadoras já suspenderam a produção com o agravamento da doença, o que deve prejudicar o desempenho do setor industrial.

“A expectativa é que o Brasil caminhe para o final do ranking neste ano”, diz o economista-chefe do Iedi. “Há uma piora da pandemia, sobretudo, a partir de março, e, ao mesmo tempo, houve o encerramento de todos os programas emergenciais.”.

O governo planeja pagar um novo Auxílio Emergencial em abril, mas ele será bem mais modesto do que a versão do ano anterior. O benefício vai custar agora R$ 44 bilhões. Em 2020, o auxílio injetou R$ 300 bilhões na economia.

“Há ainda dois fatores que podem agravar a situação: a inflação, que corrói o orçamento das famílias, e a sinalização do Banco Central de uma elevação da taxa de juros”, afirma Cagnin.

Neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano, e indicou mais aumentos pela frente – juros mais alto encarecem a tomada de crédito, afetando o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial

Indústria de volta ao padrão 2021

Sumário

O segundo semestre deste ano se iniciou com a indústria retomando o padrão de resultados negativos que tem marcado seu desempenho em 2021. Já descontados os eventuais efeitos sazonais, a produção industrial recuou -1,3% na passagem de jun/21 para jul/21.

Um conjunto de fatores interromperam a trajetória de recuperação do setor no presente ano, como a piora da pandemia e o atraso da vacinação, o fim ou redução das medidas emergenciais, gargalos nas cadeias produtivas e, do lado da demanda, desemprego em níveis recordes e pressões inflacionárias, que retiram poder de compra da população e elevam custos de produção, etc.

Alguns destes fatores já foram amenizados, a exemplo da aceleração da vacinação no país todo, outros obstáculos, porém, vêm surgindo, notadamente a elevação das tensões políticas, as dúvidas quanto à retomada da agenda de reformas estruturais e o risco de a crise hídrica ir além de mais uma fonte de aumento inflacionário e impor racionamento de energia.

Pelo recrudescimento da incerteza que este quadro traz, o desempenho da indústria, que produz muitos bens duráveis, para consumo e investimento, cuja demanda exige confiança e previsibilidade, tende a ser particularmente afetado.

A indústria, que havia superado o nível de produção do pré-pandemia, isto é, de fev/20, em 3% na virada do ano, em jul/21 voltou a ficar 2,1% abaixo deste patamar. Esta reviravolta foi amplamente verificada no setor. Em dez/20, 35% de seus ramos e 47% dos parques regionais estavam em níveis de produção inferiores a fev/20, mas estas frações avançaram para 58% e 80% respectivamente em jul/21.

Embora as bases de comparação deprimidas ajudem a performance atual em relação ao mesmo período do ano passado, este quadro de perda de dinamismo também começa a afetar este tipo de comparação. As projeções do Boletim Focus para o ano de 2021 como um todo, por exemplo, que apontavam para uma alta de +6,5% no início de ago/21, um mês depois foram reduzidas em meio ponto percentual, para um resultado de +6,0%.

Em jul/21, o declínio frente a jun/21 teve um perfil abrangente, sobretudo do ponto de vista setorial, atingindo 73% dos ramos e 47% dos parques industriais regionais acompanhados pelo IBGE. Entre os macrossetores, dois ficaram no vermelho e os outros dois que conseguiram obter uma variação positiva ficaram em uma situação mais de estabilidade do que de crescimento, dado o baixo resultado.

O melhor dos casos foi bens de capital, cuja produção variou +0,3% ante jun/21, com ajuste. Este macrossetor tem apresentado a trajetória de recuperação mais consistente e já superou o impacto da Covid-19 em 16,4%. A variação de jul/21, entretanto, foi a menor alta registrada desde mai/20, quando o macrossetor voltou ao azul.

Também no positivo ficaram os bens de consumo semi e não duráveis, mas com apenas +0,2% após uma retração no mês anterior. Neste caso, o aumento dos preços de alguns de seus bens, desemprego elevado e medidas restritivas em função da piora da pandemia nos primeiros meses de 2021 produziram uma série de resultados ou negativos ou muito próximos da estabilidade. Deste modo, sua produção em jul/21 ficou 7,1% abaixo de fev/20.

Bens intermediários, por sua vez, com um resultado de -0,3%, apresentou sua quarta taxa negativa consecutiva. Em 2021, nos poucos meses em que não caiu este macrossetor praticamente andou de lado. O melhor que conseguiu na série com ajuste sazonal foi uma variação de mero +0,3% em mai/21. Assim, vem perdendo toda a expansão pós-choque da Covid-19 e em jul/21 ficou apenas 0,7% acima do patamar de fev/20.

Por fim, o pior desempenho deste início de semestre coube à produção de bens de consumo duráveis, que recuou -2,7% ante jun/21. Este macrossetor não apresentou um mês sequer de crescimento em 2021 e seu nível de produção em jul/21 encontrava-se 18,2% abaixo do pré-pandemia.

Resultados da Indústria

Em julho de 2021, a produção industrial recuou -1,3% na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Este resultado foi a quinta variação negativa nos sete meses já cobertos pela pesquisa do IBGE, período em que houve crescimento em apenas um mês (mai/21). Com isso, o setor voltou a ficar abaixo do nível de produção de fev/20: -2,1%, tendo perdido tudo aquilo que conquistou na segunda metade de 2020.

 

1105 01 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Os dados de jul/21 mostram que apesar do retorno do auxílio emergencial e reativação da economia mundial, a indústria brasileira ainda não conseguiu retomar uma trajetória consistente de crescimento. Escassez de partes, peças e demais componentes continuam prejudicando o desempenho do setor, assim como, cada vez mais, a aceleração inflacionária, a corroer o poder de compra da população e pressionar a estrutura de custos das empresas.

 

1105 02 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Na comparação com o mesmo período do ano anterior a indústria continua a crescer, porém a um ritmo menor, devido a bases de comparação menos deprimidas. Ante jul/20, a variação de +1,2%. Deste modo, o desempenho no acumulado dos sete primeiros meses de 2021 foi de +11,0%. A maior parte desse avanço está concentrado no segundo trimestre do ano: +22,6% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, ajudado pela menor base de comparação, visto que o choque provocado pela pandemia atingiu sobretudo o 2ºtri/20.

Já no acumulado dos últimos doze meses findos em jul/21, a indústria registrou +7,0%, sendo o quarto resultado positivo consecutivo nesta base de comparação e em aceleração, já que os piores meses do ano passado estão deixando de compor o período considerado.

 

1105 03 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Em relação macrossetores industriais, na comparação de jul/21 com jun/21, descontados os efeitos sazonais, houve variação positiva em bens de capital (+0,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (+0,2%), embora ambos os casos tenham ficado muito próximo da estabilidade. Bens intermediários recuaram novamente -0,6%, perfazendo uma sequência de quatro meses no vermelho. Já o declínio de bens de consumo duráveis foi o mais intenso: -2,7%, sendo a oitava vez consecutiva em que este macrossetor ficou no negativo; ou seja, sem crescimento desde final do ano passado.

 

1105 04 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Na comparação de jul/21 com jul/20, diferentemente de meses anteriores, em que havia variação positiva em todos os quatro macrossetores industriais, apenas metade conseguiu crescer. Enquanto o total da indústria variou +1,2% nesta comparação, bens de capital foram os únicos que efetivamente ampliaram produção ao registrarem +33,1%. Bens intermediários não chegaram a cair, mas tampouco apresentaram aumento significativo: +0,2%. Os resultados negativos marcaram a evolução da produção de bens de consumo: -1,9% no caso de semi e não duráveis e -10,3% no caso de duráveis.

O macrossetor de bens de capital foi, mais uma vez, quem melhor se saiu na comparação com mesmo mês do ano passado, registrando alta de +33,1%, com expansão na maior parte dos grupamentos, com destaque para bens de capital para equipamentos de transporte (+56,5%) e para construção (+67,0%), seguidos por bens de capital para fins industriais (+15,0%), de uso misto (+15,2%) e agrícolas (+15,0%). O único impacto negativo coube a bens de capital para energia elétrica (-8,4%).

 

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Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o segmento de bens intermediários, que variou +0,2% em jul/21, teve seu resultado influenciado principalmente por avanços nos produtos associados às atividades de metalurgia (+24,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+10,6%), máquinas e equipamentos (+22,5%), produtos de minerais não-metálicos (+9,2%), e produtos têxteis (+4,5%), entre outros. Impediram um desempenho melhor os recuos assinalados por intermediários de produtos alimentícios (-14,0%), indústrias extrativas (-2,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%) e produtos de borracha e de material plástico (-1,6%), entre outros.

 

1105 06 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Já bens de consumo semi e não duráveis, cujo resultado foi de -1,9% ante jul/20, recebeu contribuições negativas de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-8,0%) e também de não-duráveis (-0,7%). Por outro lado, houve alta nos subsetores de semiduráveis (+8,1%) e de carburantes (+6,3%).

O recuo interanual de -10,3% na produção de bens de consumo duráveis, a seu turno, foi provocado sobretudo pela redução na fabricação de automóveis (-10,8%) e de eletrodomésticos da “linha marrom” (-26,6%) e da “linha branca” (-17,5%), mas também por móveis (-14,0%) e motocicletas (-0,3%). Já o principal impacto positivo veio de outros eletrodomésticos (+17,3%).

Por dentro da Indústria de Transformação

A queda de -1,3% da produção industrial geral em jul/21 ante jun/21, já realizado o ajuste sazonal, foi acompanhado de variação de -1,2% na indústria de transformação e no ramo extrativo. Dessa forma, a indústria de transformação se encontra 7% abaixo do nível de produção de dez/20 e 1,7% abaixo do pré-pandemia, isto é, de fev/20.

Em relação a jul/20, tal como a indústria geral (+1,2%), o desempenho da indústria de transformação também foi positivo, porém bem menos intenso que nos dois meses anteriores: +1,7%, com bases de comparação contribuindo menos para a obtenção de variações robustas. No caso do ramo extrativo, em contraste, houve declínio de -2,7%.

 

1105 07 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Frente a jun/21, na série com ajuste sazonal, o resultado de -1,3% da indústria geral teve influência negativa de 19 dos 26 ramos pesquisados. Dentre os destaques negativos estão: bebidas (-10,2%), produtos alimentícios (-1,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,8%), máquinas e equipamentos (-4,0%), outros equipamentos de transporte (-15,6%), entre outros, além de indústrias extrativas (-1,2%). Em direção oposta, entre as sete atividades com crescimento na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,8%) exerceu o principal impacto positivo.

 

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Na comparação com igual mês do ano anterior, em que a indústria geral apresentou alta de +1,2% na produção em jul/21, variações positivas marcaram o desempenho de 14 dos 26 ramos, 46 dos 79 grupos e 54,4% dos 805 produtos pesquisados. Vale mencionar que jul/21 (22 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês de 2020.

As maiores influências positivas nesta comparação interanual vieram de: veículos automotores, reboques e carrocerias (+21,2%), metalurgia (+24,8%), máquinas e equipamentos (+26,2%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (+22,1%), produtos de minerais não-metálicos (+9,0%), couro, artigos para viagem e calçados (+15,3%), impressão e reprodução de gravações (+40,9%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+1,0%), entre outros.

Entre as doze atividades em queda, produtos alimentícios (-10,3%) exerceu a influência negativa mais intensa, seguidos por bebidas (-15,2%), indústrias extrativas (-2,7%), móveis (-14,4%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-9,8%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-7,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,1%).

 

1105 09 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

 

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Exportação

Segundo os dados da Funcex, divulgados pelo IBGE juntamente com os resultados da produção industrial, o quantum das exportações de manufaturados no mês de jul/21 cresceu +25,4%, impulsionado pela baixa base de comparação e pela reativação da economia mundial. Por sua vez, as importações em quantum de matérias-primas para a indústria avançaram +53% na comparação com jul/20. Foi a nona taxa positiva consecutiva; todas de dois dígitos.

Assim, no acumulado de 2021, as exportações industriais, que pararam de apresentar sinal negativo a partir de abr/21, registraram crescimento de +17,2% nos sete primeiros meses do ano frente a igual período do ano anterior. Esta foi a primeira taxa positiva de dois dígitos pós choque da Covid-19. Quanto às importações de matérias-primas para o setor, apresentaram alta expressiva de +28,8% em 2021, um quadro bem diferente de 2020 como um todo (-4,1%).

 

1105 11 Desempenho da Indústria Derruba Campanha Pessimista

 

Utilização de Capacidade

A utilização da capacidade instalada da indústria de transformação, de acordo com a série da FGV com ajustes sazonais, caiu seguidamente a partir de fev/21, chegando a 76,7% em abr/21, e a partir de mai/21 voltou a mostrar alguma reação. A tendência teve continuidade em jul/21, registrando 80,1%, mas voltou a declinar em ago/21, para 79,7%.

Cabe observar, porém, que o nível de utilização de jul/21, bem como o de ago/21, voltou a superar a média histórica anterior à Covid-19, que é de 79,5%. Apesar disso, ficou abaixo do patamar imediatamente anterior à crise de 2014-2016, mostrando que ainda há o que recuperar ao se considerar a recente sobreposição de crises. No 1º trim/14, a utilização da capacidade estava em 82,6%.

 

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Já pesquisa da CNI, mostra que a utilização da capacidade instalada da indústria de jul/21 manteve-se muito próxima do nível de jun/21. Atingiu 82,3%, após ajuste sazonal, registrando decréscimo de -0,3 ponto percentual ante o mês anterior. Isso consolida um nível persistentemente superior ao observado antes da crise (78% em fev/20). Em relação a jul/20, o aumento foi de 6,1 pontos percentuais. Com esse resultado, a utilização da capacidade instalada também superou o nível pré-crises de 2014-2016 e Covid-19, visto que no 1º trim/14 o nível da utilização foi de 82%.

Estoques

De acordo com os dados da Sondagem Industrial da CNI, o indicador da evolução dos estoques de produtos finais da indústria em jul/21 ficou no mesmo patamar de jun/21, em 49,0 pontos. Por se encontrar muito próximo da marca de 50 pontos, o indicador sugere estoques em leve redução. No caso do segmento da indústria de transformação, o indicador registrou 49,1 pontos (-0,1 ponto frente a jun/21), e na indústria extrativa ficou em 44,3 pontos (+2,9 pontos), sinalizando ampliação de estoques.

Estoques mais equilibrados sugerem uma redução da vulnerabilidade das cadeias produtivas a repiques inesperados de comandas, amenizando os gargalos em diversos elos que temos visto desde o ano passado.

Na avaliação dos empresários, os estoques efetivos da indústria geral ficaram, mais uma vez, abaixo do nível planejado (50 pontos), com um indicador de satisfação em 48,7 pontos em jul/21, isto é, patamar melhor do que em dez/20 (+3,2 pontos), mas inferior ao de fev/20 (-0,9 ponto), isto é, antes do choque da Covid-19.

No caso do setor extrativo e no caso da indústria de transformação, o indicador de satisfação dos estoques ficou em 48,1 pontos e 48,7 pontos, respectivamente, isto é, abaixo do nível de equilíbrio (50 pontos) nos dois casos. A insuficiência de estoques na indústria de transformação, que tinha se amenizado, aproximando-se muito da linha de 50 pontos em abr-mai/21, voltou a lentamente se afastar dela a partir de jun/21, embora permaneça melhor que a situação do bimestre set-out/20 (43,1 pontos).

No grupo da indústria de transformação, a situação dos estoques até pode ter se tornado mais amena no início de 2021, mas o problema continua difundido para um amplo conjunto de ramos. Depois de praticamente todos os ramos industriais acompanhados pela CNI apresentarem estoques menores do que o planejado (50 pontos) em dez/20 (96% do total), em jul/21 essa tendência de redução dos estoques manteve-se em 18 dos 26 ramos acompanhados pela CNI, ou seja, em 69% do total.

Entre os 8 ramos iguais ou acima de 50 pontos destacam-se: papel e celulose (52,1 pontos), bebidas (52,1 pontos), têxteis (51,5 pontos) e material plástico (51,4 pontos), entre outros. Estão mais distantes do equilíbrio os seguintes ramos: couro (41,1 pontos), outros equipamentos de transporte (41,7 pontos), madeira (41,9 pontos) e móveis (43,1 pontos).

 

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Confiança e Expectativas

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação da CNI, que vinha evoluindo negativamente desde jan/21, voltou a subir a partir de abr/21 e atingiu 63,1 pontos em ago/21. Assim, não só está na região de otimismo (acima de 50 pontos), como atingiu sua melhor marca desde dez/20, trazendo perspectivas mais favoráveis para o setor nos próximos meses.

O componente do indicador de confiança referente às expectativas em relação ao futuro passou de 65,7 pontos em jul/21 para 66,1 pontos em ago/21, e a percepção dos empresários quanto à evolução presente dos negócios também progrediu de 55,8 pontos em jul/21 para 57,2 pontos em ago/21, ficando na região de otimismo (acima de 50 pontos). Vale lembrar que este último componente do indicador de confiança havia registrado 60,2 pontos em dez/20.

 

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O Índice de Confiança da Indústria de Transformação (ICI) da FGV retomou um movimento descendente. Encontrava-se em 114,9 pontos em dez/20 e chegou a 103,5 pontos em abr/21, melhorando a partir de então. Em jul/21 ficou em 108,4 pontos e em ago/21 refluiu para 107 pontos, já descontados os efeitos sazonais. Como se manteve acima da linha dos 100 pontos durante todo este período, indica que os empresários industriais estão confiantes, mas menos do que estavam no final do ano passado.

O resultado em ago/21, foi influenciado por seus dois componentes, mas sobretudo por aquele da situação atual. A avaliação em relação ao futuro passou de 104,9 pontos em jul/21 para 104,6 pontos em ago/21, permanecendo na região de otimismo. Já a avaliações da situação atual recuou de 111,8 pontos em jul/21 para 109,4 pontos em ago/21.

 

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Outro indicador frequentemente utilizado para se avaliar a perspectiva do dinamismo da indústria é o Purchasing Managers’ Index – PMI Manufacturing, calculado pela consultoria Markit Financial Information Services. Este indicador está acima dos 50 pontos desde jun/20, apontando melhora das condições de negócio neste período. Em ago/21, depois da reação iniciada em mai/21, voltou a registrar deterioração, passando de 56,7 pontos em jul/21 para 53,6 pontos.

 

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Anexo Estatístico

 

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IEDI na Imprensa – Brasil precisa de uma agenda

Publicado em: 01/02/2021

Valor Econômico

Perda de competências industriais compromete o desempenho econômico do país

Dan Ioschpe

A notícia recente do fim das atividades produtivas da Ford no Brasil colocou sob holofote as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira nos últimos anos e a gravidade das distorções do ambiente econômico no qual o setor opera no país.

A despeito de suas motivações particulares, as quais não nos cabe avaliar, a decisão tomada pela empresa, assim como por tantas outras, é um indicativo do quanto o Brasil está defasado em termos de competitividade, produtividade e sofisticação tecnológica em relação ao restante do mundo. E mais do que isso, reflete a ausência de comprometimento, expresso não apenas no plano das ideias e intenções, mas também em decisões concretas, de que as causas do atraso serão corrigidas sem demora. Uma agenda!

Vem ficando cada vez mais claro que estamos diante de uma encruzilhada, dadas as profundas transformações tecnológicas em andamento e que devem ser aceleradas no pós-pandemia, com o reforço das estratégias industriais das principais potências globais. Ou enfrentamos definitivamente nossos problemas ou a perda de competências industriais irá se acelerar, comprometendo ainda mais o desempenho econômico do país.

O IEDI, que desde sua fundação busca se distanciar dos interesses de setores específicos e de soluções provisórias, fomentando o diálogo sobre as orientações necessárias ao avanço da nossa estrutura produtiva e ao desenvolvimento econômico e social do Brasil, vem insistindo há algum tempo em um conjunto de temas que deveriam ser prioridade no debate nacional. São pilares para uma economia mais eficiente, uma sociedade mais justa e um país mais responsável em termos ambientais.

É fundamental que continuemos perseguindo o equilíbrio macroeconômico, a despeito dos desafios adicionais trazidos pela pandemia, de modo a reduzir a volatilidade cambial e a escalada da inflação, assegurando níveis de taxas de juros consonantes com os padrões internacionais. O resultado será uma evolução mais vigorosa dos investimentos, tão necessários para a modernização de nosso parque produtivo.

Para que este primeiro pilar seja obtido, o país deve ser capaz de estabelecer uma trajetória favorável das contas públicas, promover a tranquilidade institucional, a redução da desigualdade social e a preservação do meio ambiente.

São estas as precondições para os demais ajustes igualmente imprescindíveis, que devem estar centrados na promoção da competitividade e da produtividade e que ataque pela raiz as causas do chamado “Custo Brasil”, a começar pela disfuncionalidade de nosso sistema tributário.

Nessa área precisamos inicialmente substituir os impostos incidentes sobre o consumo de bens e serviços por um Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), com cobrança no destino e alíquotas isonômicas, que reduza a complexidade e a insegurança jurídica, elimine a cumulatividade, assegure a rápida devolução dos créditos gerados no sistema e desonere as exportações. Já existem projetos de lei em debate, devemos partir para a ação.

Precisamos também avançar com a reforma administrativa, focada na melhoria da prestação dos serviços pelo poder público, na digitalização, desburocratização e na redução do custo da prestação destes serviços ao longo do tempo. E avançar rapidamente na ampliação e modernização da nossa infraestrutura a partir das concessões em todos os setores, em especial no saneamento, estradas, ferrovias, portos, aeroportos e conectividade. E com a participação efetiva do Estado, preferencialmente através de parcerias público privadas, naqueles projetos não viáveis do ponto de vista econômico, mas desejáveis sob a ótica do desenvolvimento social. Será necessário seguir aperfeiçoando as relações trabalhistas, por conta da modernização nas formas de trabalho, assim como reduzir a insegurança jurídica em todos os campos.

Esta agenda envolve ainda a aceleração da pesquisa, desenvolvimento e inovação em nosso país, tornando mais simples, horizontais e eficientes os mecanismos de fomento, com imediata revisão da Lei do Bem e alocação continuada, sem contingenciamento, de recursos a entidades meritórias como a Embrapa e os Institutos de Ciência e Tecnologia. Desta forma poderemos avançar com a modernização do parque produtivo através de instrumentos abrangentes, não setoriais e com o desenvolvimento e difusão das tecnologias digitais e ambientalmente responsáveis, possibilitando a maior participação nas cadeias internacionais de valor dos setores de produtos manufaturados de maior intensidade tecnológica.

Para isso, será importante o aprofundamento da participação do BNDES na aceleração da infraestrutura, no fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação e no avanço no comercio exterior, áreas em que a capacidade de aporte do Banco é realmente diferenciada.

Ao mesmo tempo, é imprescindível promover uma maior integração do Brasil com a economia mundial, preferencialmente por meio de acordos comerciais, que confiram transparência, horizontalidade e gradualismo ao processo. Neste sentido, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é um divisor de águas, pois possibilitaria a adoção rápida de acordos análogos com os principais polos comerciais do mundo. Diga-se de passagem, foi esta a estratégia de integração ao mundo praticada pela maior parte dos países. Obviamente a não conclusão deste acordo será um grande retrocesso nesta agenda.

Paralelamente, devemos promover a adoção dos devidos mecanismos de proteção, usados ao redor do mundo e difundidos pela OMC, em especial a aplicação dos mecanismos de antidumping, quando justificados tecnicamente. O ingresso na OCDE também é importante, pois promoveria a adoção por aqui de padrões de sucesso em diferentes pontos do nosso ordenamento.

O IEDI acredita, que a correção das distorções do quadro econômico deveria vir acompanhada do desenvolvimento social, da redução da desigualdade e da promoção da sustentabilidade ambiental, partes indissociáveis do desenvolvimento de uma nação.

O enorme contingente de brasileiros sem as condições mínimas de renda e de acesso à moradia, à educação de qualidade, à segurança e ao saneamento aclara a necessidade de adotarmos políticas públicas no campo social que promovam a redução da desigualdade, em especial através do aumento da mobilidade social.

Um país com baixa mobilidade social está condenado a ser menos competitivo e pouco inovador. O avanço no quadro social do país tem a capacidade de tornar o mercado consumidor ainda mais pujante e de elevar a produtividade do trabalho, o que fortaleceria a indústria, assim como todos os demais setores da economia. O reforço do nosso compromisso com o meio ambiente evitará que nos isolemos ainda mais do mundo e garantirá o direito de gerações futuras às nossas riquezas naturais.

Temos a obrigação de construir um futuro mais justo para os brasileiros e mais produtivo e eficiente para os nossos empreendedores. Sem uma agenda clara e exequível, dificilmente chegaremos lá.

Dan Ioschpe é presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

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